Nação Zumbi: guitarrista Lúcio Maia lança músicas de novo projeto

LOS 5 lança primeiras músicas. Foto: Caio Cestari

Músicas do LOS 5 podem ser ouvidas no canal do Nação Zumbi, no YouTube

Por Alexandre Matias, jornalista e curador musical

O continente latino-americano ainda não se entendeu como tal - e a barreira traçada pelo Tratado de Tordesilhas antes do descobrimento da América pode até ter mudado de formato, mas ainda determina uma cisão crucial entre o Brasil e seus vizinhos que falam espanhol. O idioma ainda é considerado a principal fronteira entre as duas culturas, mas não é só nas diferenças entre português e castelhano que a cultura brasileira não se mistura com a do resto da América Latina.

Há um obstáculo cultural que mantém os dois blocos separados - embora os falantes de espanhol tenham curiosidade e mais informações sobre o nosso país do que nós temos deles. Foi incutido em nosso inconsciente que o Brasil é descolado do resto do continente como se fôssemos melhores ou diferentes do resto dos latinos. Felizmente estas barreiras vêm se derretendo com o novo século e há um interesse genuíno dos brasileiros em conhecer o canto do mundo que vivem, não apenas o próprio território nacional.

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Esse desinteresse pela América Latina é desculpável na medida em que os brasileiros ainda não conhecem a própria cultura nem o sentido mais amplo do que é ser nascido aqui. Fecha-se em alguns conceitos sobre o Rio, São Paulo, o nordeste, o sul e a Amazônia e imagina-se entendedor do país. Uma arrogância cultural ainda priva o brasileiro de conhecer a essência de sua nacionalidade.


O guitarrista Lúcio Maia foi fundamental neste reconhecimento do que é a nacionalidade brasileira em termos musicais nas últimas décadas e agora parte nesta busca do autoconhecimento da Latino-América. Liderando o projeto Los 5, ele reuniu outros quatro exploradores de nossa musicalidade para desbravar o continente sul-americano (principalmente) em um projeto instrumental que pesa no tempero latino sem abandonar a essência brasileña.

Embora conhecido e reconhecido como guitar hero da Nação Zumbi, Maia tem uma trajetória paralela que mostra suas buscas por outras paragens musicais para além da colisão afrociberdélica de ritmos e melodias da usina de som pernambucana. 

Ele também tocou ao lado de Seu Jorge no grupo Almaz, com o rapper Rodrigo Brandão no grupo Zulumbi e com Marisa Monte na turnê Verdade, Uma Ilusão, além de seu próprio trabalho solo com o nome de Maquinado - em cada um destes projetos buscando, com sua guitarra, explorar novas sonoridades em extremos diferentes do leque musical brasileiro.


Seus parceiros no Los 5 são exploradores da mesma estirpe: Maurício Fleury, tecladista e guitarrista do Bixiga 70, conhece desde os inúmeros gêneros musicais africanos à toda gama de sonoridades brasileiras, passando por uma apetitosa discoteca latina, base de suas atuações como DJ, além de já ter tocado com Gal Costa, João Donato, Anelis Assumpção e Guizado. Já o baixista Fábio Sá é conhecido por seu trabalho com Rômulo Fróes e tocou com nomes tão diferentes quanto Negro Léo, Ana Cañas, Rodrigo Ogi e Lanny Gordin. 

O percussionista Felipe Roseno já esteve nas bandas de Ney Matogrosso e Maria Gadú, enquanto o baterista Hugo Carranca é o fiel escudeiro de Otto. “Sempre fui um amante da salsa, merengue, da música cubana e outros ritmos caribenhos, além da surf music e da guitarrada paraense”, explica Lúcio sobre a gênese do grupo, lembrando que já havia trabalhado anteriormente como Fábio e Maurício, mas sem ir para estas bandas musicais.

Juntos, enveredam por caminhos quentes e ensolarados, como soa o conjunto das seis faixas que formam o disco de estreia do quinteto. “Comecei compondo alguns temas em casa e resolvi gravar uma demo com essas músicas”, lembra Lúcio. “O primeiro resultado foi animador. Daí incorporamos o Hugo Carranca na bateria, que é um especialista nesses ritmos, e o percussionista Felipe Roseno, um dos melhores de sua geração.”

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