Nação Zumbi: "Guardo sentimento profundo de agradecimento", diz Pupillo

Pupillo deverá se dedicar mais ao trabalho de produtor. Foto: reprodução internet


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

A saída do baterista Pupillo tomou de surpresa muita gente que acompanha o trabalho da Nação Zumbi. Afinal, o músico era peça fundamental na formatação da identidade sonora da banda.  

Ao Interdependente, Pupillo escreveu informando o motivo de sua decisão. 

"A saída da Nação se deu de acordo com as demandas de novos projetos. Tenho dedicado a maior parte do meu tempo ao trabalho como produtor, e se fez necessário fazer uma escolha, pois não queria de forma alguma atrapalhar, muito menos prejudicar a agenda e rotina da banda".

Os novos projetos em questão se referem a seu ofício de produtor musical, habilidade que vem desenvolvendo desde a feitura do segundo álbum de Chico Science & Nação Zumbi, o "Afrociberdelia" (1996). As interações entre homens, instrumentos, máquinas e softwares causaram-lhe impactos que resultariam, mais tarde, no gosto pelo burilamento das criações alheias.

Foi assim que, a partir do início dos anos 2000, a assinatura de Pupillo começou a aparecer em produções e co-produções. Ela pode ser lida nos álbuns "Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga", coletânea (2000); "O Outro Mundo de Manuela Rosário", do Mundo Livre S/A (2004); "Simulacro", de China (2007); "Certa manhã acordei de sonhos intranquilos de Otto", de Otto (2009); "Amigo do Tempo do Mombojó", do Mombojó (2010).

Mais sobre a Nação Zumbi



Na década seguinte, a marca de Pupillo aparece impressa nas vibrações sonoras dos álbuns "Setembro", de Junio Barreto (2011); "LIRA", de Lirinha (2011); The Moon 1111, de Otto (2012); "Idilio", de Marina de La Riva (2012); "Tropix", de Céu (2016); "A Gente Mora No Agora", de Paulo Miklos (2017); "Estratosférica ao vivo", de Gal Costa (2017); "...Amor é isso", de Erasmo Carlos, lançado este ano.

Em 2019, Nando Reis lança novo disco com produção de Pupillo.

O bilhete de Chico Science

Pupillo já era bastante ativo e requisitado, em 1995, quando recebeu convite de Chico Science para integrar a CSNZ. Amparado pelas ótimas referências que guardava a respeito do músico, Chico foi até a casa do baterista para convidá-lo a substituir o percussionista Canhoto, que tocava caixa no grupo. Science não o encontrou, mas deixou bilhete.

Nos primeiros shows ao vivo com a CSNZ, Pupillo também só tocava caixa. Mas não demorou muito a incluir a bateria na configuração da banda, tendo a devida consciência musical de conseguir casar com maestria a execução do instrumento com as alfaias de maracatu - grande marca sonora e visual da Nação.

Recado à Nação

Depois de mais de 20 anos, nove discos e centenas de shows, Pupillo explicita o estado mental que mantém em relação a seus agora ex-companheiros da banda. 

"Guardo um sentimento profundo de agradecimento por ter encontrado pessoas com as quais eu defini um estilo artístico e de vida. Construímos juntos uma história importante e que levarei como principal realização profissional da minha vida".

Novo batera

O percussionista e baterista Tom Rocha entrou no lugar de Pupillo. Além de já ter tocado alfaia na Nação Zumbi, Rocha desenvolveu um grande trabalho de sensibilidade musical rítmica tocando a a banda olindense Academia da Berlinda.

Comentários

  1. É uma pena, um grande músico e que compôs junto aos fundadores, o estilo que hj a banda tem! O substituto por sua vez.... uma fera do groove! Vai rolar!!

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