Baterista pernambucano Lulu Batera surpreende em On The Road

Lulu Batera é figura conhecida nas noites recifenses. Foto: arquivo pessoal


Por Wilfred Gadêlha

Lulu Batera é um cara bem conhecido na cena pernambucana. Já tocou em várias bandas de música pesada e também se apresenta no circuito mais comercial de covers na cidade. E ele acaba de lançar seu primeiro álbum solo, um disco em que, surpreendentemente, pelo lado positivo, a bateria não é a “estrela”. Nada daquelas amostrações em viradas e contratempos nem masturbações sonoras derivadas de um ego desesperado por atenção. É um belo de um disco de música pesada instrumental, onde  Lulu se destaca por estar sempre fazendo o certo na hora certa.

On The Road foi todo composto pelo artista, que soube criar músicas muito interessantes, com riffs pesadíssimos e que colam rapidamente na mente. Ele também gravou as guitarras-base e o baixo em quase todas as faixas.  Lulu contou a ajuda de Daniel Farias, guitarrista do Realidade Encoberta e de outras bandas e um promissor produtor, pra dar cara ao que pensava. 


É claro que o um disco instrumental de um baterista tem um solo dele, né? Não, mundiça. Não tem. (talvez um pedacinho em Made in Recife, em que ele toca uma levada de maracatu, mas não é um solo). Tem sim solos belíssimos dos guitarristas que foram convidados por Lulu e que enriqueceram o trabalho na medida certa. De Antonio Araújo (Korzus, One Arm Away, Matanza Ritual) a Randall Silva, companheiro de Lulu no Fitetomb e, depois, no Brutal Order, passando pelo sempre afiado João Marquee e pelo virtuoso Nenel Lucena (Evocati), os amigos do baterista entenderam o recado e fizeram um trabalho realmente que se adequa à proposta.



Existe sim um ponto fora da curva, sem desmerecer qualquer um dos guitarristas que participaram de On The Road. É a música O Legado. Nas seis cordas está o gênio Robertinho de Recife, um cara que está aí desde os anos 60 e que, de vez em quando, toca heavy metal. O que RdR faz é bonito demais. Em especial um tema que arrepia os pelos do braço de quem tem pelos no braço - eu não tenho, mas arrepiou assim mesmo.

Outra música que me chamou - mais - a atenção foi Fire Order, um trocadilho com os nomes das bandas de Lulu com Randall. Ela é a mais thrash do disco, que tem espaço para referências a Rush, aqui e alhures, e de outras bandas, mas é injusto dizer que há “clones” de outros grupos. Até porque não há. Tem hard rock, rock nd roll, prog, heavy metal, thrash. Mas tudo em seu lugar. 

Perguntei a Lulu se ele não se sentiu tentado a ter uma música com vocal. E a resposta dele foi certeira: os vocais tirariam a atenção do que ele queria: riffs. E eu concordo com ele. Lulu não precisou de letras pra dizer o que quis dizer. 

Ouça o disco aqui e em outras plataformas digitais.



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