Caso Flordelis e a idolatria no meio evangélico

Flordelis e o marido Andreson, assassinado em junho de 2019. Imagem: Reprodução/Instagram

Por Ricardo Alexandre

Se você não é crente: cuidado, muito cuidado com a forma com que você trata o bizarro caso da Flordelis, para não escorregar para o preconceito de classe, de cor e para a intolerância religiosa.

Cuidado para não se esquecer dos CENTENAS de assassinatos, das MILHARES de agressões domésticas que são evitadas todo ano nas periferias do Brasil, por causa de crentes, dos pentecostais e até dos neopentecostais. Gente ignorada pelo poder público pelos governos de direita e de esquerda, resgatada de uma realidade em que a vida vale muito, muito pouco. Gente SALVA literalmente.

Cuidado, porque tá fácil escorregar nisso.

Agora, se você é crente como eu, recomendo uma profunda reflexão sobre que tipo de relação a cultura evangélica tem alimentado com seus líderes, sobre denominações tão personalistas que levam o nome de pessoas ("Ministério Flordelis"), sobre a idolatria aos pastores, sobre políticos evangélicos, sobre defensores dos bons costumes, sobre o emocionalismo moral de cima dos púlpitos, sobre o culto à personalidade incentivado pelos próprios líderes e sobre quais os critérios temos usado para avaliar as pessoas como "ungidos" ou não. Tem muito disso no meu livro "E a verdade os libertará", mas tem muito, muito disso nesse caso.

Recomendo que sua reflexão use, além da Bíblia, dois conteúdos que estão nos comentários. Primeiro, o artigo "Melhor viúva que divorciada" publicado, nesta quarta (26), no UOL pelo teólogo Ronilso Pacheco, sobre rigor moral, hipocrisia e fundamentalismo religioso.

Recomendo também - aliás, PRINCIPALMENTE - o vídeo promocional feito pela MK Music, autodenominada "a gravadora gospel brasileira com maior cast e os principais nomes do segmento" com a cobertura estilo colunismo-social do lançamento do filme "Flor de Lis: Basta uma palavra para mudar".


Reflita diante de sua consciência o quanto essa cultura evangélica e o quanto esse papo de "uma grande mulher", "uma grande guerreira", "eu sou mais que vencedora", "vários artistas conhecidos", globais-crentes, testemunheiros evangélicos, deputada crente, "irmão vota em irmão", "filme evangélico com história realmente evangélica" "toda história que tem Jesus tem final feliz" e "segmento gospel" tem a ver com a mensagem de Jesus e o que é preciso fazer para sair desse estado infantil e doente da nossa relação com a religião.

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Desde junho de 2013, com as famosas manifestações de rua, passando pelos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a eleição do presidente Jair Bolsonaro, o grau de polarização na igreja e na sociedade só fez aumentar. Amizades antes duradouras e relações familiares outrora consistentes abalaram-se e parecem longe de voltar à normalidade.

A eleição do presidente Jair Bolsonaro, em parte, pode ser atribuída ao apoio de parcela considerável do eleitor evangélico. Que razões motivaram essa tão acentuada inclinação política?

Ricardo Alexandre, jornalista consagrado, investigou as raízes desse movimento e a evolução da figura pública de Jair Bolsonaro, desde as primeiras aparições como capitão de artilharia do Exército até sua atuação à frente do governo federal. Cristão, Ricardo valeu-se também das Escrituras como referência para avaliar a ação política do presidente da República e propor novos caminhos à igreja e à sociedade brasileira.


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