Pastores evangélicos promovem desinformação sobre o coronavírus

O pastor Silas Malafaia. Imagem: reprodução YouTube

Por AD Luna

Assim como acontece nos Estados Unidos, diversos líderes evangélicos brasileiros têm contribuído para espalhar desinformação, mentiras e conspirações sobre o coronavírus.

Seja por meio de programas de TV, vídeos publicados na internet e mesmo em cultos, tais figuras debocham da pandemia, apelam para perigosas e irresponsáveis mensagens religiosas do tipo "não se preocupe, o vírus não chegará em você, pois Deus te protegerá".

É até idiota falar isso, mas não existe pesquisa científica alguma mostrando que crentes sejam imunes a quaisquer doenças.

É patético ter que dizer o óbvio: mas seja evangélico, católico, espírita, budista, ateu, agnóstico ou satanista, TODOS e TODAS estão suscetíveis aos efeitos deletérios de vírus e bactérias.


O site The Intercept já havia publicado vídeo de líderes evangélicos americanos debochando do coronavírus. Agora também fizeram uma compilação dos colegas brasileiros falando absurdos.

Origens do fundamentalismo cristão e semelhanças entre Brasil e Estados Unidos

Nas redes sociais, várias pessoas se mostram surpresas com a semelhança de posicionamento entre crentes dos EUA e do Brasil. Bom, isso acontece porque crenças e discursos de movimentos evangélicos conservadores e fundamentalistas estadunidenses foram, de fato, transpostos e adaptados para nosso país. 

No artigo "As origens do fundamentalismo cristão", baseado em livro da pesquisadora de religiões Karen Armstrong e publicado aqui no Interdependente é possível identificar certas semelhanças.

É bom frisar que há outros pastores evangélicos brasileiros que pensam e agem de maneira diferente de gente como Silas Malafaia, Edir Macedo e afins. Caso do carioca Alexandre Cabral, o qual, em entrevista ao programa de rádio Interdependente critica o discurso intolerante de cristãos e fala sobre a desconexão entre as palavras e ações desses e os ensinamentos de Jesus. 

Coronavírus: líderes evangélicos espalham charlatanismo e teorias da conspiração em cultos e vídeos




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Um trabalho de fôlego sobre a mistura explosiva de política e religião na vida nacional. Neste livro-reportagem, a premiada jornalista Andrea Dip investiga as intricadas estruturas sociais, políticas e místicas que sustentam a escalada das Igrejas Evangélicas ao poder. 

Com linguagem ágil, apresenta pontos importantes, como a aliança de evangélicos com outros setores conservadores (como a CNBB e o Projeto Escola Sem Partido), o ataque aos direitos de grupos identitários (com as chamadas "cura gay", "ideologia de gênero" e projetos antiaborto), a ocupação de um espaço deixado pelo Estado e o uso da mídia. 

Além disso, busca identificar, sem preconceitos, quem são as pessoas que levam adiante o projeto evangélico de poder, como se articulam e em nome de quem levantam suas bandeiras. Prefácio de Marina Amaral e orelha de Fernando Molica. 

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