Eskröta coloca o dedo na ferida da sociedade em "Cenas Brutais"

O trio paulista Eskröta. Foto: reprodução Facebook


Por Stefannia Cardoso
PEsado - Lapada para todos os gostos

Trazer a luta feminista para a cena da música pesada independente, não se resume apenas em colocar mulheres nos palcos. Podemos dizer que a banda Eskröta está construindo e consolidando marcas fortes e significativas em sua trajetória. É nítido o crescimento e amadurecimento da banda que sabe se posicionar levantando bandeiras e de forma inteligente “coloca o dedo na ferida” e aborda temas importantes para a luta da desconstrução de uma sociedade perversa com as minorias. 

Em seu primeiro disco completo, batizado genialmente como “Cenas Brutais”, a Eskröta não utiliza de cortes e filtros, percebemos claramente a personalidade da banda que não se intimida em momento algum das 11 faixas que compõe o álbum. Como a música “Grita”, que aborda um tema ainda pouco falado entre as mulheres, a mutilação genital feminina. Com suas habilidades tanto na parte instrumental quanto nas letras pesadas, carregadas de sagacidade, o sensacionalismo das mídias de massa, foi retratado na faixa “Tribunal Popular”.

Sobretudo ”Cenas Brutais” também é marcado pela transição de bateristas. Devido a compromissos pessoais a Miriam Momesso entrega as baquetas para Jhon França, que já é conhecido pelo público da banda. Jhon já foi substituto de Miriam, inclusive na edição 2019 do Abril Pro Rock, o baterista estava com a Eskröta.


Não só dentro da cena do rock’n’roll como também na música pesada, a mulher por muito tempo foi vista exclusivamente como símbolo sexual.  A apropriação do uso da imagem da mulher está inserida na cultura machista, “Vai Se Arrepender” com participação especial da Mayara Puertas, traz uma letra falando sobre a vingança contra o patriarcado e opressão machista.

Além disso, outros questionamentos precisam ser levantados dentro da cena, um exemplo é o descaso e a falta de políticas públicas para as mulheres, estes temas estão na música “Cárcere”. A faixa “Cruzamento Maldito” fala abertamente sobre as mulheres que estão em situação de risco na rua. “Condenados” fala brilhantemente sobre a repressão do pobre e das pessoas que moram em comunidades carentes pela polícia fascista.

Inclusive a expressão “dedo na ferida”, usada por mim, no início se aplica muito bem para temas que a sociedade brasileira parece ter esquecido, mas a Eskröta não! ”Não Vale Nada” relembra sobre a impunidade da empresa Vale. Temas como a violência contra os indígenas também aparecem no disco, como na música “Massacre”. A faixa “Follow The Money” relata o desvio da verba pública. Assim como, “Refugees” levanta a árdua história dos refugiados dando destaque às políticas dos EUA com seu governo atual.

Inquestionavelmente uma música teve grande destaque, com participação especial do Hugo Golon, a “Filha Do Satanas”, faz referência ao filme “Carrie A Estranha” e trata das temáticas, alienação religiosa, opressão e a desinformação gerada por “Tabus”.  Vale deixar registrado o quanto a arte da capa do disco foi muito bem criada por Alcides Burn, dando uma vida voraz as composições do álbum.  

Portanto podemos dizer abertamente e sem dúvidas que a Eskröta faz sua sonoridade ligada ao Thrash Crossover Antifa com muito respeito. Se você ainda compactua com machismo, homofobia, racismo ou qualquer outro tipo de ato fascista, provavelmente você não irá aguentar chegar nem na metade do álbum. 

Ouça o disco no link abaixo


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