Júlio Ferraz aproveita isolamento para lançar novo disco

Júlio Ferraz aproveitou isolamento para compor. Foto: Divulgação

Chegou nesta quinta, 30 de abril, às plataformas digitais, o EP "Lampejos", do músico e compositor pernambucano Júlio Ferraz. Lançado pela gravadora Discobertas, o álbum traz de forma nua sentimentos vividos pelo artista em seus primeiros 30 dias de quarentena. 

Em razão da pandemia da COVID-19, Ferraz adiou as datas do show "Freak Bananas" e também o lançamento do seu novo disco, que estava programado para acontecer nesse mês de maio. 

Ele passou ter uma rotina de trabalho ainda mais isolada, fazendo lives, nas quais não só toca suas músicas, como também realiza longas conversas com o púbico, buscando conscientizar o maior número de pessoas usando suas redes e um grupo no Facebook "Júlio Ferraz - Quarentena Lives". 

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Com os músicos isolados e sem poder se encontrar para concluir as gravações do seu novo disco, Ferraz deu espaço para um outro trabalho inédito, dando enfase às cordas de aço, gravando tudo sozinho em casa durante o seu isolamento e mixando e masterizando, através de muitas horas em ligações telefônicas e vários emails.

"Lampejos" é o seu quinto álbum e terceiro EP solo, traz um Júlio Ferraz melodista e harmonioso onde busca traçar células musicais que tragam calma e transmitam paz de espírito, mesmo em meio ao caos que ocorre no mundo devido a pandemia.

Gravado entre 20 de março e 11 de abril no Home Studio de Júlio Ferraz no Recife, o EP “Lampejos” foi produzido durante o isolamento do músico, por razão da pandemia da COVID-19. O álbum foi mixado e masterizado entre os dias 13 e 20 de abril no Estúdio Y em Petrolina por Yargo Feghali, com direção de Júlio Ferraz, através de horas de ligações telefônicas e vários e-mails.

O EP "Lampejos", nas palavras do próprio Júlio Ferraz

"Eu não me lembro bem o dia, mas eu já estava dentro de casa quando soube que era necessário não sair, e que a partir daquele instante as coisas poderiam piorar muito mais, pois existiam inúmeras pessoas sem acreditar, inúmeras pessoas alienadas e um reforço ainda maior do presidente da nação em diminuir a gravidade do momento para que as pessoas não deixassem de sair e, assim, não deixassem de trabalhar e de movimentar a economia, um golpe sujo que poderia aumentar rapidamente os números de infectados pela COVID-19 no país. 

E eu, que aos 32 anos já tinha a fragilidade de um organismo com sequelas de um tratamento quimioterápico que vivi em 2013, me vi ainda mais na responsabilidade de estar trancado, por minha vida e pelas demais que poderiam estar a minha volta. 

E assim estou, isolado junto a minha parceira. Foi então que resolvi, através de lives transmitidas pela web, abraçar todas as pessoas que acompanhavam a minha trajetória e, ao mesmo tempo, dar mais uma opção aqueles que estavam em casa, não só cantando, mas conversando sobre o assunto para quem sabe ali trazer alguma consciência dentro do meu alcance de pessoas. 

A essa altura, eu já havia adiado o lançamento do meu novo disco, pois a banda não poderia se encontrar para gravar, até ai, eu não sabia nem quais eram as possibilidades. Então, Marcelo Froes me surpreende com um convite para um bate papo ao vivo através do Instagram da gravadora Discobertas e, durante a transmissão, falamos sobre um EP de inéditas, isso me deu a motivação que faltava para trabalhar algo novo, e resolvi gravar, mesmo que fazendo tudo sozinho. Acaba por ser um trabalho muito puro, muito particular e que, no futuro, marcará um momento muito singular de minha vida.

O álbum registra um eu isolado com pensamentos gritando para o mundo, e um mundo que atravessava as paredes através do som dos teimosos, do som dos arrependidos gritando com suas panelas das janelas dos prédios, mas também o som dos que não tinham opção e nem teto. O barulho da dor se misturava ao som de uma esperança silenciosa, do estado de prece, que eu busco manter em meu espírito. Estamos no meio do olho do furacão e há muito a acontecer, mas sigo a cumprir a promessa de fazer música até o meu último dia, claro, desejo que esse dia leve ainda muitos anos para acontecer, mas, que quando vier, venha em um momento em que o mundo viva mais amor por tudo e por todos."

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