Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A na UFPE


Chico Science e Fred Zeroquatro (Mundo Livre S/A). Reprodução MTV

Programa de Pós-Graduação em Música da UFPE promove encontro sobre os 25 anos dos discos "Da lama ao caos" e "Samba esquema noise"

O ano de 1994 foi um ano chave na consolidação do Manguebeat. Foi nessa data em que as bandas seminais da cena lançaram seus primeiros álbuns: Chico Science & Nação Zumbi, com "Da lama ao caos" (Chaos/Sony), e a Mundo Livre S/A, com "Samba esquema noise" (Banguela/Warner). Nesta segunda (9), o Programa de Pós-Graduação em Música da UFPE promove, às 14h, uma mesa de discussão sobre os 25 anos das obras, no auditório Evado Coutinho, no Centro de Artes e Comunicação (CAC).

O encontro terá a presença dos músicos Fred Zeroquatro (Mundo Livre S/A), Dengue (Nação Zumbi), José Teles e Renato L (jornalistas) e do produtor Paulo André (Abril pro Rock). A mediação é da professora Luciana Mendonça e a entrada é aberta ao público.

Serviço

Mesa de discussão "Da lama ao caos" e "Samba esquema noise"
Segunda, dia 09 de dezembro, às 14h
Auditório Evado Coutinho, no Centro de Artes e Comunicação (CAC).

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Um breve passeio pelo mangue

Por Luciana Mendonça

No início dos anos 1990, a cena manguebeat começou a mostrar sua face criativa em Recife com festas, shows e eventos. 1993 foi um ano decisivo. Realizou-se o primeiro Abril ProRock, que se tornou um dos mais importantes festivais do cenário pop nacional, no qual toda a diversidade da cena ganhou destaque. Estavam presentes jornalistas de veículos de comunicação sediados na região sudeste e representantes de gravadoras.

Em junho, Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A realizaram uma primeira turnê, com um show em São Paulo, na casa de shows Aeroanta, e dois em Belo Horizonte. Ao show de São Paulo, compareceram “olheiros” de diversas gravadoras e representantes dos principais órgãos de imprensa. Alguns já conheciam as bandas, pois haviam assistido ao Abril Pro Rock.

Ouça "Da lama ao caos" na íntegra


Dessa primeira turnê surgiu a oportunidade para as duas bandas gravarem discos, ambos lançados em 1994. Chico Science & Nação Zumbi foram contratados pela Sony e gravaram o álbum Da Lama ao Caos. Deste, a canção “A Praieira”entrou na trilha sonora da novela das 18 horas da Rede Globo, Tropicaliente, e estourou nas FMs.

A canção “A Cidade” também se tornou tema de novela. A Mundo Livre S/A foi contratada pelo selo Banguela, ligado à Warner, e gravou o seu primeiro álbum Samba Esquema Noise. Embora com menos projeção midiática, Samba Esquema Noise chegou a ser qualificado pela crítica como “o disco da década”. 


A cena mangue, enquanto circuito vivo de relações, foi perdendo força ao longo dos anos 2000, mas deixou uma forte marca na cultura local e nacional, impactando as representações sobre a música pernambucana, as políticas culturais e as concepções acerca do que é música brasileira.

Várias bandas, como é o caso da Mundo Livre S/A e da Nação Zumbi, deram continuidade às suas carreiras, em um significativo processo de profissionalização e consolidação. Debater as características e os impactos (estéticos, sociais, econômicos etc.) dos 25 anos de "Da lama ao caos" e "Samba esquema noise" é uma oportunidade para repensar a importância da cena mangue e as transformações nas práticas musicais nos últimos anos.

Para ler e comprar (clique na imagem)



Livro "Chico Science & Nação Zumbi: Da lama ao caos" - por Lorena Calábria 

Em 1993, Chico Science & Nação Zumbi entravam pela primeira vez em um estúdio profissional para gravar o disco Da lama ao caos. A cena Mangue, uma espécie de insurreição musical e estética coletiva, que surgia no início da década de noventa, extrapolava as noites de Recife para o primeiro show em São Paulo e uma imersão no lendário estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro.

A mistura de rock, hip hop, funk e ritmos pernambucanos, como maracatu, ciranda e coco, ficou conhecida como Manguebeat e alcançou projeção internacional.


As histórias dessa “diversão levada a sério”, como dizia Chico Science, desde as primeiras festas em Recife no inferninho Adília’s Place até o trágico acidente do líder da banda, são contadas neste livro por Lorena Calábria. 

A partir de muitas conversas com os músicos e parceiros de bandas, familiares e pessoas que fizeram parte da trajetória do álbum, a jornalista resgata a atmosfera da época para dar o tom do que significou o Manguebeat – e o lançamento de Da lama ao caos – na música brasileira. (Texto da Amazon)

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