Bateria: Cassio Cunha e o estudo da independência polirrítmica



Por Cassio Cunha

Olá, pessoal. Tudo bem? 

Neste texto, falo sobre meu livro IPC (Independência Polirrítmica Coordenada).

Para escrevê-lo, me inspirei em dois livros muito importantes no ensino da independência coordenada: "4 Way Coordination", de Marvin Dahlgren e Elliot Fine; e, em especial, o "The New Breed", de Gary Chester. 

Tais obras me deram a base para desenvolver o IPC. Mas este possui abordagem um pouco diferente, mais direcionada para a realidade da bateria brasileira. Há um foco especial no estudo e desenvolvimento da independência harmônica. 

Ou seja, trabalhar as quatro “vozes” (pés e mãos) como se fossem uma harmonia, e não uma melodia, na qual as notas são tocadas em sequência. 

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Cada voz trabalha ostinatos distintos (repetições rítmicas) que, tocados ao mesmo tempo (harmonicamente), criam base na qual uma voz pode trabalhar outros ostinatos e melodias. 

Essa idéia apoia a necessidade que temos muito aqui no Brasil de adaptar para a bateria, ritmos que vem de grupos de percussão com duas ou mais vozes, o que exige um trabalho muito específico e muitas vezes de uma grande complexidade rítmica.

A primeira edição do IPC foi lançada em 2000, pela Lumiar. Essa mesma editora foi responsável pelo lançamento de diversos livros e songbooks importantíssimos para o registro da música popular brasileira. Atualmente, o IPC é editado pela Multifoco Editora.

BENEFÍCIOS

Quando fiz o IPC, não tinha muita noção de todas as possibilidades do livro. Na verdade, nem sabia como estudá-lo direito a princípio. 

Entretanto, para mim e, acredito que paraa maioria das pessoas que usaram e continuam a usar o livro, a grande contribuição do IPC é quebrar as barreiras de coordenação de forma equilibrada, sem distinção entre as vozes.

Ou seja, o que você vai estudar com a mão direita, será trabalhado com a mão esquerda, pé direito e pé esquerdo. Essa desafiadora ação coordenada é atemporal. 

Hoje mesmo, depois de quase 20 anos da primeira edição, posso pegar o IPC e abrir uma página para estudar e será sem dúvida um desafio - o que é positivo no sentido de que não dá para se acomodar com esse livro. 

No final, além dessas questões técnicas, o mais importante é que o IPC facilita e muito a liberdade para adaptar ritmos que exigem a coordenação de várias vozes ao mesmo tempo, como é o caso do frevo, maracatu, samba, entre outros.

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