Bateria brasileira em destaque no Interdependente #51

Os bateristas e professores Christiano Rocha e Vlad Rocha. Foto: Divulgação

Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Só quem toca bateria - ou outro instrumento musical - tem ideia do grande prazer que a prática proporciona. Seja em estúdio, em palcos ou até mesmo só, a satisfação de construir e conduzir ritmos e frases nos tambores e pratos é imensa. Christiano Rocha e Vlad Rocha são dois daqueles músicos que resolveram dedicar a vida para compartilhar tal experiência com outras pessoas.

Eles são os convidados do programa Interdependente - música e conhecimento #51, apresentado por este que vos tecla, na 99,9 Universitária FM de Pernambuco. Além da entrevista, na qual discorrem sobre suas experiências, sobre o site educacional e informativo Ritmismo.com, tocamos músicas interpretadas por eles. 

Christiano Rocha, como vários adolescentes de gerações anteriores, começou a se interessar pela bateria aos 14 anos, encantado com as performances de Alex Van Halen, irmão do famoso guitarrista, que dá nome à banda americana. 

O interesse por outros estilos foi surgindo, os estudos foram se aprofundando e ele acabou por se tornar um dos músicos mais requisitados do país. É autor do livro Bateria Brasileira, que já está em sua terceira edição, e que aborda o ensino de ritmos como baião, bossa, frevo, jequibau, samba, samba-reggae e xote. A obra foi viabilizada por meio da Lei Roaunet.


Chris já tocou e tem se apresentado com Adriana Calcanhoto, Alceu Valença, Ana Cañas, Andre Matos, Andreas Kisser, Arnaldo Antunes, Baby do Brasil, Beto Guedes, Chico Buarque, Chico César, Diogo Nogueira, Dominguinhos, Elba Ramalho, Jorge Aragão, Jorge Vercillo, Naná Vasconcelos, Orquestra Arte Viva, Roberta Miranda, Sá & Guarabyra, Tony Levin, Zé Ketti e muitos, muitos outros. A lista é imensa. Veja uma amostra mais completa clicando aqui.

Vlad Rocha tocou e gravou com Ludov, Cuelho de Alice, Peninha, Faiska, Michel Leme, Adriana Godoy, Cláudio Machado, Carol Andrade, entre outros. Durante seu trabalho na versão brasileira da Modern Drummer,  uma das mais respeitadas revistas sobre bateria do mundo, teve contato e entrevistou grandes nomes nacionais e internacionais do instrumento.

Entre eles, Neil Peart (Rush), Dave Lombardo (Slayer, Suicidal Tendencies), Simon Phillips (Toto),  Airto Moreira, Amilcar Christófaro (Torture Squad), Max Kolesne (Krisiun), Pantico Rocha (Lenine), Serginho Herval (Roupa Nova) e Vera Figueiredo. A lista também é grande. Veja mais aqui.

A CRIAÇÃO DO RITMISMO.COM

A ideia surgiu no meio de uma série de oficinas, com duração de dois meses, que ele e Vlad Rocha fizemos por cerca de 13 países da Europa. Na época, ambos trabalhavam na Modern Drummer. Vlad era editor e Christiano, coordenador da parte educacional. 

"A gente já estava sentindo essa migração de informação do papel para o digital. No meio dessa turnê, começamos a formatar o projeto", relembra Christiano. 

O conteúdo do site é assinado por pessoas de várias partes do Brasil e até do exterior. "Muita gente quer ter acesso ao conteúdo do Ritmismo e não tem condições de fazer uma aula presencial. Então, isso acaba sendo uma vantagem", expõe Vlad. 

Além dele e de Christiano, os assinanantes têm acesso a conteúdos produzidos por outros músicos. "Temos aulas com muitos convidados de peso na música brasileira. Como, por exemplo, Paulo Braga, Celso de Almeida, Ramon Montagner, Carlos Bala, Jorge Anielo, Fábio Marrone, Mauricio Zottarelli, Eloy Casagrande", destaca Vlad.

No site também são disponibilizadas entrevistas feitas por Chris e Vlad, nas quais eles conversam com amigos e colegas bateristas e também abordam outros temas.

Carlos Bala, baterista da banda de Djavan

Sobre os alunos mais jovens que aparecem presencialmente, Vlad Rocha diz que há, basicamente, dois perfis. Existem aqueles cujo principal objetivo é se profissionalizar. E os que encaram as aulas como lazer, curtição. 

Diante disso, é preciso que o professor esteja atento à abordagem que vai oferecer. Usando como analogia a prática de exercícios em uma academia, Vlad lembra que há pessoas que a frenquentam apenas para manter a forma. Se aparece um professor forçando o praticamente a ser um atleta, esse pode desanimar e desistir.

Curso de bateria brasileira do Ritmismo.com


MÉTODOS BRASILEIROS DE ENSINO

Se você estiver em São Paulo e der um pulo na Free Note, loja especializada em material de ensino musical, localizada na Avenida Teodoro Sampaio, vai encontrar uma grande quantidade de métodos estrangeiros. Especialmente norte-americanos.

Mas a produção de conteúdos brasileiros vem crescendo. "Em termos de público, é até importante dizer que o livro Bateria Brasileira, do Christiano Rocha, é um dos produtos que mais vendem na Free Note", comemora Vlad. 

Para ele, isso demonstra o interesse crescente por sons e ritmos do país. Entre outros guias de estudo, Vlad cita métodos de importantes nomes como Nenê, Oscar Bolão, Kiko Freitas, Cássio Cunha, Daniel Oliveira e o já citado Montagner. "Claro que esquecer de um monte de gente, vou ser injusto, mas estou dando alguns exemplos que me vieram à cabeça agora, daqueles mais ligados à música brasileira".

Alguns desses métodos foram feitos por meio de financiamento coletivo. Uma boa alternativa para outros músicos que queiram produzir material.

MAIS





MERCADO MUSICAL

Como anda o mercado para bateristas, na cena musical brasileira? De acordo com Christiano Rocha, a "confraria baterística" é bastante unida e se falam bastante. Tendo como amostra essas conversas constantes, ele diz que o que mais se escutam são reclamações.

"Sinto que o mercado está ficando cada vez mais amador. Vide tocar na noite, em bares, casas noturnas. [Também] Não vemos mais a quantidade de turnês e temporadas que existiam anteriormente. Posso dizer que não está fácil. Mas a gente também não pode deixar a peteca cair", pondera.


ENSINO E DIFUSÃO DA BATERIA BRASILEIRA

O ensino da bateria brasileira está evoluindo. É o que pensa Christiano Rocha citando, assim como Vlad, a crescente quantidade de métodos que vem sendo lançados. No Ritmismo.com, inclusive, está sendo oferecido um conjunto de aulas focadas em ritmos do país. 

"É um curso que estamos trabalhando há quase três anos, dividido em dois módulos, e destinado a bateristas de nível médio ou avançado", conta Christiano.

Vlad Rocha mostra duas levadas de frevo de Mario Gaiotto, que fez parte do grupo Mandu Sarará

Há músicas para baixar e tocar, com mais de 1200 exercícios, partipação de vários convidados e vídeos. "Sou suspeito para falar. Mas acho que é um curso de nível internacional", diz Christiano.

Em setembro, será lançada a versão em inglês do curso online. Ou seja, com legendas nos vídeos e apostilha traduziada para a língua. "A ideia é que o curso Bateria Brasileira ganhe o mundo", ambiciona Chris. 

Aos assinantes será disponibilizada certificação do curso, por meio de prova prática, enviada em vídeo. O estudante precisa acertar, no mínimo, 75% das questões - o que lhe garante o certificado. "Inclusive, o primeiro que fizer isso vai ganhar uma bateria customizada", adianta.

"Já falaram que a gente é louco de ter feito um curso desse jeito: com tanto material e levando tanto tempo. Aí, depois que a gente ofereceu como prêmio uma bateria customizada, tiveram certeza que a gente é louco mesmo. Vai ver eles têm razão", diverte-se Christiano Rocha.


AS MIL E UMA POSSIBILIDADES DE SE TOCAR BAIÃO

Em relação ao livro Bateria Brasileira, para quem está inserido na cultura nordestina uma coisa que pode chamar bastante atenção é a grande quantidade de possibiliadades de se tocar baião. 

No livro são oferecidos 256 exercícios, do ritmo popularizado por Luiz Gonzaga. "É algo que adoro tocar e escutar", enfatiza o autor, Christiano Rocha. "Claro que não cobre tudo. É impossível. Mas já dá uma boa ideia".

Para comprar o livro Bateria Brasileira, acesse a página da Free Note.

No programa Interdependente - música e conhecimento, Christiano Rocha e Vlad Rocha falam também sobre acontecimentos que os marcaram como músicos.

Ouça o programa na íntegra.



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