Aldeia recebe a vivência "Maternagem à luz da Comunicação Não-Violenta"

Maristela Lima e o pequeno Gael. Foto: arquivo pessoal


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

"A maternidade real não é cor-de-rosa e cheia de flores. Parir a mãe que somos ou que desejamos ser demanda paciência, resiliência, força, resistência, persistência, empatia, apoio, presença, disposição amorosa… E companhia para partilhar as dores e delícias de ser o que se é. Por isso, convido você: vamos de mãos dadas". 

É com este convite a outras mulheres que Maristela Lima vem desenvolvendo o Cultivando o Cuidado – apoio, empatia e empoderamento materno. No dia 30 de junho, a curitibana, mãe do pequeno Gael, oferece a vivência Maternagem à luz da Comunicação Não-Violenta, que ocore, em Aldeia, bairro do município de Camaragibe, localizado a 40 minutos do Recife.

A vivência também será oferecida em João Pessoa, nos dias 1 e 2 de julho. Mais informações, aqui. 

SERVIÇO

O quê: Maternagem à luz da Comunicação Não-Violenta | Vivência com Maristela Lima
Quando: 30 de junho de 2018 (Sábado) | das 9h30 às 17h
Onde: Espaço Shalom | Estrada de Aldeia, Km 06 (2ª rua à direita após o Posto BR)

Contribuição:

R$ 189,00 - Até 25/06
R$ 234,00 - de 26 a 29/06
À vista via depósito ou Parcelado em até 2x no cartão

As inscrições podem ser feitas online, clicando aqui. 

Informações:
(81) 982500243 - Brisa Angélica
(81) 995348348 - Juanna Silvestre





ENTREVISTA COM MARISTELA LIMA

Primeiramente, poderia falar sobre você?

Dizer “quem sou” ou quantos cursos fiz seria me reduzir a rótulos e certificados. E isso já não me define. O que realmente importa é como todo conhecimento e experiências que tive e tenho me impulsionam a ser melhor como ser humano e a desempenhar meus papéis neste mundo de forma a servir à vida. Assim, toda minha bagagem como terapeuta, educadora e investigadora da Comunicação Não-Violenta só fazem sentido na medida em que tocam o coração e promovem a transformação das relações – comigo mesma, com as pessoas à minha volta e com o planeta. Tornar-me mãe tornou isso ainda mais evidente, pois os filhos, com sua autenticidade tão à flor da pele, colocam o tempo todo à prova nossas teorias e nos fazem deparar com a verdade do que somos. Então, sou uma pessoa em processo de investigação de como ser a mudança que desejo ver no mundo, como ser a mãe que desejo para meu filho, como impactar de forma positiva outras mães que estão também nesta busca. Depois da chegada do Gael, tenho aprendido na prática o valor da sororidade, da rede de apoio, da empatia como ferramenta de transformação real. E estou na constante busca de ser minha melhor versão, porque confio que a mudança começa com a gente mesma e se constrói diariamente, em relação. 

O que é a Comunicação Não-Violenta?

A Comunicação Não-Violenta é uma abordagem que promove o desenvolvimento das competências emocionais e relacionais necessárias para acolher as emoções e lidar com os conflitos internos e externos de forma mais sustentável, considerando aquilo que é importante para todas as pessoas envolvidas, mesmo nas situações mais desafiadoras, buscando co-criar as condições para que as necessidades de todos sejam contempladas. As ferramentas trazidas pela Comunicação Não-Violenta nos apoiam a aprimorar nossa capacidade de valorizar as nossas diferenças e de nos conectarmos com aquilo que temos em comum – nossas necessidades mais fundamentais como amor, paz, saúde, respeito, pertencimento, liberdade, segurança, etc. É uma maneira de nos colocarmos no mundo realçando aquilo que nos une, as nossas semelhanças, a nossa humanidade compartilhada. Hoje eu vejo a Comunicação Não-Violenta como um caminho que traz de forma factível a não-violência para a vida cotidiana. É a espiritualidade na prática. Esta abordagem nasceu na década de 1960, idealizada pelo psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg, resultado de seus estudos sobre religião comparada, psicologia social e por suas próprias práticas e observações. Hoje, vem sendo usada ao redor do mundo todo como uma importante ferramenta para transformar conflitos em oportunidades de crescimento e cuidar das relações de uma forma restaurativa, seja no âmbito familiar ou mesmo entre nações.  

Como surgiu a ideia de usar a CNV no cuidado com crianças?

O projeto que desenvolvo atualmente, “Cultivando o Cuidado – apoio, empatia e empoderamento materno”, é voltado basicamente para as mães, mas também faço rodas de conversa e palestras (como as que irão acontecer em Olinda e João Pessoa) voltadas para pais, educadores, cuidadores e toda pessoa que convive com crianças. Então, a ideia principal das vivências com as mães, como esta que vou oferecer em Aldeia, é investigarmos juntas como cultivar relações (com os filhos e consigo mesma) pautadas no respeito mútuo, na autenticidade e na empatia, como transformar conflitos em oportunidades de crescimento e conexão, como praticar a autoempatia e cuidar de si mesma em meio aos desafios da maternidade, entre outros temas que podem surgir.  

A Comunicação Não-Violenta é para cuidar das relações humanas, independentemente da idade do ser humaninho. Com crianças é maravilhoso, porque elas estão muito mais conectadas com seus próprios sentimentos e necessidades do que nós, adultos que já fomos tão impactados pela cultura patriarcal desumanizante. Então, se permitimos acessar necessidades e sentimentos delas e nossos, e olhar para a relação com elas por este viés, a conexão é quase imediata. Outro ponto importante é que abordamos os potenciais conflitos – tão presentes no cotidiano da criação dos filhos – como oportunidades de fortalecimento dos vínculos. 

Como tem sido a experiência com seu filho e o que outras mães têm relatado?

O meu percurso neste caminho da Comunicação Não-Violenta, anterior à maternidade, foi fundamental para o autoconhecimento e para despertar o empoderamento necessário para viver a maternagem de forma mais alinhada ao que serve à vida. Com a vinda de Gael, hoje com três anos, toda minha bagagem é colocada à prova diariamente. Com ele, tenho diversas oportunidades de praticar a empatia, a resiliência, a persistência naquilo que nos conecta e que nos apoia a cuidar da relação. Tornar-me mãe e conviver com outras mães e crianças, tem me trazido experiências profundas de humanização. Redescobri a importância da comunidade e da rede de apoio, a força contida na vulnerabilidade e o poder real da conexão empática e da compaixão.

Em relação ao Gael, o que percebo é uma criança muito conectada com o que sente e precisa, que já sabe nomear sentimentos, que demonstra empatia e cooperação. Nem sempre é fácil, enfrento os desafios que toda mãe enfrenta, pois lidar com a autenticidade de uma criança, com todas as explosões de um serzinho que ainda está aprendendo a lidar com os próprios sentimentos e a se relacionar, me faz me deparar constantemente com aquilo que eu mesma ainda preciso aprender e cuidar em mim e nas relações. É um processo constante de autoconhecimento e de busca por estar alinhada aos valores em que acredito. E neste processo todo, ter uma rede de apoio é fundamental. Criar seres livres e criativos implica em esquecer o velho padrão de castigo e recompensa, de um manda outro obedece – implica em enxergar a criança como um igual, com suas particularidades, claro, mas tão humana quanto eu. E as ferramentas que já integrei da CNV me apoiam imensamente nisso. 

O feedback que recebo de outras mães me nutre muito e me motiva a persistir neste caminho. Elas relatam transformações na relação não apenas com os filhos, mas também com o resto da família. Mudanças na forma de se expressar e de ouvir as crianças, vínculos mais fortes, mais clareza sobre as dinâmicas envolvidas nos relacionamentos. Tem sido lindo e emocionante acompanhá-las nestas redescobertas! E, a cada nova vivência, a cada novo encontro, eu aprendo muito com cada uma, sobre sororidade, sobre o mundo materno-infantil e sobre mim mesma. E sou muito grata por isso.

MAIS

Comunicação Não-Violenta no Interdependente. Ouça entrevista com o professor Marcelo Pellizoli

AJUDE o projeto Interdependente - música e conhecimento

Comentários