Rock'n'roll, música pop, velhice e sofrimento

Baterista Tommy Aldrige, 67 anos. Tocou com Ozzy Osbourne, Gary Moore, Thin Lizzy. Atual Whitesnake 


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Quando morei na cidade de São Paulo, entre 2002 e 2010, um dos meus programas favoritos aos sábados é curtir parte do dia no SESC Pompéia. Pela manhã, quando minha carteira de usuário estáava em dia e o exame dermatológico idem, tentava queimar as calorias adquiridas no rodízio de sushi e sashimi da noite anterior, nadando entre quarenta minutos e uma hora na piscina.

Depois de uma chuveirada, me deslocava ao aprazível restaurante bandejão do Pompéia e ficava a observar o ambiente. Eu me deleitava com o espetáculo de diversidade e convivência harmônica que se desenrola, até hoje, naquele local. Na mesa adiante, uma família silenciosa de japoneses – talvez descendentes. Ao lado, uma bela loira tatuada compartilhando um pedaço de torta com seu namorado negro. Crianças correndo perigosamente por entre adultos e suas bandejas e... idosos, muitos idosos.

O produtor e compositor Giorgio Moroder, 77 anos


Em um daqueles dias, eis que de repente alterei o roteiro da minha reflexão e comecei a lembrar do modo cruel como parte da mídia e do público costuma tratar roqueiros com certa idade. Muitos dos comentários são carregados por doses de menosprezo e sarcasmo. 

Por outro lado, acho que nunca li um crítico de música não-pop anglo-saxônica chamar Ravi Shankar de o ‘dinossauro da cítara’, com aquele tom pejorativo e agressivo de cadernos culturais. No mundo do samba, os integrantes da velha guarda das escolas são, aparentemente, tratados com respeito e reverência.

O indiano Ravi Shankar, falecido, em 11 de dezembro de 2012, aos 92 anos


Não é raro encontrar algum(a) jovenzinho(a) rockista expressar - de maneira explícita ou velada - indignação quase fascista ao se deparar com algum cinquentão que ainda se diverte nos palcos empunhando sua guitarra distorcida. Será que os ‘pobrezinhos’ Paul McCartney, Rolling Stones, Madonna, David Byrne,  Bob Dylan ainda estão nessa só por dinheiro?

Tommy Aldrige, em 1981, com Ozzy Osbourne


O prazer dos velhos rapazes ganha contorno de ofensa aos olhos da criatura de 18, 20, 30 e poucos anos, que pelo visto acredita estar imune à ação deletéria do tempo e da possível visão discriminatória dos meninos(as) e da sociedade dos anos 2040, 2050.

E assim caminhamos nós, seres humanos, sempre a pavimentar os caminhos futuros do nosso próprio sofrimento.

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