Cthulu das dunas! "Lone Wolf Syndicate", novo CD da banda Sanctifier

A banda potiguar Sanctifier. Foto: divulgação


Por Wilfred Gadêlha (radiopesado@gmail.com)
PEsado - Lapada para todos os gostos

O Sanctifier é, sem sombra de dúvidas, a banda mais pernambucana do Rio Grande do Norte. As ligações são muitas e, no decorrer dessa resenha, eu vou, quem sabe, enumerá-las. 

Uma das mais tradicionais formações de música extrema que existem no País, o Sanctifier pratica death metal. Sem firulas, sem medo do rótulo, sem receio de ficar preso ao estilo. É death metal mesmo.

E dos bons!

O disco que sai agora em abril é uma prova inconteste de que, décadas de dedicação ao metal depois, com o fim do entra-e-sai de integrantes, a banda conseguiu mostrar do que é capaz. E lançou um dos melhores trabalhos de sua carreira, candidatíssimo a CD do ano em qualquer plataforma ou local do mundo.

Lone Wolf Syndicate é a feliz confluência de vários fatores. A estabilização da formação é um deles. Com o vocalista original de volta, Luzdeth Lott (também conhecido como Luiz Cláudio, ex-Expose Your Hate) e a manutenção de Jorge Ferreira (baixo) e Marcelo Costa (bateria), o guitarrista Alexandre Emerson pôde se dedicar ao que mais sabe fazer: criar riffs grudentos, estranhos e instigantes - ao mesmo tempo.


LWS é uma cacetada. Um tratado de death metal feito por quem entende do riscado. As influências de Morbid Angel estão lá, mas com uma pegada própria, como referência, jamais cópia. Senti também uma coisa meio Possessed, naqueles enroscados de licks com as batidas, como se o Sanctifier tivesse pego Larry LaLonde, Mike Torrao e Mike Sus e botado num liquidicador. 

O trabalho de Luzdeth é muito bom, ainda mais tendo em retrospecto seus excelentes sucessores-antecessores, Fabio Brayner e Rogério Mendes, ambos ex-Decomposed God daqui de Pernambuco. Vocal potente e límpido, um verdadeiro Cthulu com sotaque potiguar - para lembrar a temática lovecraftiana que permeia todo o trampo do Sanctifier.

Por falar em Pernambuco, a belíssima capa é mais uma vez de Alcides Burn. Ficou tão foda que os caras nem botaram fotos no encarte, segundo Emerson me contou. 

Cada música é uma coisa diferente - e ainda assim mantém algo que a conecta com as outras. O single Blessed for Nemesis Divine é uma mostra do que o disco oferece, mas minhas preferidas são Darklands of Taksara, Under Blackned Skies (onde a cozinha bota pra fuder), Omnis Immundus Spiritus e Evil Presence Spell, que soa como se o Altars of Mandness fosse passar umas férias em Ponta Negra e desse de cara com H.P. Lovecraft.

Do alto do status de quem gravou os backing vocals do disco anterior, Daemoncraft, eu atesto: Lone Wolf Syndicate é o melhor disco do Sanctifier. 

PS: no quesito participações, os caras melhoraram muito. Contam com Suzane Hécate, do Miasthenia, nos vocais de Damned Messiah, além de Antônio De Melo (Belchior, ex-Infected, ex-Elizabethan Walpurga), Armando Mystifier (Mystifier), Diego DoUrden (Infested Blood, Mystifier), Ivan Fábio Agliati (Silent Empire) e de Sérgio Ballof (Headhunter D.C.). 


Aproveita e saca a entrevista que eu fiz dia desses de janeiro com o guitarrista:

Já há algum tempo que o Sanctifier anunciou título, formação, capa, o caraio a quatro, do sucessor de Daemoncraft. Mas, agora parece que Lone Wolf Syndicate tá pra sair mesmo. Confere, Alexandre?

Alexandre Emerson - Isso! O CD foi gravado e está em fase final de mixagem e masterização. A mix e master está sendo feita pelo estúdio Forest do amigo Orland. Temos a previsão de fim de Janeiro para finalizar (Nota do redator: cumpriram o prometido!). A Rising, no Brasil, e Star Spawn Society, na Europa, mandam pra fábrica em fevereiro e esperamos até abril estar com todo o material em mãos para iniciar a distribuição.

A volta de Luzdeth Loth, o vocalista original da banda, me parece ser bem simbólica. A partir de então, eu tive a impressão de que o Sanctifier solidificou a sua formação e passou a tocar mais. Como vocês veem isso?

Foi pura impressão mesmo, os shows continuam sazonais, não temos tocado com tanta frequência, mas também não foi nosso objetivo nos últimos tempo. Focamos nas músicas e no novo álbum. Sobre a volta de Luzdeth, ele conhece a todos, e tem nele essa vibe de ex-membro da formação original. Ele ainda estava no Expose Your Hate na época e surgiu a oportunidade de fazer um retorno. A principio foi sem compromisso, como guest, e depois se solidifico. A entrada dele somou bastante.

Vocês são "old ones". Como veem o death metal nos dias de hoje?

O death metal de hoje atende o período cíclico no qual o metal passa de tempos em tempos. Têm muitas bandas revisitando o death metal e criando um novo público para o estilo. Para nós é interessante, pois novas oportunidades aparecem e conhecemos pessoas novas. Conversei com Martin van Drunen (Nota do redator: que inveja!) sobre isso e ele disse que é impressionante a quantidade de bandas revivendo o death metal antigo e falou como isso era fantástico. Bate um pouco com esse meu discurso. 

Vendo como um velho admirador do estilo, não muda muita coisa, para ser death metal para mim ainda cadencio o pensamento dos anos 80 o som tem que ser mórbido (riffs, ideias, arte...) as letras devem falar sobre religião ou correlação com o tema, fugiu muito disso pra mim, na minha opinião, não é death metal, mas sou um velho não me levem a sério...rs

Para finalizar, dia desses vi um texto seu no Facebook falando sobre solos de guitarra. Não vai ter solo em Lone Wolf Syndicate?

Nesse trabalho estou em um momento de introspecção das minhas composições. Não é novidade que as músicas são feitas por mim, não que eu manipule isso, mas foi algo que construí durante o tempo. Criei 15 músicas para esse CD e resolvemos gravar apenas 10. Nesse período vivenciei o câncer de perto, uma sessão de quimioterapia é de marear os olhos. A depressão das pessoas com essa doença me fez escrever um álbum pesado, climático e não achei espaços para solos. Durante esse processo analisei a importância dos solos em uma banda com uma guitarra apenas e percebi que preciso focar nas músicas, climas, etc. Foi quando decidi não ter solos! Vocês só vão perceber o que estou falando quando pegarem o Lone Wolf Syndicate o que espero seja em breve.

Obrigado pela oportunidade Wilfred, Pesado e todos os amantes do metal da morte de Recife, nos vemos em breve!

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