Setor cultural emprega 5,7% dos trabalhadores brasileiros

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Por Agência de Notícias - IBGE
O conjunto de ocupados no setor cultural representava, em 2018, 5,7% do total de ocupados (5,2 milhões de pessoas), percentual idêntico ao verificado em 2014. Houve crescimento de 2,9 pontos percentuais na participação de mulheres, que passam de 47,6% em 2014 para 50,5% em 2018. Em comparação à participação no mercado de trabalho como um todo, a participação dos homens sempre foi superior (57,3% em 2014 e 56,3% em 2018).
Entre os trabalhadores do setor cultural, as pessoas brancas foram maioria em todo o período analisado, embora a população preta ou parda tenha aumentado a participação no setor. Em 2018, brancos eram 52,6%, enquanto que pretos ou pardos eram 45,7% (uma diferença de 6,9 pontos percentuais). Em 2014, havia 42,3% de pretos ou pardos para 56,8% de brancos (diferença de 14,5 pontos percentuais). Isso mostra que, em 2018, os trabalhadores pretos ou pardos na cultura ainda estavam sub representados em relação ao total da população ocupada (51,3% de pretos ou pardos).
Embora tenha havido redução em relação a 2014, o maior contingente de ocupados no setor cultural tinha menos de 40 anos em 2018 (de 59,8% para 54,9%). Na população ocupada total, esse número foi 52,5%. A população com 60 anos ou mais ocupada no setor cultural aumentou em relação a 2014, passando de 7,9% para 10,4%, ficando acima da população ocupada total nos dois períodos (6,6% em 2014 e 8,0% em 2018).
Cerca de um em cada quatro ocupados no setor cultural tinha nível superior completo em 2018 (26,9%, 5,7 pontos percentuais a mais que em 2014), chegando a 1,4 milhão de trabalhadores. Na população ocupada em geral, 19,9% tinham curso superior em 2018.
Informalidade aumenta no setor cultural entre 2014 e 2018
Entre os trabalhadores na cultura, essa tendência de redução do trabalhador do setor privado com carteira e aumento do contra própria ocorreu em todas as grandes regiões. Contudo, apenas na região Sul, em 2018, o empregado da cultura e com carteira apresentava uma participação maior de pessoas (43,3%) do que o conta própria (37,5%). A região Nordeste tinha o maior percentual de empregados do setor privado sem carteira (16,7%) e de trabalhadores por conta própria (47,5%).
As ocupações informais são representadas por empregados e trabalhadores domésticos sem carteira de trabalho assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores que não contribuem para a previdência social e trabalhadores familiares auxiliares. Este tipo de ocupação aumentou consideravelmente dentro do setor cultural. Em 2014, 38,3% (2,0 milhões) de trabalhadores culturais estavam na informalidade, enquanto, em 2018, esse percentual atingiu 45,2% (2,4 milhões de trabalhadores).
O número de trabalhadores culturais formais apresentou queda no mesmo período, mas continua sendo majoritário. Em 2014, representavam 61,7% (3,2 milhões) dos trabalhadores do setor, e em 2018 o percentual caiu para 54,8% (2,9 milhões). Percebe-se, portanto, que embora o número de trabalhadores no setor cultural tenha ficado estável no período, ocorreu uma substituição de trabalhadores formais por informais.
Os trabalhadores do setor cultural têm carga horária inferior ao total geral nos cinco anos analisados. O percentual de pessoas que trabalharam até 14 horas por semana foi maior na cultura do que na totalidade dos setores. Já para os que trabalharam 45 horas ou mais, o setor cultural apresentou um percentual menor ao total. Houve redução considerável de participação de pessoas trabalhando 45 horas ou mais, tanto na cultura (15,8% em 2014 e 8,2% em 2018), quanto no total de trabalhadores (19,5% em 2014 e 11,5% em 2018).
Rendimento cai 8,3% entre 2014 e 2018 no setor cultural
O rendimento médio mensal real do trabalho principal da população de 14 anos ou mais de idade ocupada em atividades culturais foi estimado em R$ 2.391,00 em 2014 e em R$ 2.193,00 em 2018, o que representa uma redução de 8,3%. Esses valores estiveram pouco acima dos rendimentos recebidos pela população ocupada no total das atividades produtivas, R$ 2.218,00 em 2014 e R$ 2.163,00 em 2018 (redução de 2,5%).
Em 2018, no setor cultural, o rendimento das mulheres foi de R$ 1.805,00, enquanto o dos homens foi de R$ 2.586,00 (diferença de R$ 781,00). Em todos os setores, o rendimento das mulheres foi de R$ 1.874,00 e dos homens, de R$ 2.382,00 (diferença de R$ 508,00). As mulheres também apresentaram maior queda do rendimento na cultura (-8,0%), em comparação ao dos homens (-6,8%).
Quase 82% dos internautas assistiram vídeos, programas, séries e filmes pela rede
Dos 180,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade em 2017, 69,8% ou 125,9 milhões acessaram a Internet pelo menos uma vez nos três meses anteriores à entrevista. Houve crescimento ante 2016, quando o acesso foi de 64,7% ou 115,6 milhões de pessoas.
Enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail foi a finalidade de acesso investigada mais recorrente, utilizada por 95,5% dos usuários em 2017, com um incremento ante 2016 (94,2%). Em seguida, vinham conversar por chamadas de voz ou vídeo (83,8%), assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (81,8%). Enviar ou receber e-mail teve diminuição entre 2016 (69,3%) e 2017 (66,2%).
Em relação a assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes, houve maior acesso para pessoas com nível superior completo (86,7%) e menor para pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto (77,4%). Também se mostrou maior para jovens de 10 a 14 anos (88,7%) em relação a idosos de 60 anos ou mais (65,8%).
O equipamento mais utilizado para acessar a Internet foi o telefone celular, com uso por 97,0% (122,1 milhões) das pessoas que utilizaram Internet em 2017. Em segundo lugar ficou o microcomputador, utilizado por 56,6% delas, seguido da televisão ou outro equipamento, utilizado por 16,7% das pessoas de 10 anos ou mais que acessaram à internet.
Apesar do crescimento no uso da Internet entre 2016 e 2017, houve diminuição no acesso por microcomputador em termos relativos, de 63,7% para 56,6% das pessoas que utilizaram a internet, e absolutos, de 73,8 para 71,2 milhões de pessoas no recorte de 10 anos ou mais.
Posse de celular é mais freqüente entre mulheres, brancos e pessoas com nível superior
Em 2017, 78,2% das pessoas de 10 anos ou mais possuíam telefone celular para uso pessoal, um aumento de 1,1p.p. em relação a 2016. Este percentual foi maior para as mulheres (79,5%) em relação aos homens (76,9%). Também foi mais elevado entre brancos (82,9%) em comparação a pretos ou pardos (74,6%). A posse de celular também foi maior na população de 30 a 59 anos (86,0%), seguida da população de 15 a 29 anos (84,1%). Na população com 60 anos ou mais, o percentual cai para 63,5%.
Quanto maior o grau de escolaridade, maior a proporção de posse de celular. Dentre as pessoas sem instrução ou que tinham o fundamental incompleto em 2017, 59,8% tinham telefone celular. Com ensino fundamental completo ou médio incompleto, este percentual foi de 83,3% e com ensino médio completo ou maior escolaridade estava superior a 90%.
Posse de televisão de tela fina cresce de 65,4% em 2016 para 74,2% em 2018, mas acesso continua desigual
Em 2018, a posse de TV de qualquer tipo era quase universalizada, já que estava acessível a97,2% dos moradores em domicílios particulares permanentes brasileiros. Considerando as televisões de tela fina, esta proporção era menor (74,2%), embora tenha mostrado aumento na comparação com 2016, quando era acessível a 65,5% da população. São 20,3 milhões de pessoas a mais com acesso a este bem, um acréscimo de 8,7 p.p.
Em 2018, o percentual de homens (73,4%) foi inferior ao das mulheres (74,9%), nos domicílios com televisão de tela fina. O percentual de moradores brancos, com este tipo de televisão foi de 81,6%, muito superior ao de pretos e pardos (68,4%).
Os maiores percentuais de moradores com televisão de tela fina estão entre as categorias de maior instrução. Entre as pessoas sem instrução ou fundamental incompleto, 63,8% possuíam televisão de tela fina, enquanto que com ensino fundamental completo ou médio incompleto este percentual era de 73,1%, com ensino médio completo ou superior incompleto de 83,4% e com ensino superior completo de 94,0%.

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