Acesso à cultura e meios de comunicação revela desigualdades

Museu Paraense Emílio Goeldi – Belém. Foto: Emerson Santana Pardo

Por Agência de Notícias - IBGE
Equipamentos tradicionais como bibliotecas, museus, teatros, rádios e cinemas cresceram em presença nos municípios até 2014, com decréscimo em 2018. Apesar desse decréscimo, os valores encontrados em 2018 estavam similares ou maiores que o início da série em 1999, coletada pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC).
Livrarias estavam presentes em 42,7% dos municípios em 2001, diminuindo a 17,7% deles em 2018. Videolocadoras tinham a maior participação em 2006 (82,0% dos municípios), chegando a seu mínimo histórico em 2018 (23,0%). Lojas de discos, fitas CDs, DVDs seguiram a mesma tendência.
Em 2018, 32,2% da população morava em municípios sem museu, 30,9%, sem teatro ou sala de espetáculo, 39,9%, sem cinema, 18,8% sem rádio AM ou FM local, 14,8%, sem provedor de internet. Essa análise foi feita a partir do cruzamento das bases de dados da MUNIC, que, a partir da declaração das prefeituras, investiga a presença ou ausência de equipamentos culturais e meios de comunicação nos municípios, e da PNAD Contínua, que coleta características dos morados em domicílios particulares em mais de 3 mil municípios
Em relação a museus, a proporção é maior para homens (33,0%) em relação a mulheres (31,4%), para a população preta ou parda (37,5%) em relação à branca (25,4%) e tem seus maiores valores para crianças e adolescentes até 14 anos (35,9%) em relação aos outros recortes por idade. Pessoas sem instrução ou fundamental incompleto mostraram maior privação nesse quesito (40,3%).
Em 2018, 14,8% da população morava em municípios sem provedor de Internet, segundo as prefeituras. Essa desvantagem é maior para os grupos vulneráveis: população preta ou parda (15,3%), crianças (15,6%) e sem instrução ou fundamental incompleto (17,7%). Entre as Unidades da Federação, as maiores proporções da população em municípios sem provedor de Internet estavam no Piauí (51,3%) e em Tocantins (42,3%).
Acesso potencial a equipamentos culturais é menor para crianças e adolescentes
O acesso de crianças e adolescentes a equipamentos culturais é particularmente importante. Para museus, estudos mostram que o acesso ao equipamento cultural durante a infância auxilia a desenvolver interesse nas demais fases da vida, uma vez que museus são locais de transmissão de cultura, familiarização com as ciências, educação, entretenimento etc.
Para museus, as menores proporções de crianças e adolescente até 14 anos de idade com acesso potencial em 2018 encontravam-se no Maranhão (23,6%) e em Tocantins (36,7%); as maiores, no Distrito Federal (100,0%), em São Paulo (85,0%) e no Rio Grande do Sul (82,8%). Quanto a teatros ou salas de espetáculo, a pior situação para crianças e adolescentes encontrava-se no Maranhão (30,8% com acesso potencial) e Mato Grosso (32,9%). Não havia restrição potencial no Distrito Federal (100,0%) e era relativamente pequena no Rio de Janeiro (91,2%). Maranhão (19,6% com acesso potencial) e Tocantins (30,0%) tinham os maiores níveis de privação de cinema; os menores, no Distrito Federal (100,0%) e em São Paulo (79,1%).

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