Sidor Hulak lança primeiro álbum solo, "Contramão"

Sidor Hulak se reinventa como cantor e tecladista. Foto: Glauce Oliveira/Divulgação

Por Marcos Toledo

Em sueco, a palavra "sidor" é plural de "sida", mais utilizada para definir cada lado ou face de um figura geométrica. Para um indivíduo multifacetado, como o músico recifense Sidor Hulak, os limites se abrem em um leque de possibilidades imprevisíveis. Após uma carreira consolidada como instrumentista, professor e gestor - nem sempre na área musical -, o conhecido guitarrista se lança como compositor e cantor, tendo como instrumento principal o teclado. "Quando a vida está sem sentido a mudança é o melhor caminho", define sintetizando na canção-título de seu primeiro álbum solo, Contramão, um disco assumidamente de música pop (mas com influências jazzísticas, regionais e de rock progressivo) com nove faixas, que chega nesta sexta-feira (22), Dia do Músico, às plataformas musicais digitais. O lançamento é brindado, no mesmo dia, com um show na galeria da Casa do Derby.

Um profissional da música de características variadas e peculiares. Assim os amigos costumam definir Sidor Hulak, 54 anos, ex-aluno de violão erudito do mestre Henrique Annes e de violão popular do virtuoso Nilton Rangel no prestigiado Conservatório Pernambucano de Música (CPM) e que há apenas dois anos decidiu se reinventar.

Sidor não faz a linha dos artistas que gostam de chamar a atenção como pessoa - sabe aqueles artistas que chegam chegando, com atitudes excêntricas, seja pelo jeito de se vestir, de falar, de se comportar? Quem cruza com Sidor nas ruas olha para ele e o vê como um sujeito normal (sic). Tamanha discrição é compensada com um talento que transcende o universo musical.

Além do CPM, em um breve resumo, Sidor Hulak se formou em administração de empresas e música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cursou a renomada Berklee College of Music, em Boston (Massachusetts, Estados Unidos). Como profissional, atuou como guitarrista em grupos como Xibaba, Orquestra Experimental, Tusch, Orquestra de Cordas Dedilhadas e Orquestra Armorial de Câmera de Pernambuco. Especializou-se em docência do ensino superior e em gestão pública. Foi professor do mesmo CPM e, aos 50 anos de idade, já havia encerrado dois ciclos como gestor da escola musical.

Como servidor público, antes de voltar a lecionar no Conservatório em 2019, Sidor assumiu a gerência de Regularização Fundiária da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) por mais um ciclo de quatro anos. Apesar do conhecimento e da competência para o cargo, o amor pela música tocou mais alto. "Para descobri o dom, às vezes você tem que provar do amargo", testemunhou.

Afastado da burocracia, além de lecionar Sidor resolveu voltar a se dedicar mais aos instrumentos. Não apenas à guitarra, à qual se debruçou por muito tempo acompanhando os amigos na noite, principalmente tocando jazz. Decidiu se reinventar. Comprou teclado, notebook, mesa e caixas de som. Montou um verdadeiro estúdio de ensaio e gravação no próprio apartamento. Até a mãe reconheceu sua dedicação e lhe confiou o antigo piano Challen da família. "Comecei a criar, fazer letras", lembra o autor. "Vi que no mundo há muita gente fazendo isso, tocando só ou no máximo em trio em vez de com banda grande", observou.

Compor não era novidade para Sidor. Nos anos 1990, por exemplo, quando formou o grupo Anynote, com Fred Andrade (guitarra), Hélio Silva (baixo) e Ebel Perrelli (bateria), participou da criação de alguns temas instrumentais. Mas agora as canções, com letras obviamente, surgem nos teclados. E o próprio compositor adiciona outros instrumentos, como a fiel guitarra, além de efeitos, programações e backing vocals. "Faço muitas relações no piano com o que aprendi na guitarra", revela. Muito rapidamente então decidiu que era a hora de gravar e de apresentar todo esse combo de um homem só publicamente. Até aulas de canto contratou para se aperfeiçoar. "Essas músicas que estou fazendo agora são mais soltas ainda. Estão ficando mais humanizadas, com mais nuanças", diferencia.

O segredo do entusiasmo e da rápida realização de Sidor está no prazer da reinvenção. "O que me motivou foi fazer as composições. Quando comecei a tocar com essa configuração - voz, teclado e programação - comecei a curtir. É a curtição que está me levando", conta. "Insistir no erro é burrice. Mas insistir no sonho, no que lhe dá prazer, é vida", regojiza-se.

CONTRAMÃO

Desde que começou a compor nesta fase, Sidor Hulak já soma 14 canções, das quais 12 foram gravadas e nove foram selecionadas para formarem seu primeiro álbum solo, Contramão. "Às vezes, a vida impõe placas. A da contramão é a pior para você seguir", acredita. "Mas é essa que estou seguindo: a contramão de um guitarrista de música instrumental tocando teclado e cantando", diverte-se.

Assumidamente pop, o repertório traz canções que falam de amor e das situações do cotidiano - as eternas e típicas contemporâneas - tais como crônicas. Com fluência na música erudita e na popular, Sidor recusa comparações. "Música popular não é música de qualquer jeito. Deve-se respeitar a música", frisa.

Com a chegada do álbum às plataformas musicais digitais, o compositor pretende dar continuidade ao trabalho e levar o show para onde for possível. "Agora estou dando a oportunidade de fazer efetivamente o que gosto", avalia.

Serviço:

Lançamento do álbum Contramão, do músico Sidor Hulak - show nesta sexta-feira (22), a partir das 20h, na galeria da Casa do Derby (Praça do Derby, 109, Derby. Telefone: 81-30717657. Site: www.casadoderby.com). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia), à venda no site www.sympla.com.br. Disco disponível nas plataformas musicais digitais no mesmo dia

Faixa a faixa

Onde / Aonde – Com forte pegada pop, a música brinca com as palavras do título que sempre causam confusão. Retrata um romance com final feliz.


Feijão com Arroz – Balada que retrata um romance comum, como o feijão com arroz do nosso dia a dia. Com inspiração jazzística, a música abre um interlúdio para a improvisação.


Space Mountain – Música pop que trata sobre a vida e seus altos e baixos comparando-a com uma montanha russa (nesse caso, a Space Mountain do famoso parque da Disney).


Lua Vermelha – Funk jazzístico inspirado no fenômeno da lua vermelha levando a construção da composição com pegada dançante.


Só pra se Encontrar Só – Pop que nos remete aos saudosos anos 1980 e faz reflexões sobre os tempos atuais e como as relações humanas mudaram após o advento das redes sociais.


Paradoxo – Fala sobre os paradoxos e os antagonismos existentes em nossa vida cotidiana. Com uma pegada forte, a música tem vários momentos instrumentais, destacando o solo de órgão que lembra o rock progressivo.


Meu Som – Homenagem a diversos músicos que influenciaram a música do autor.


Contramão – A faixa que dá nome ao trabalho sugere que quando a vida está sem sentido a mudança é o melhor caminho. Um pop básico, mas com uma letra que traz uma grande mensagem.


O Resto É Perfumaria – Nessa música dançante, todas as questões lançadas se resolvem quando entendemos que fazemos parte do mesmo mundo, exaltando a tolerância e a paz, sendo todo o resto apenas perfumaria. A música contém uma seção instrumental que remete aos rock progressivo dos anos 1970.

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