UFPE vai lançar edital para apoiar ações nas praias atingidas pelo óleo

Reitor  Alfredo Gomes destacou importância da ação. Foto: Passarinho/Ascom



Por Ascom/UFPE

Lançamento foi anunciado na reunião do UFPE SOS Mar, comitê instalado para tratar das ações relativas aos danos causados pelo óleo

O UFPE SOS Mar, comitê da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) instalado para tratar das ações relativas aos danos causados pelo óleo nas praias do Nordeste, em especial em Pernambuco, se reuniu hoje (30) à tarde, no auditório da Reitoria. Será lançado em breve um edital emergencial conjunto das Pró-Reitorias para Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesq) e de Extensão e Cultura (Proexc). “Queremos colocar essas iniciativas em sinergia”, afirmou o pró-reitor da Proexc, Oussama Naouar. 

“A comissão tem a finalidade de reunir nossa comunidade, de forma coordenada, por meio de um amplo diálogo, para responder, baseada em informações científicas e técnicas, a esse evento, que infelizmente tem repercussões grandes do ponto de vista humano, econômico, cultural, social”, explicou o reitor Alfredo Gomes. A UFPE também tem disponibilizado ônibus para a comunidade acadêmica se deslocar para as praias e colaborar na retirada do óleo.

O professor Gilberto Rodrigues, do Departamento de Zoologia, coordenador do comitê, afirmou que a presença da UFPE tem sido muito bem recebida e que está em andamento um mapeamento das ações que já estão sendo realizadas, que incluem o ensino (em aulas e rodas de conversa), a extensão (por meio do voluntariado) e a pesquisa e inovação, com parcerias com outras instituições como a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).

O grupo tem se reunido diariamente para coordenar as ações na Região Metropolitana do Recife, no Litoral Norte e no Litoral Sul. “A gente como universidade se coloca à frente desse desafio”, disse. A professora Simone Lira, do Departamento de Hotelaria e Turismo, falou sobre o cadastro de voluntários e a divulgação dos equipamentos de proteção individual (EPIs) corretos, além de destacar o trabalho interdisciplinar das equipes. “É uma oportunidade ímpar de fazer isso acontecer de forma massiva”, disse. 

O professor Cristiano Ramalho, do Departamento de Sociologia e do Núcleo de Estudos Humanidades, Mares e Rios (Nuhumar), afirmou que haverá uma reunião na próxima segunda-feira (4) com o Conselho Pastoral dos Pescadores e outras colônias para discutir a situação das pessoas que dependem da atividade para sobreviver. Segundo ele, há cerca de 30 mil pescadores artesanais no estado, com uma estimativa de ganhos anuais de R$ 20 milhões.

ANÁLISE - Segundo o professor Gilvan Takeshi Yogui, do Departamento de Oceanografia, foi feita uma coleta de amostras de água nas praias definidas pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A UFPE deve mobilizar uma força-tarefa de professores para acompanhar as ações de mitigação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em conjunto com a UFRPE, foram coletados pescados para análise de segurança alimentar, que serão enviados para laboratórios externos.


Também foi ressaltado o papel da Universidade de divulgar informações científicas corretas para não causar alarde na população. “Centenas de quilos de pescados já foram jogados no lixo, causando prejuízo econômico aos pescadores”, lembrou a professora Liana Cirne, da Faculdade de Direito do Recife (FDR). “Nas praias, as pessoas cercam você em busca de informações de boa qualidade”, disse a docente Silvia Schwamborn, da licenciatura em Ciências Biológicas do Centro Acadêmico de Vitória (CAV).

A docente Beate Saegesser Santos, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, falou sobre a necessidade de monitoramento ambiental com tecnologia de ponta, além do monitoramento bioquímico e hematológico de quem teve contato com o óleo. Já a aluna Tamires Rodrigues, da licenciatura em Ciências Biológicas, afirmou que os estudantes estão mobilizados em ações como a capacitação da atuação em campo e a comunicação dos impactos de forma contextualizada.


LONGO PRAZO – O diretor de pesquisa da Propesq, Pedro Carelli, destacou que a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) lançou o Edital 22/2019, de Apoio Emergencial para Estudos de Impactos e Mitigação da Contaminação por Petróleo no Litoral de Pernambuco, no valor total de R$ 2,4 milhões. “É importante que a UFPE se equipe para dar uma resposta a longo prazo para esse problema”, afirmou.

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