Irmã Dulce: "A história dela já é um milagre", diz escritor ateu

Imagem: Divulgação/Arquivo OSID

Por Alexey Dodsworth
Escritor, Doutor em Filosofia pela USP e Universidade Ca Fóscari (Veneza, Itália)

A canonização dela é uma honra para a Igreja Católica. Em uma época em que pessoas que se dizem cristãs odeiam despudoradamente, em uma época em que vendilhões tomam os templos e saqueiam gente pobre e desesperada, ter Dulce como exemplo a ser seguido é um alento.

Não sou católico, não sou religioso. Sou ateu. Para mim, só há um milagre: que no meio do caos e do sofrimento, de vez em quando surja alguém como Dulce.

Era piadista, tocava sanfona lindamente, e enchia o saco de gente abastada até que eles liberassem grana pras comunidades que ela cuidava. Pegou no pé de meus avós por parte de pai e de mãe, assim como pegou no pé de grande parte da elite baiana. Sempre conseguia o que pedia. Sempre doente, nunca esmorecia.

Nem me interessa se os milagres atribuídos a ela são reais ou não. A história dela já é um milagre.

Eu, ateu, tenho uma imagem de São Francisco de Assis em minha casa. Não rezo pra ele, nem acredito que ele vá me dar nada. A imagem está ali para lembrar de um exemplo de vida a ser seguido. Agora, haverá uma foto de Dulce dos Pobres, a incansável, nascida na Bahia de Todos os Santos.

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