Zygmunt Bauman influencia música do Scalene



Por Trovoa Comunicação

“Dentro de cada universo, cada um enxerga e sente com seu cada qual”, canta Gustavo Bertoni. O trecho citado é de “esc (caverna digital)”, faixa que integra o disco magnetite (slap), lançado pela banda Scalene em 2017. 

Ao longo da canção, são abordados os desafios da comunicação entre as pessoas, tendo a velocidade das informações e os meios por quais elas circulam como pontos cruciais no resultado do entendimento e da interpretação das mesmas. A música acaba de ganhar um videoclipe dirigido por Cupa.

Desde que começou a pensar em um registro audiovisual para “esc (caverna digital)”, o diretor optou por não seguir uma linha narrativa linear com um começo, um meio e um fim. O clipe traz histórias que acabam se entrelaçando com a perspectiva do VR (realidade virtual). 


Outra escolha do diretor foi a de fazer todas as imagens em ambientes internos. “Isso passa a intimidade dos personagens, porque, quando estamos na rua (e expostos), acabamos vivendo um personagem social”, explica Cupa. “Ali, é como se ninguém estivesse vendo”, resume.

Tanto a sonoridade quanto as palavras escolhidas para compor “esc (caverna digital)” contrastam com o discurso de “tempos modernos” presente na canção, que busca ainda referências nos conceitos de dissonância cognitiva e de modernidade liquida, desenvolvidos, respectivamente, pelo americano Leon Festinger e pelo polonês Zygmunt Bauman.

“A dissonância cognitiva e a maneira superficial como nos informamos e nos comunicamos pelas mídias sociais ajudam na polarização e na falta de compreensão com diferentes universos e contextos”, diz Tomás Bertoni. “O refrão da música resume: ‘me faz lembrar onde estamos, digitalmente perdidos’”, completa.

“esc (caverna digital)” é uma faixa do disco magnetite (slap), lançado por Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo) e Philipe “Mkk” Nogueira (bateria) em 2017.

INDICAÇÃO DE LIVROS DE BAUMAN PARA COMPRA

"Modernidade Líquida"


A modernidade imediata é "leve", "líquida", "fluida" e infinitamente mais dinâmica que a modernidade "sólida" que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. 

Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política. 

Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política. (Texto da Amazon)

"Tempos Líquidos"


Uma reflexão profunda sobre a insegurança, sobretudo nas grandes cidades. Terrorismo, desemprego, solidão – fenômenos típicos de uma era na qual, para Bauman, a exclusão e a desintegração da solidariedade expõem o homem aos seus temores mais graves. 

Tempos líquidos mostra como as cidades, que originalmente foram construídas para fornecer proteção ao cidadão, se tornaram um ambiente inseguro. "As ideias de Bauman são fortes. 

O mundo contemporâneo está, de fato, infestado de emoções fluidas, que transformam a vida numa experiência rápida e sem profundidade – como se viver fosse deslizar sobre as águas de uma piscina." José Castello, O Globo. (Texto da Amazon)

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