Lenny Kravitz em São Paulo - 2005

Foto: EFE


Por AD Luna

Originalmente publicado em 18/03/2005, no Showlivre.com

Cerca de 22 mil pessoas compareceram ao show de Lenny Kravitz, na noite desta quinta-feira (17/03/2005), no Pacaembu, em São Paulo. Divulgado pela produção do evento, o número de seres humanos presentes ao segundo show da turnê brasileira do cantor norte-americano, apesar de expressivo (ainda que duvidoso), deixou enormes clarões no estádio.

Tal fato causou a sensação de certa falta de quorum em se tratando de um artista que vendeu milhares de discos no Brasil, pode ser visto e ouvido com freqüência na MTV, trilhas de novela e rádios rock do país. Bandas com menos apelo de mídia como Rush e Iron Maiden conseguiram arrastar bem mais gente ao estádio em suas últimas apresentações no local.

Talvez a escolha de um lugar menor (casas como a Via Funchal ou Credicard Hall) e outro arranjo na disposição do repertório tivesse contribuído para quebrar o gelo que tomou conta do show do músico em alguns momentos. Não foi um show ruim, de maneira alguma. As músicas são boas, pegajosas, o rapaz tem carisma, a banda é excelente, mas faltou alguma coisa para a apresentação ser realmente deslumbrante.

Iniciar o concerto com canções pouco conhecidos dos álbuns Baptism (mais recente) e 5 não foi uma boa idéia. A audiência até esboçou alguma reação, mas não entrou de cabeça. Do início ao fim do show, momentos de empolgação e certa apatia foram se alternando. O negócio realmente pegava fogo quando a banda atacava com hits como “Fly away”, a versão de “American woman”, “Are gonna go my way”, “Again”, “It ain't over til it's over”. Outros hits do cantor como “Rock and roll is dead”, “Mr. Cab Driver”, “I belong to you”, e “If you can´t say no” ficaram de fora.

Hard funk and roll - Lenny Kravitz trouxe uma estrutura simples, porém funcional para os shows no Brasil. Nada de cenários pomposos, apenas um letreiro luminoso com o LK atrás da bateria e uma iluminação perfeita. Os integrantes trajavam roupas anos 1970, num misto de Motown (tradicional gravadora de funk e soul americana) e rock ´n´ roll. Uma mistura, aliás, bem coerente com a escolha dos músicos de Kravitz e com as características do seu som.

O lado “black” do rock de Kravitz é mais evidente. Tanto que dos dez membros do seu conjunto, seis eram negros e até os sons mais pesados apresentados pelo compositor norte-americano são altamente dançáveis. Solos de guitarra e metais, riffs a la Led Zeppelin, levadas funkeadas de bateria e baixo, vocalizações de apoio calcadas na soul music convivem pacificamente em sua música.

O hard funk and roll de Lenny Kravitz deve funcionar melhor no show do Rio de Janeiro, que acontece na praia de Copacabana, no dia 21 de março. Lá, o clima de praia deve favorecer seu estilo dançante e o público deverá ser muito maior, já que a entrada será gratuita.

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