Conheça a música de Arquétipo Rafa


Capa do EP Ode ao óbvio foi criada por Laís Rodrigues

Por Rebeca Gouveia
rebeca.jornalismo@gmail.com

Ode ao Óbvio, porque mesmo na cara as pessoas ainda não percebem, não enxergam. Então, precisa-se escrever, pensar, discutir e cantar coisas, que mesmo parecendo às vezes tão óbvias, não são. É com esse mote, que Rafa - ou Arquétipo Rafa em seu processo criativo - lança seu primeiro disco intitulado Ode ao Óbvio e joga no mundo questões sociais que ainda se arrastam e merecem ser bastante discutidas, como corrupção, machismo e algumas outras.

Nesse trabalho, que é puramente reflexivo e contemplativo, Rafa expõe suas inquietudes em uma retórica criativa e cheia de malemolência. Se apresenta bem na cadência do samba e se joga na psicodelia com classe e estilo, garantindo uma inteira harmonia da sua obra. 

O lançamento desse trabalho se dá de forma inovadora, com quatro faixas, Rafa apresentou uma por semana, durante todo o mês de maio. O resultado final é um álbum mastigado, cheio de ideias e inquietação para serem digeridos. 

Hoje, Rafa jogou no mundo a música 'Geral dos Campos', que aborda o tema Política no Recife. Até agora estão nas plataformas digitais as músicas 'Formigueiro', 'Um brinde!' e 'A Porta', que completam esse trabalho - Ode ao Óbvio.

O disco conta com todas as faixas autorais, que duraram uma gestação de 03 anos para nascer. O resultado é um trabalho amadurecido, atual e que mostra que durante o período de criação, pouco ou nada se mudou.

“O conteúdo do disco pode ser facilmente adaptável para os dias em que estamos. Espero que um dia, esses assuntos estejam datados. Que sejamos tão evoluídos socialmente que nem precisaremos colocar em pauta estas questões do disco. Mas por enquanto, a gente ainda precisa conversar muito sobre tudo isso, até que o sentimento de empatia entre na cabeça de todos”, explicou Rafa.

Ode ao Óbvio é assim o desejo de clareza ao bem comum. É nele, que Rafa se deleita em questões como o Machismo e se posiciona com humildade ao reconhecer esse problema e a sua urgência de mudança. O uso de drogas, lícitas e ilícitas, também o incomodam, uma vez que as críticas às drogas vêm diretamente de pessoas que também as consomem, mas de forma ‘legal’. O que coloca em xeque o atual modelo de política sobre drogas do país. A liberdade do ser, que pulsa, seja quem quiser ser. Deleite-se e questione-se.

Ouça o EP Ode ao óbvio


Arquétipo Rafa é um modelo do inconsciente. É quando o eu artístico de Rafa se manifesta, na maioria das vezes, nos momentos de "embriaguez de sono", onde ele encontra seu momento de mais criatividade e admite que “A melhor forma de se expressar é aquela que a gente se abstém de roteiro e direcionamento”.

Obra e Autor

O disco começou a ser produzido em 2015, em Recife/PE, mas as gravações só começaram em 2016. As músicas nasceram e amadureceram junto com Rafa, em processo bem íntimo sobre o seu momento. Em Recife, Rafa observava a cidade e sua sociedade e refletia sobre questões que pareciam ser óbvias, mas só pareceriam. A verdade, é que ainda se precisava muito discutir sobre direitos iguais, liberdade de expressão, uso do espaço urbano, machismo, entre outros assuntos, porque se notou que o que se falta é empatia. 

Rafa se mudou para São Paulo e passados três anos, observou que pouco ou nada mudou sobre a sua cidade Recife, como também observou semelhanças bruscas dos seus questionamentos com sua cidade radicada. 

A empatia para lidar com assuntos corriqueiros deu lugar a um cenário de guerra, onde a paz está fugindo ao óbvio. E foi daí, que nasceu o nome do disco, que é um desejo de clareza ao bem comum.

Capa do Disco

A capa do disco foi criada pela fotógrafa pernambucana Laís Domingues, um retrato da repressão com um bordado. A foto foi selecionada por Laís por representar um menina vendada dentro uma caixa, onde ela pensa a caixa ser o mundo e a menina, a sociedade de uma maneira geral, onde as pessoas não sabem o que de fato acontecem em torno do mundo. O bordado na fotografia é uma referência de Laís, em suas obras. 

Faixa a Faixa

Formigueiro – Retrata o momento de transição que Rafa chegou em São Paulo. Ele observou que os problemas sociais se repetem em escalas diferentes ao redor do país.

Um Brinde – Aborda a política de drogas no país, sobre uma sociedade hipócrita que se entope de drogas líticas e julga quem consome as ilícitas. Essa música também homenageia os grandes músicos que morreram de overdose aos 27 anos.

A Porta – Essa música é uma forma de admitir o machismo existente, enraizado, cultural, mas que precisa ser pautado e mudado com urgência. 

Geral dos Campos – A faixa denuncia as recentes manobras políticas que aconteceram no estado de Pernambuco e no resto do Brasil nos últimos 4 anos.



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