Obama, Hugo Chávez, satanismo, islamismo e a paranoia antissocialista


Obama e Chávez, em 2009. Foto: Jim Watson, AFP/Getty Images

Por AD Luna

Durante a gestão do presidente Barack Obama à frente dos Estados Unidos, diversos relatos tentaram imputar a ele, e até mesmo à sua esposa, Michelle, ligações com o socialismo, comunismo e satanismo. Parece loucura? Não para norte-americanos que ainda vivem sob o medo de ir dormir e acordar em uma versão bem mais sombria e demôníaca da antiga União Soviética . 

São histórias alimentadas pela direita política e religiosa daquela nação, que encontram semelhanças com as tentativas de alas do conservadorismo brasileiro de denunciar a instalação progressiva ou imediata de um "golpe comunista-bolivariano" por essas bandas.

Em fevereiro de 2008, cidadãos americanos receberam e-mails informando que o falecido líder da Venezuela teria financiado campanha do hoje ex-presidente Obama. A lenda ganhou contornos de seriedade a partir de reportagem de uma afiliada da rede conservadora de TV Fox News, na cidade de Houston.

A emissora capturou imagens do que seria um escritório de campanha de Obama, enfeitado com bandeiras de Cuba, com o rosto do guerrilheiro cubano Che Guevara.

Aparentemente, alguém confundiu a foto de Che com a de Hugo Chávez. Na pressa de denunciar a "ameaça" comunista, espalhou e-mails pelo país afirmando ter visto reportagem da Fox que mostrava escritório da campanha de Obama ostentando bandeiras de Cuba e retratos do então presidente Chávez. Uma espécie de confusão dentro da confusão.

Devido à crescente repercussão do caso, a direção central da campanha de Barack Obama divulgou nota na qual esclarecia a situação. O ponto, na verdade, não fazia parte do conjunto de escritórios oficiais. Era uma estrutura montada por voluntários simpatizantes do então senador e candidato democrata à presidência dos Estados Unidos.

O texto afirmava ainda que os símbolos ali dispostos não representavam o pensamento de Obama e terminava informando que, em relação à ilha outrora governada por Fidel Castro, a visão política de Barack estava baseada em apenas um princípio: "liberdade para o povo cubano". O caso pode ser averiguado no site Snopes.com, que investiga possíveis notícias falsas nos EUA.

OBAMA ANTICRISTO E MICHELLE OBAMA COMUNISTA

Outras lendas do folclore político americano ligadas ao primeiro presidente negro dos Estados Unidos:

- Obama seria filho do líder negro e muçulmano Malcom X;

- Em visita à China, Michelle Obama teria balançado bandeirinhas comunistas e se divertido com isso (na verdade, ela estava empunhando flâmulas de uma trupe artística daquele país);

- Haveria mensagens satânicas ocultas em discursos de Obama. Para identificá-las, seria precisa rodar as falas ao contrário;

- Obama seria o anticristo.

Curiosamente, tanto nos EUA quanto no Brasil, relatos sensacionalistas, distorcidos e que tentam transformar adversários políticos em terroristas, inimigos da pátria, da família cristã e afins, sempre ressurgem quando alas mais conservadoras da sociedade parecem se sentir ameaçadas.

PARA LER

"A ponte - vida e ascensão de Barack Obama" 
por David Remnick



A ponte é a mais completa biografia já escrita sobre Barack Obama. Através de centenas de entrevistas e uma cuidadosa reconstituição biográfica e histórica, o jornalista David Remnick empreendeu uma viagem às raízes do presidente americano, refazendo os passos de sua educação “política, racial e sentimental”. A investigação começa pela vasta e intrincada árvore genealógica de Obama.

Filho de um queniano ausente e de uma inquieta e idealista norte-americana do Kansas, ele teve uma juventude atribulada, dividida entre o Havaí e a Indonésia e marcada por um conflito constante com relação à própria raça e identidade. Educado pela mãe e pelos avós maternos, Obama teve que “reivindicar” as próprias raízes, dando início a um processo de autoconhecimento que culminou no livro A origem dos meus sonhos.

A ponte mostra o início do engajamento de Obama nas ruas de Chicago, para onde se mudou e trabalhou como organizador comunitário; a paixão pelo basquete e pela literatura; a passagem brilhante pela faculdade de direito de Harvard, onde se tornou o primeiro afro-americano a editar a Harvard Law Review; a volta a Chicago, onde conheceu a esposa Michelle e deu início à carreira política.

Com um discurso moderno e uma assombrosa capacidade de conciliação e diálogo, Obama foi reunindo em torno de si uma rede de apoio cada vez maior e mais heterogênea, em uma escalada que não demorou a levá-lo ao senado americano. Remnick dá atenção especial ao processo que levou Obama do senado à presidência.

Serão produzidas, diariamente, dez viorreportagens diárias sobre o Carnaval, com mínimo de dois e máximo de cinco minutos. Os formatos irão variar, podendo ser apresentadas entrevistas e trechos de shows de artistas e reportagens sobre bastidores, histórias e curiosidades sobre a festa. (Texto da Amazon)

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