Lara Klaus, Lady Laay + Triinca, Maciel Salú, Joana Knobbe e Fernandes no Interdependente

Capa de "Força do gesto", de Lara Klaus.

Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Força do gesto é o nome do primeiro disco solo de Lara Klaus. Na edição #34 do Interdependente - música e conhecimento, o primeiro bloco do programa foi dedicado inteiro à percussionista, cantora e compositora. Além a faixa-título, tocamos Pedra, Amor folião e Relento, com comentários da artista. Lara também falou um pouco sobre o início da carreira e de quem ela já tocou. Fernandes, Joana Knobbe, Lady Laay + Triinca e ZMusique são as atrações do segundo bloco. Cada artista contou detalhes das suas respectivas produções.

Lara Klaus começou a estudar música aos 8 anos, incentivada pela família. Inicialmente, ela começou a ter aulas de teclado e violão. Aos 12, ganhou a primeira bateria, presenteada pelo pai. Passou pelo Conservatório Pernambucano de Música, onde estudou bateria com o lendário Mauricio Chiappetta - professor de grandes bateristas de Pernambuco. A partir daí, o interesse por outros instrumentos percussivos foi crescendo. Ela fez ainda licenciatura em música, na UFPE, e se tornou musicoterapia.

Aos 17, Lara integrou uma banda de reggae, com a qual tocava guitarra. Pouco depois, já estava tocando percussão nas bandas de André Rio, Nena Queiroga e Josildo Sá. Com Elba Ramalho, Lara participou de turnês tocando percussão e fazendo vocais de apoio. Subiu ainda aos palcos com Moraes Moreira e Roberto Menescal. "Tudo isso foi, realmente, uma influência muito grande pra mim. E um grande incentivo para que eu começasse a trabalhar nas minhas próprias ideias", conta.

Lara Klaus também integra a banda internacional Ladama, cuja formação se completa com Sara Lucas (Estados Unidos), María González (Venezuela) e Daniela Serna (Colômbia). Abaixo, dois vídeos do grupo.




Artistas falam sobre músicas tocadas no Interdependente #34

Maciel Salú 

"Liberdade é a música que dá nome a meu novo disco. Ela surgiu por conta de alguns preconceitos que passei, quando era pequeno, também por ser artista de cultura popular. É também baseada em Nelson Mandela, o homem que lutou pela igualdade do povo negro. E a gente sabe que até hoje existe muito racismo. Principalmente quando o artista é filho de pessoas negras, pobres, de periferia, de favela, muitas pessoas só veem a reconhê-lo quando fica famoso. Isso tem que acabar, a gente tem que aprender a valorizar o talento de cada artista. Seja na música, artes plásticas, seja em qualquer profissão".

Fernandes

"Quem disse tem uma característica mais puxada para o brega rock, pra um bolero. O disco [Bonanza] ao todo contém 11 faixas e cada uma conta uma história, permeia um roteiro. Juntas elas contam uma história maior, que fala sobre o conceito do disco: 'após a tempestade, vem a bonanza'.  trabalho coletivo e repleto de participações especiais. A gente tem Jr Tostói, que além de coproduzir o trabalho comigo, participa gravando as guitarras e mixando parte do disco. Eduardo Marinho, que um poeta, filósofo de rua, lá do Rio de Janeiro. Manduca Bandini, que é cantor, compositor, instrumentista e tem um trabalho muito massa. Neilton Carvalho [guitarrista da Devotos] que assina todo o projeto gráfico do disco, junto com Robson Nunes, que fez a diagramação do projeto".

Joana Knobbe

Cantora e compositora paulista atualmente morando no Recife, comenta o single Peixe lunar, gravado em Porto Alegre, em versão gravada e distribuída pela Loop Discos, dentro do projeto Loop Sessions.

"Nela brinco com os timbres dos teclados e sintetizador para construir uma pegada eletrônica um pouquinho diferente. O tempo da música é um pouco mais complexo do que a gente constuma ouvir. A letra e a melodia foram inspiradas no tipo de personalidade do signo de Peixes - que são aquelas pessoas geralmente viajonas, mas que são bem leves e bastante misteriosas. Daí veio essa ideia de fazer uma pegada mais psicodélica".

ZMusique

Os dentes de Berenice é uma música da banda recifense Academia do Medo, dos anos 1990. Agora ela aparece em nova roupagem, pelas mãos do grupo Zmusique, também da capital pernambucana. O vocalista Cotias, que integrou a Academia, fala sobre a música

"Nós fizemos uma regravação, com um novo arranjo. Colocamos uma batida mais bossa nova, de samba, colocamos uma guitarra mais pop, som de teclado Fender [Rhodes] e os arranjos de metais ficaram a cargo do Duda Oliveira. Essa letra foi inspirada no Edgar Allan Poe, no conto Berenice e está no nosso segundo EP, Antes do elétrico".

Lady Laay + Triinca

Não desista é o título da música da rapper pernambucana Lady Laay, com participação da banda Triinca. A canção foi composta por ela e Darc Cintra, cantora da Triinca, e trata de assuntos bem presentes no nosso cotidiano: depressão e suicídio.

"Mais do que abordar, mais do que falar que não era frescura, a gente quis principalmente para pessoas que têm problemas para não desistir da vida. A gente percebe é que pessoas que tentam o suicídio, que o concretizam, na verdade não queriam dar fim à vida, mas à dor, ao sofrimento, ao sentimento de tristeza que estavam passando, sabe? É uma sensação de dor insuportável e que você não vê perspectiva de que aquilo vai passar. Então a gente queria passar a visão de que, enquanto você respirar, você existir, há sim possibilidade daquilo passar. E a única forma de resolver esse problema é resistindo, porque a cura está dentro de si mesma. Você tem que buscar força dentro de si".

Ouça o programa na íntegra

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