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| Foto: UCIS Guilherme Abath/Prefeitura do Recife/Divulgação |
Por AD Luna
ad.luna@gmail.com
A professora Ana Branco, do departamento de artes e design da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas em torno do chamado “desenho vivo”. Materiais prontos para o uso na natureza (bambu, terra, hortaliças e sementes) e encontrados em diversos ecossistemas são usados no experimento. A pesquisadora costuma montar no campus da PUC, praças públicas de capitais e cidades do interior tendas com mesas, ferramentas e utensílios com quais são realizadas a prática da arte do desenho vivo.
Com ampla e animada participação da população, nesses laboratórios/ateliês ao ar livre são construídas mandalas (figuras organizadas ao redor de um centro, comuns na cultura oriental) com o uso de pedaços e pigmentos de frutas e hortaliças, extraídos por meio de raladores, como abacate, banana, cenoura, batata, inhame, jerimum, entre muitos outros vegetais orgânicos e frescos. O contato com a consistência das substâncias naturalmente coloridas, seus cheiros, o processo de criação dos desenhos e a integração entre as pessoas proporcionam momentos de satisfação e prazer. “Todo o corpo, todos os sentidos vivenciam o fenômeno estético”, explica Ana Branco.
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| Crepe de Maracujá. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação |
Para entender melhor, tente observar os gostos que distinguem uma cenoura cortada em rodelas de uma servida ralada. A diferença é sutil, mas é possível ser identificada.
Assim como Ana Branco, o médico cirurgião, com doutorado em Medicina pela Ludwig Maximilians Universitat Muenchen (Munique, Alemanha), Alberto Peribanez Gonzalez, cuja clínica está sediada em Campos do Jordão (SP), é outro destacado percursor da alimentação crudívera no Brasil.
Ele é autor do livro Lugar de médico é na cozinha: cura e saúde pela alimentação viva (editora Alaúde), no qual defende esse tipo de dieta com embasamento científico e dá dicas de diversas e interessantes receitas. Entre elas, patê de girassol, chocolate de abacate, salada de ervas daninhas, leite de nozes e caldeirada de frutos do “mato”.
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| Trufas de cacau. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação |
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| Delícia de abacaxi. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação |
Como se sabe, o embate entre os que defendem a alimentação vegetariana e a carnívora é bastante controverso. Nos dois lados, encontramos profissionais de saúde com respeitáveis títulos acadêmicos e argumentos afiadíssimos. Qual o melhor caminho a seguir?
Logicamente, Peribanez defende seu ponto de vista e diz existir na maior parte das universidades, nas áreas de nutrição, medicina e agronomia, uma grade curricular ortodoxa e cristalizada. “Mais que uma ementa de matérias ou um protocolo de procedimentos e rotinas, é uma verdadeira grade mental. Tudo aquilo que desafia o poder econômico da indústria de remédios, de agrotóxicos e de alimentos industrializados é desprezado, ridicularizado e considerado ‘anticientífico’”, critica.
Veganismo e alimentação viva em Pernambuco
Logicamente, Peribanez defende seu ponto de vista e diz existir na maior parte das universidades, nas áreas de nutrição, medicina e agronomia, uma grade curricular ortodoxa e cristalizada. “Mais que uma ementa de matérias ou um protocolo de procedimentos e rotinas, é uma verdadeira grade mental. Tudo aquilo que desafia o poder econômico da indústria de remédios, de agrotóxicos e de alimentos industrializados é desprezado, ridicularizado e considerado ‘anticientífico’”, critica.
Veganismo e alimentação viva em Pernambuco
No Recife, cidadãos (e, principalmente, cidadãs) de baixa renda usufruem das experiências gastronômicas e estéticas da alimentação viva por meio de cursos oferecidos na Unidade de Cuidados Integrais à Saúde Prof. Guilherme Abath, mantida pela prefeitura e localizada no bairro do Torreão. A iniciativa partiu da nutricionista paranaense Thaísa Santos Navolar, que trocou o frio curitibano pelo calor recifense.
Ela ressalta o grande interesse das pessoas pelas receitas e da alegria de participar da preparação dos alimentos, a qual inclui atividades lúdicas como cantos e danças. Interessante também o modo como elas resolveram o dilema descrito anteriormente nesta reportagem: a alimentação viva é integrada à dieta regular, aquela com feijão e arroz cozidos, e carnes.
Ela ressalta o grande interesse das pessoas pelas receitas e da alegria de participar da preparação dos alimentos, a qual inclui atividades lúdicas como cantos e danças. Interessante também o modo como elas resolveram o dilema descrito anteriormente nesta reportagem: a alimentação viva é integrada à dieta regular, aquela com feijão e arroz cozidos, e carnes.
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| Sushis variados de legumes, frutas e pastas de amêndoas. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação |
Colega de profissão e assistente de Thaísa Santos, a pernambucana Shirley Montenegro defende a atividade de preparo da alimentação viva como uma maneira divertida e participativa de se promover saúde. “As pessoas se encantam, mexe com a vida e a autoestima delas”. A professora Josely Martins, 47 anos, confirma as palavras da nutricionista Shirley. “Para mim, a mudança foi radical. Estou mais pacífica, mais tranquila para enfrentar turbulências”, festeja.
Assim como a professora Josely, a terapeuta Ana Vasconcelos diz ter passado por notáveis e positivas transformações ao adotar a alimentação viva. . “As pessoas não pensam muito nisso, mas alimentação saudável vai além do aspecto físico: ela também pode nos proporcionar bem-estar emocional e espiritual, além de clareza mental”.
Depois de anos sofrendo com doenças não curadas por meio da medicina convencional, mudou a dieta e foi obter mais informações sobre a culinária crudista nos Estados Unidos. Lá, fez cursos com a Dra. Ann Wigmore e o Dr. Gabriel Cousens, dois destacados pesquisadores do assunto e resolveu aplicar e divulgar os conhecimentos obtidos na criação e manutenção do Centro Verde Vida.
Depois de anos sofrendo com doenças não curadas por meio da medicina convencional, mudou a dieta e foi obter mais informações sobre a culinária crudista nos Estados Unidos. Lá, fez cursos com a Dra. Ann Wigmore e o Dr. Gabriel Cousens, dois destacados pesquisadores do assunto e resolveu aplicar e divulgar os conhecimentos obtidos na criação e manutenção do Centro Verde Vida.
Localizado no Vale do Catimbau, em Buíque, interior de Pernambuco, o espaço oferece cursos durante fins de semana e feriados prolongados onde os alunos realizam atividades teóricas e práticas relacionadas à alimentação viva. A beleza e a tranquilidade do local devem amplificar todas as experiências sensoriais e estéticas envolvidas no processo.
SAIBA MAIS
RECEITAS
MANDALAS DE FRUTAS
Ingredientes: uma manga, meio mamão formosa, um abacate, meio abacaxi, três goiabas, dez bananas, três colheres de sopa de girassol descascado germinado, duas colheres de sopa de uva passa, canela e limão, frutas para enfeitar: carambola, uva etc.
Modo de fazer
Bater no liquidificador (sem água): um creme de manga (não precisa coar), um creme de abacaxi com goiaba (coar no coador furadinho), um creme de abacate com limão, creme de banana (sem água). Fatiar as carambolas e as uvas. Misturar o girassol sem casca germinado, passas, limão e canela (granola viva). Desenhe sua mandala e bom apetite!
SUCO DE CLOROFILA
Ingredientes: maçãs (duas por pessoa), folhas diversas, semente germinada (um punhado por pessoa). Uso de pepino, cenoura ou jerimum é opcional.
Modo de fazer
Bata no liquidificador as maçãs sem sementes e coe. Não precisa colocar água, basta prensar as maçãs, o que pode ser feito com um biossocador (cenoura, pepino, etc). Devolva o suco ao liquidificador, acrescente as folhas verdes e um punhado de sementes germinadas. Coe novamente no coador de pano para retirar as fibras, pois, desse modo, a clorofila pode ser melhor absorvida. Folhas recomendadas: couve, chicória, folha de cenoura, beterraba, abóbora, serralha, grama de trigo, hortelã, ervadoce, salsinha.
TORTA SALGADA DE MAÇÃ
Misturar a polpa da maçã (resíduo que foi coado no suco de clorofila) com cebola picada, tempero verde, açafrão, sal, azeite e limão. Montar em uma travessa. Recheio: gergelim preto germinado, chuchu e jerimum ralados, temperado com azeite, sal e tempero verde.
(Atualização de matéria, originalmente, publicada no Jornal do Commercio, em maio de 2011)
(Atualização de matéria, originalmente, publicada no Jornal do Commercio, em maio de 2011)




