Campari, The Kills e os roqueirinhos da mamãe


Publicado, originalmente, no Showlivre.com, em agosto de 2005

Gritos histéricos, punhos energicamente erguidos ao vento, gente descontraída, pulando, gritando loucamente e com sorrisos de satisfação diante das atrações do primeiro dia do Campari Rock. Clima de diversão e animação típicos de um show de rock básico e de festas movidas à música eletrônica. Pena que isso, na verdade, quase não se viu na sexta (12/08), na Fábrica da Lapa, zona oeste de São Paulo.

Em noite de platéia apática e ar blasé, a bombástica dupla The Kills fez jus a sua posição de atração principal. O casal formado por Jamie Hince (Hotel) e Alison Mosshart (VV) impressionou e - incrível - conseguiu empolgar parte da audiência de plástico. A movimentação, as caras e bocas, a tensão sexual e os posicionamentos estratégicos os agigantam no palco. Algo como um Devo reduzido e sexy.

Mas a eficiência não pára nos aspectos performáticos. O fato de o grupo contar apenas com uma guitarra (às vezes, duas) e ser acompanhado por uma bateria programada gera uma certa desconfiança inicial. Mas ela é logo quebrada pelo efeito hipnótico das batidas apoiadas pelas levadas rítmicas e inventivas do guitarrista Hince, que tem um jeito bem particular de tocar. Muitas vezes sem palheta e tirando diversos sons do seu instrumento.

Aliás, aproveitando o ensejo, tenho que discordar do que um colega escreveu em jornal de Sampa. Ele dissera que o tal "novo" rock tinha como característica a "tosquidão" das gravações. Muito pelo contrário.

Certamente, músicos e produtores de discos de grupos como Strokes, Franz Ferdinand, LCD Soundsystem, Yeah Yeah Yeahs devem passar horas ou semanas experimentando novos timbres e cores para causar aquela sensação agradável que milhões de pessoas sentem, mas não sabem explicar o porquê ao ouvir os discos desses artistas.

O aspecto minimalista da formação do Kills fez com que o show deles não fosse tão prejudicado pela péssima acústica do local. Fato que não aconteceu com o Apside, da Califórnia, e o Jumbo Elektro, de São Paulo. O show do Jumbo não foi ruim, mas não foi dos melhores. A execução foi perfeita - todos são ótimos músicos -, mas aquela explosão tão característica das apresentações da banda não rolou. Provavelmente, foi um dos prejudicados pela desorganização durante a passagem de som.

O Cansei de Ser Sexy foi fraco e até constrangedor. Mas pode ser que o tempo os tornem melhores. E não tô falando do agora discurso-clichê em torno delas, o de tocar bem ou não...

No próximo ano, os organizadores do super bem-vindo Campari poderiam pensar em estender a programação para locais tradicionais em se tratando de rock, mas que não são considerados "hype". Seria interessante comparar as reações do público que passou pelo festival com aquele que freqüenta o Hangar 110, por exemplo.

Assim, fica todo mundo feliz: os rockers "manos" e os rockers de butique, com seus cabelinhos meticulosamente desgrenhados e a ilusão de que a Rua Augusta (toda arrumadinha, servida por cinemas, bares, padarias, restaurantes, transporte, farmácias e bem policiada) é um lugar underground. Alguém já ouviu falar em Heliopólis, São Paulo, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, ou o bairro do Ibura, em Recife?

Comentários

  1. Roqueirinhos da mamãe..rs..Melhor q essa definição, só os rockers manos!
    Bjão!

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  2. falar oq né... roqueiro bebe campari, pra mim eles fossem adeptos de cerva, vinho, cachaça e etc, mas Campari? vixe... bom de toda forma otima materia, otimo texto e tudo mais... abraços e podendo... www.claytonbotelho.blogspot.com - só greia!!!!
    Fui-me!

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