Alceu Valença utiliza sonhos como ferramentas de criação artística

Alceu Valença, o sonhador. Foto: divulgação
Na literatura, Alceu cita como marcantes obras de Gilberto Freyre, a exemplo de Açucar e Nordestes


Morena tropicana, Anunciação, Coração bobo, La belle de jour, Estação da luz, Leque moleque, Girassol. Esses são alguns dos sucessos que tornaram o cantor, compositor, escritor, poeta e cineasta Alceu Valença famoso no Brasil inteiro. Ele nasceu em primeiro de julho de 1946, na cidade de São Bento do Una, em Pernambuco, e tem se mostrado disposto a trabalhar por outros bons anos.

Quando criança, Alceu costumava ouvir canções no rádio, meio pelo qual conheceu as belas e cativantes vozes de Dalva de Oliveira, Orlando Silva e a fúria dos primeiros nomes do rock´n´roll e soul norte-americanos. Outras influências, presentes em suas músicas, são ritmos nordestinos como coco, frevo, maracatu, baião, repente e ciranda.

Na literatura, Alceu já citou como marcantes obras de Gilberto Freyre, a exemplo de Açucar e Nordestes, as quais leu quando passou um período de auto-exílio morando em Paris. De acordo com ele, essas obras o ajudaram a compreender com profundidade a sua própria identidade nordestina. De Rubem Braga, o artista destaca Ai de ti, Copacabana e O conde e o passarinho - esta ganhou citação na composição Na primeira manhã.

Alceu Valença também se baseia em sonhos para compor algumas de suas obras. Do álbum Leque moleque, o músico cita a canção Sonhei de cara, composta em parceria com Don Tronxo e Rubem Valença, a qual ele ele define como "uma espécie de amor onírico". Ouça a música e a letra, abaixo.


Outra inspiração onírica está em Anjo de fogo, a qual ele tem interpretado na recriação do show Vivo!, com repertório dos anos 1970. "Nesta letra, faço uma metáfora sobre o sonho de viver numa sociedade livre da opressão dos tempos da ditadura: 'Um anjo caolho que olhou os dois lados. Dormiu no presente, sonhou no passado. Olhou pro futuro e disse que não!'".


Durante o período de criação do filme A luneta do tempo, dirigido pelo próprio Alceu, a experiência onírica também o inspirou. "Sonhei diversas vezes com os personagens. Eles povoavam as minhas noites de sono... e as de insônia também", brinca o agora setentão.