"São João na rede" reúne mais de 200 artistas em 14 dias de shows online

Imagem de adaoaalves por Pixabay

Festival tem programação em 13 Estados e no DF; campanha arrecadará donativos para trabalhadores da cadeia produtiva do forró.

Ao menos duas centenas de artistas vão realizar o que já pode ser mensurado como um grande evento online que vai celebrar os festejos relacionados aos santos juninos. Diversos artistas de vários estados já foram confirmados,  mas o ‘Festival São João na Rede – o Forró que a gente gosta’, que começou no dia 12 de junho, terá 14 dias de uma programação com música, dança, oficinas, debates, poesia, rodas-de-conversa com mestres e mestras, além de muitas  outras atividades. Artistas de 14 estados brasileiros farão parte do evento.

O conteúdo voltado para a música regional nordestina confere ao evento uma significativa importância para o país, nessa época em que, as festividades juninas estão suspensas por causa da pandemia provocada pela COVID-19.

O Festival, então, tem dois grandes objetivos: oferecer uma grade de entretenimento com artistas regionais que levarão para dentro das casas o Forró que alimenta o tradicional São João; e criar um fundo solidário destinado a profissionais da cadeia produtiva do Forró que estão em situação de vulnerabilidade por causa do distanciamento social. Essas doações serão realizadas mediante o cadastramento de pessoas no site www.saojoaonarede.com.br e distribuídas através de uma plataforma online.

O ‘São João na Rede’ nasce do esforço conjunto entre Fórum Nacional Forró de Raiz (e suas representações estaduais), a Associação Cultural Balaio Nordeste e a Associação Respeita Januário, além de outras comunidades do Forró.

A ideia inicial para o Festival e o nome – ‘São João na Rede’ – partiram do coordenador do evento, artista e pesquisador, Climério de Oliveira: “A ideia é vincular o termo ‘rede’ à nossa tradicional rede de descanso nordestina, à rede de relações interestaduais e a de computadores chamada internet”, explica.

A ideia, imediatamente aceita, ganhou a simpatia de grandes astros da música, que entraram na campanha de divulgação do evento, a exemplo de Elba Ramalho, Gilberto Gil, Lucy Alves, Anastácia e outros que continuam usando suas redes sociais para mobilizar o público. O cantor e compositor Del Feliz, por exemplo, pôs à disposição da campanha de divulgação do evento a música ‘Pra gente se abraçar’. A partir dessa obra, o movimento desenvolveu um clipe que destaca a simbologia do abraço e que une artistas e público num clima de reencontro e solidariedade em meio à pandemia.

Como será a ação solidária?

O evento tem como um dos seus pilares o aspecto solidário. O público poderá realizar doações através de uma plataforma online de arrecadação (Sympla). Descontado o pagamento à plataforma de arrecadação, 80% dos recursos líquidos desse fundo emergencial serão destinados aos profissionais da cadeia produtiva do Forró que se encontram em situação vulnerável.

Os 20% restantes vão cobrir custos de produção e infraestrutura do evento. As pessoas que residem em um dos 14 estados que participam do festival e que pretendem receber o benefício devem preencher o formulário no site do evento – www.saojoaonarede.com.br – até o dia 30 de junho. Uma comissão de avaliação será formada para selecionar os que serão beneficiados.

Formato e transmissão 

Os diferenciais do Festival São João na Rede são a diversidade da programação, a solidariedade e a visibilidade dos artistas da cultura nordestina.  As apresentações musicais ocorrerão a noite, mas durante todo o dia serão exibidas oficinas de dança, de instrumentos musicais e de gastronomia regional, etc. Também haverá recitação de poesia/contos/causos, além de exibição de documentários e clipes. O evento contempla também as crianças, incluindo para estas contação de histórias, brincadeiras e oficinas (de dança, indumentárias, culinária).

Um dos quadros na programação se chama ‘Aprendendo com mestres e mestras do Forró’. “Esse quadro será com entrevistas e rodas de conversas, com esses mestres falando do seu ofício e sua trajetória”, diz Guilherme Veras.

Programação e logística do Festival foram pensadas e estão sendo montadas de maneira a atender recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para respeitar o distanciamento social.

Nesse sentido, grande parte do conteúdo do festival é gravado, por causa da própria dimensão do evento e para atender as normas de segurança sanitária.

Assim, as transmissões envolverão dois formatos: lives e gravações. Apresentações musicais são gravadas, mas os artistas estarão em lives, interagindo simultaneamente com o público nas redes sociais do Festival. O conteúdo será transmitido inicialmente pelo YouTube e, em seguida, pelas redes Instagram e Facebook.

Reforço da matriz cultural
Ao reunir diversos formatos de atrações e conteúdos desse universo cultural, o Festival reforça as matrizes tradicionais do Forró e dos festejos da época.

Atualmente, o Forró passa pelo processo de instrução técnica para o seu reconhecimento oficial como patrimônio cultural brasileiro por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E, nesse contexto, o festival também tem importante contribuição, porque expõe a diversidade que respalda uma dimensão multifacetada do Forró.

As localidades

Alguns estados terão um dia específico para a sua programação. Nesses locais, os coordenadores mobilizaram as suas comunidades do Forró, todas trabalhando de forma colaborativa para construir o evento.

Os dois primeiros dias do festival aconteceram dias 12 e 13/6, homenageando Santo Antônio. Depois, todas as datas serão entre 18 a 29, festejando São João e São Pedro. A organização em cada local ficou sob a orientação dos coordenadores estaduais do Fórum do Forró de Raiz.

O coordenador da Programa de Pós-Graduação em Música da UFPE, professor Carlos Sandroni, membro-fundador da Associação Respeita Januário, um dos entes realizadores do ‘São João na Rede’. “Estou entusiasmado com a dimensão tomada pelo evento. Será importante do ponto de vista do reforço cultural e, sobretudo, na ação solidária que está gerando”.

A diretora da Associação Cultural Balaio Nordeste, de João Pessoa (PB), Joana Alves, que também é coordenadora do Fórum Nacional do Forró de Raiz, considera o evento importante porque vai ocupar o espaço deixado vago pela ausência das festas juninas, que estão impossibilitadas: “É uma forma de mantermos essa comunidade de forrozeiros tradicionais mobilizada e com visibilidade”, explica.

Transmissões:

YouTube:

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