Pernambucano Zeca Viana lança novo disco, "Trëma"

Zeca Viana produziu o disco em casa. Foto: Kamila Ataíde

De seu home studio no Recife, o cantor Zeca Viana apresenta novas músicas com passeios etéreos sem perder a estética que marcou seus trabalhos anteriores

Por Jarmeson de Lima

Produzir música em casa se tornou, antes de tudo, uma necessidade prática de sobrevivência artística. É um momento de recriação de paradigmas, de construção de novos horizontes; éticos, estéticos e políticos. Neste sentido, chega no dia 31 de maio às plataformas de streaming, TRËMA, o quarto álbum solo do músico, produtor, professor e pesquisador pernambucano Zeca Viana. Com influências que passeiam pelo estado de sonho, sintetizadores e guitarras psicodélicas, o álbum flerta com elementos etéreos na construção de paisagens sonoras oníricas, reunindo canções inventivas e imagéticas. 

Desde o seu primeiro disco “Seres Invisíveis”, lançado em 2009 e indicado ao Aposta MTV e Melhores Discos Nacionais do TramaVirtual, o músico vem desenvolvendo uma linguagem bastante peculiar através da gravação caseira, se tornando hoje uma das referências da música lo-fi nacional. O presente trabalho surge como uma fenda criativa, uma inspiração para novas possibilidades; resultado de uma pesquisa sonora em processos artesanais de autoprodução realizado por Zeca durante mais de uma década. 

Como músico, produtor, radialista (com o programa Recife Lo-Fi na Frei Caneca FM), professor de Filosofia, doutorando e mestre em Sociologia da Música (UFPE), seu trabalho hoje se torna uma das referências do lo-fi nacional. TRËMA foi gravado, mixado e masterizado pelo próprio músico em seu home studio Recife Lo-Fi entre as madrugadas dos anos de 2017 e 2020.

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Ouça o disco na íntegra


Disco - A palavra trema, no grego antigo, significa abertura, fenda; na psicologia, é o humor delirante que precede o estranhamento do mundo como sintoma da esquizofrenia; no teatro é o sentimento que precede a entrada no palco, é o frio na barriga, é a apofania que arrebata o ator em seu personagem; na língua, é a diarese que altera o som de uma vogal. TRËMA é também um disco que se abre em um momento de ruptura, onde a arte e a música, mais do que nunca, nos une no horizonte humano.

O novo trabalho conta com participações especiais de Carol Pudenzi e Kamila Ataíde nos vocais e Igor Taborg nas flautas. São 10 faixas que passeiam pelo de forma despretensiosa pelo Dream Pop, Krautrock e Synth Pop, com letras que nos remetem aos poetas simbolistas em passagens de faixas como “Alquimista”, ‘Fata Morgana” e “Amigo Umbilical”. 

Desde o lançamento do seu primeiro álbum solo “Seres Invisíveis” em 2009, já se vão 11 anos. E neste período, mesmo trabalhando com outros projetos e sonoridades, a linguagem lo-fi permanece em TRËMA, mas alguns elementos novos se somam formando uma música bastante fílmica. As referências são muitas e formam um quadro espelhado de rizomas: Robin Guthrie, Wendy Carlos, Angelo Badalamenti, David Lynch, Daphne Oram, Eugene Kelly, Edgard Morin, Fellini, Nietzsche e Kraftwerk.

Biografia - Zeca Viana é doutorando e mestre em Sociologia da Música pela UFPE, bacharel e licenciado em Filosofia (UFPE), professor, pesquisador, músico, produtor independente e locutor do programa Recife Lo-Fi pela Frei Caneca FM. Desde a segunda metade dos anos 1990 já participou de diversos projetos entre eles a banda recifense Volver e a banda paulistana Labirinto com quem fez turnês pelos EUA e Canadá. Tendo residido por cinco anos em São Paulo, trabalhou com Paulo Barnabé da banda Patife Band e Próspero Albanese da banda Joelho de Porco. 

Em 2009 seu primeiro disco solo "Seres Invisíveis" foi indicado entre os três melhores discos nacionais pelo TRAMA VIRTUAL ao lado de nomes como Otto, Cidadão Instigado e Thiago Petit. Em 2011 foi indicado ao prêmio Aposta MTV. O músico já produziu diversas trilhas sonoras, entre elas a do filme Billi Pig, com tema para os personagens de Selton Mello e Grazi Massafera. Já tem três discos lançados, todos gravados, mixados e produzidos de forma artesanal, sendo hoje uma das referências do Lo-Fi nacional.  

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