Você sabe o que é distopia?



"O exterminador do futuro" é exemplo de filme distópico


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com


Em janeiro de 2016, a banda norte-americana de thrash metal Megadeth lançou seu álbum mais recente. "Dystopia" marou a estreia, em estúdio, do guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, que se licenciou do Angra para tocar no grupo liderado pelo também guitarrista e vocalista Dave Mustaine - o qual, inclusive, já integrou o Metallica. 

Tanto a capa quanto a faixa-título foram inspiradas no conceito de distopia. E o que é isso? Distopia é, basicamente, uma utopia negativa. Ela costuma ser representada em livros e filmes de ficção científica como tempos sombrios, marcados por desesperança e opressões. 

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A força e a tecnologia são usadas para sustentar regimes autoritários, comandados por governos, corporações privadas, instituições religiosas, grupos humanos, aliens malvados ou mesmo máquinas dotadas de consciência.


A origem da palavra é atribuída ao filósofo e economista John Stuart Mill. Ele a proferiu, em 1868, num discurso feito no Parlamento Britânico: "É, provavelmente, demasiado elogioso chamá-los utópicos. Deveriam em vez disso ser chamados dis-tópicos. O que é comumente chamado utopia é demasiado bom para ser praticável; mas o que eles parecem defender é demasiado mau para ser praticável".



Os cenários distópicos guardam relação com o mundo no qual vivemos, sendo que autores e roteiristas se utilizam de cenários futurísticos, universos paralelos.

Permeados por fortes cargas simbólicas, as distopias literárias, cinematográficas e televisivas apresentam dilemas morais e éticos; críticas sociais e políticas; discurso geralmente pessimista; violência; presença de autoridades e governos autoritários; situações limites.

A lista de livros, séries e filmes distópicos é enorme. Podemos citar, por exemplo, "The handmaid´s tale", "Mad Max", "O exterminador do futuro", "Robocop", "Blade runner", "1984", "Jogos vorazes", "O planeta dos macacos", "Admirável mundo novo", "The walking dead" e muitos outros.

Exemplos de filmes distópicos

"O planeta dos macacos"


"O exterminador do futuro"


"1984"


"Mad Max - a estra da fúria"



PARA LER

"O Conto da Aia" - por Margaret Atwood



Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. 

Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. (Texto da Amazon)

Um clássico moderno, o romance distópico de Aldous Huxley é incontornável para quem procura um dos exemplos mais marcantes da tematização de estados autoritários, ao lado de 1984, de George Orwell.

"Admirável mundo novo" - por Aldous Leonard Huxley



Ele mostra uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance Huxley.

Ao lado de 1984, que criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, na qual a racionalidade se tornou a nova religião, a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo. (Texto da Amazon)

"O planeta dos macacos" - por Pierre Boulle


Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie?

Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop. (Texto da Amazon)