Maciel Salu: paixão pela rabeca e cavalo marinho

"A rabeca é minha parceira de vida", diz Maciel Salu. Foto: Fred Jordão

Por AD Luna
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O rabequeiro, cantor e compositor Maciel Salu foi o convidado do Interdependente - música e conhecimento do sábado (23), na Universitária FM do Recife. Além do show que faz nesta segunda de Natal (25), na Casa da Rabeca, na Cidade Tabajara, em Olinda, às 20h. No mesmo local ocorre o  23º Encontro de Cavalo Marinho.

Ouça versão estendida do Interdependente com Maciel Salu

No programa, Salu falou sobre esse tradicional instrumento da cultura popular nordestina. Aproveitamos para resgatar uma fala do Mestre Grimário, do Cavalo Marinho Boi Pintado de Aliança (PE), realizada em 2004, em São Paulo, durante o Seminário de Cultura Popular, organizado pelo Raízes da Tradição. 

A apresentação toma como base todos os quatro discos solo de Salu e algumas do novo álbum, que ainda não foi lançado. "Tô tocando em casa. Um espaço criado pelo meu pai (Mestre Salustiano), que é um sítio, onde mora toda a família, e fazemos vários eventos lá. Encontro de cavalo marinho, de maracatu, de rabequeiros". 


Maciel se mostra orgulhoso por também tocar para vários mestres de cavalo marinho, manifestação popular que contribuiu para a difusão da rabeca, instrumento com a qual convive desde criança. Entre esses grandes professores, está o mestre Luiz Paixão, tema de reportagem da Revista Continente, em agosto de 2017. "A rabeca pra mim, é tudo. É minha parceira de vida. Foi através dela que comecei a compor minhas primeiras músicas, na Casa da Rabeca, debaixo do pé de manga", relembra.


Uma das primeiras músicas criadas naquele tempo foi E eu correndo atrás de tu, que era instrumento e entrou no repertório da Chão e Chinelo, banda da qual Maciel Salu fez parte. Depois vieram trabalhos com DJ e Orchestra Santa Massa e Orquestra Contemporânea de Olinda, grupos com os quais Maciel levou o som da rabeca para outros países.


Apesar de celebrado, Maciel Salu diz que tanto o cavalo marinho, em particular, quanto a cultura popular, em geral, vem passando por muita dificuldade. Para o músico, fala-se muito dela, aprende-se bastante com mestres, mas não existe valorização de fato. "A gente precisa olhar para nossa cultura, porque faz parte do nosso país. Tem história e é passada de geração para geração. Se a gente não tiver esse cuidado, ela terminando virando lenda folclórica".