O desenvolvimento da genética a partir das leis de Mendel [VÍDEO]



Por Juliana Freire - juliana.freire@embrapa.br 

Mostrar como as plantas podem passar determinadas características para seus descendentes. Esse foi o principal objetivo de Gregor Mendel, cientista que em 1866 publicou, pela primeira vez, os resultados de sua pesquisa com hibridização de ervilhas. “Pela base de Mendel em matemática, ele fez um delineamento experimental muito bom e ao tentar descobrir como essas características são passadas usando a ervilha como exemplo, ele acabou descobrindo várias outras coisas”, comentou o pesquisador da Embrapa José Roberto Moreira, em entrevista ao programa Conexão Ciência. 

Moreira é um dos editores técnicos e autores do livro “Mendel – Das leis da hereditariedade à engenharia genética”. Curioso em saber sobre a história do cientista, o pesquisador traduziu para o português a versão completa do primeiro artigo científico escrito por Mendel, considerado o pai da genética. Segundo Moreira, a ideia de escrever um livro sobre Mendel surgiu quando ele estava escrevendo uma outra publicação sobre o legado de Darwin. “Como a teoria da evolução de Darwin só realmente ganhou força a partir da junção com as leis de Mendel, eu convidei um colega para juntos apresentarmos as leis de Mendel e fazer uma atualização do conhecimento de genética nesses últimos 150 anos”, explicou. 

O amigo ao qual Moreira se refere é Francisco Aragão, também editor técnico e autor do livro. Ao Conexão Ciência, Aragão falou sobre o desenvolvimento da genética ao longo dos anos e a importância de Mendel para a pesquisa moderna. “Mendel criou uma ciência nova, a genética. Isso permitiu que se começasse a fazer, por exemplo, melhoramento de animais e plantas usando ciência. Antes o melhoramento não tinha base científica e ele criou essa base para que o homem pudesse modificar os organismos”, afirmou. 

Aragão explicou ainda que com as leis de Mendel foi possível entender melhor como controlar a transferência de caracteres para os fins pretendidos pela pesquisa, como, por exemplo, obter plantas e animais mais produtivos. “Isso possibilitou criar ramos da genética, que hoje é uma ciência totalmente diversa como a epigenética, engenharia genética, e mais recentemente a edição de genoma.”