Nem só de brancos europeus vive a música pesada. Parte 2

Slash e a mãe dele, Ola Hudson. Reprodução Internet

Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

No que se refere a questões étnicas e raciais, o mundo do metal, hardcore e hard e punk rock é mais diverso do que o percebido pelo senso comum. Muito provavelmente, até mesmo fãs preconceituosos e racistas encontrados nesse universo não se dão conta disso.

Vamos agora para segunda e última parte desta série (acesse a primeira parte). Aproveito para disponibilizar os players das duas edições do programa PEsado - lapada para todos os gostos, nas quais o tema também foi abordado. Lembrando que os conteúdos veiculados na rádio Universitária FM do Recife e aqui no Interdependente possuem algumas diferenças.



Então, dando continuidade à lista de bandas da música pesada e/ou integrantes destas que fogem do estereótipo "só branco europeu", temos aqui o Rage Against the Machine. O guitarrista, Tom Morello, é filho de mãe europeia e pai negro.

O senhor Ngethe Njoroge é natural do Quênia. Morello também integrou Audioslave e hoje faz parte do Prophets of Rage - que reúne ex-membros do RATM e rappers do Public Enemy (DJ Lord e Chuck D), Cypress Hill (B-Real).

Zack de la Rocha e Tom Morello, nos tempos do Rage Against the Machine. Reprodução Internet

O vocalista Zacharias Manuel de la Rocha, o Zack de la Rocha, é filho de Olivia Lorryne Carter, de origem europeia, e Robert "Beto" de la Rocha. O avô por parte de pai do cantor, Isaac de la Rocha Beltrán, lutou na Revolução Mexicana.




Body Count e Slayer

O grupo de Los Angeles foi criado em 1990 pelo guitarrista Ernie C e pelo rapper e ator Ice-T (que trabalha no seriado Law and Order - special victms unit). O Body Count tem influências do hardcore, metal e rap. No álbum Bloodlust (2017), a banda regravou Raining blood e Postmortem, do Slayer.


Por falar neles, a formação clássica do Slayer já contou com o cubano Dave Lombardo na bateria. O chileno, nascido em Viña del Mar, Tomás Enrique Araya Díaz, ou Tom Araya, continua à frente da banda cantando e tocando baixo.

Tom Araya e Dave Lombardo. Foto: reprodução internet

Dead Kennedys

A lendária punk californiana conta com o baterista negro D. H. Peligro ("perigo", em espanhol). Ele já entrou e saiu algumas vezes do DH, mas segue no posto até os dias atuais. O músico também tem seu trabalho solo e tocou com o Red Hot Chilli Peppers, Jungle Studs, Nailbomb, The Feederz, entre outros.

Apresentação do DH no festival Abril pro Rock, em Olinda. Mais ou menos no minuto 32:20, um fã sobe no palco e abraça Peligro. Ele foi convidado a largar o batera de uma maneira incrivelmente gentil por alguém da produção.


Straight Line Stitch


A cantora Alexis Brown. Foto: Divulgação

Mulher negra no metal? Também tem. A vocalista Alexis Brown é a vocalista da banda americana Straight Line Stitch. Além de sons pesados, ela é fã de Drake, Bee Gees, Barbara Streisand e outros artistas semelhantes.



Guns n’ Roses 

Frank Ferrer, baterista do Guns n' Roses. Foto: site Vater

O baterista Frank Ferrer entrou no GNR em julho de 2006. Ele é filho de cubanos e seu pai era um percussionista de música latina. Quando tinha 11 anos, Ferrer assistiu a um concerto do Kiss e acabou se apaixonando pelo rock.

O guitarrista Slash nasceu em Londres e é filho do artista visual Anthony Hudson, branco, e da figurista Ola J. Hudson, negra, que chegou a trabalhar com David Bowie. Ola morreu em 2009, vítima de um câncer.

Entrevista com Frank Ferrer, em inglês

Mais algumas bandas cuja formação fogem do padrão "branco europeu".