Sonora abre espaço para mulheres compositoras do Brasil e exterior

A cantora, dançarina e compositora Flaira Ferro. Foto: Site oficial


Por AD Luna
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"O Sonora - Festival Internacional de Compositoras é desafio, loucura, delícia e empoderamento". Assim Mayra Clara, cantora e uma das organizadoras da etapa Recife do evento, resume o sentimento de, talvez, todas as mulheres envolvidas na produção e na participação do evento, que ocorre em setembro, em cidades brasileiras e do exterior. Em cada local, as respectivas produções são responsáveis pelo próprio regulamento de inscrições e organização da estrutura.

Ouça o Interdependente# sobre o Sonora

A programação na capital pernambucana será divulgada no dia 19. Em Olinda, o encontro acontece no Solar da Marquesa, no Varadouro, nos dias 15 e 16. A grade de atrações já foi disponibilizada. "Foram três meses entre o lançamento do edital e convocatória. A curadoria selecionou nove garotas entre as inscritas, sendo três delas um grupo de hip hop", informa a produtora Marah Rúbia.

Conheça algumas das artistas que tocam no Sonora Olinda


Segundo Rúbia, para aumentar a motivação das selecionadas, foram convidadas cinco artistas da cena musical pernambucana cujas com carreiras artísticas mais desenvolvidas. É o caso de Flaira Ferro, Isaar, Maria Flor e Catarina Dee Jah - que vai fechar o sábado encarnada como a MC Ririca.

O Sonora surgiu em 2016, motivado pela vontade e necessidade de se mostrar e incentivar os trabalhos das mulheres compositoras. Tudo começou a partir da hastag #mulherescriando, propagada pela compositora mineira Deh Mussulini, com o objetivo de divulgar as autoras. Por meio da comunidade que foi se formando em torno dessa ferramenta de comunicação virtual, o festival foi ganhando força e corpo e foram aparecendo pessoas interessadas em fazer o evento em diversas cidades do Brasil e do exterior.

Em 2016, o Sonora foi realizado em mais de 20 localidades. "Este ano, abrimos uma convocatória para regiões que tivessem interesse em produzir o Sonora. Agora em 2017, chegamos a mais de 60 cidades de diversos países", relata a cantora, compositora e curadora para o Norte-Nordeste, Joana Knobbe.



O festival é também uma oportunidade de fomentar discussões e reflexões sobre o papel feminino na indústria musical. Em cada cidade, cantoras, produtoras, compositoras, instrumentistas, comunicadoras trabalham para organizar a programação, a estrutura, descolar apoios e trocar experiências umas com as outras.

Para Mayra Clara, a importância do Sonora vai muito além da música, pois há na sua essência a força do feminismo, a reivindicação de direitos e posições sociais igualitárias, incluindo. "As composições das mulheres não são inferiores nem inferiores as dos homens. Apenas merecem ter mais reconhecimento, valorização, espaços, oportunidades para acontecer", defende.

A segunda edição do Sonora, na capital pernambucana, acontece no dia 30, na Torre Malakoff, Bairro do Recife, com entrada gratuita. Os recursos para custear os gastos serão obtidos por meio de financiamento coletivo, via internet. O público que comparecer poderá ajudar com contribuições voluntárias em dinheiro. As inscrições para mulheres que queiram participar foram prorrogadas até 2 de setembro e podem ser feitas por este link.