Nem só de brancos europeus vive a música pesada. Parte 1

Metallica: o "norueguês" Kirk Hammett e o "sueco" Robert Trujillo. Foto: reprodução internet

Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

No que se refere a questões étnicas e raciais, o mundo do metal, hardcore e hard e punk rock é mais diverso do que é percebido pelo senso comum. Muito provavelmente, até mesmo fãs preconceituosos e racistas encontrados nesse universo não se dão conta disso. Na edição #95 do programa PEsado - lapada para todos gostos, veiculado na rádio Universitária FM do Recife, no sábado (9), este que vos escreve elencou alguns exemplo (e poucos, porque a lista é gigante) de bandas cujas formações contam com, pelo menos, um integrante que foge daquele estereótipo "branco europeu ou descendente direto deste".

Ouça o programa na íntegra 


Nem quis tratar das inúmeros grupos e artistas dos sons pesados que são formados anualmente em países asiáticos (alô, Japão!), africanos e mesmo aquelas encontradas em países tidos como muito conservadores e repressores, a exemplo do Iraque, Arábia Saudita, Indonésia. 

Além da lista contida no programa, foram incluídas outras bandas. A maioria é de grupos estadunidenses, o que considero interessante citar/lembrar por conta da onda de crescimento da extrema-direita que está tomando proporções preocupantes por lá. 

Apesar de boa parte da população dos Estados Unidos ser composta por brancos, existe (é claro, né?) uma grande quantidade de negros, latinos e asiáticos, os quais contribuíram e continuam a contribuir com a diversidade cultural do país. E essa realidade deve se transformar ainda mais, nos próximos anos. Em 2016, pesquisa governamental mostrou que mais de 50% das crianças nascidas pertenciam a minorias.

PANDEMMY


A recifense Pandemmy. Foto: Divulgação

Mas, antes de ir para os EUA, um exemplo do Recife. Não sei como é em outros lugares, mas aqui, em shows ou, por exemplo, nos dias dedicados a sons mais pesados do festival Abril pro Rock, a cidadã e o cidadão mais atentos irão perceber que a quantidade de gente de pele mais escura é maior do que o público branco. O contrário do que ocorre em eventos musicais de bandas classificadas como "indies", de "rock alternativo" ou algum outro novo rótulo do tipo, cujo povo é branquinho. Não é julgamento de valor, só uma constatação. Observem por vocês mesmos e confirmem... Ou não! 

Fundada em 2009, o Pandemmy tem álbuns lançados e sonorida thrash-death metal. Formação, da esquerda para a direita:  Arthur Santos  (bateria),  Guilherme Silva (guitarra), Rayanna Torres (vocal), Marcelo Santa Fé (baixo) e Pedro Valença (guitarrista e fundador do grupo). Playlist do álbum mais recente, Rise of a new strike.



MOTHER´S FINEST

Mother´s Finest, de Atlanta. Foto: Site oficial


O Mother´s Finest é de Atlanta, Geórgia. Estão por aí desde os anos 1970. O som é uma espécie de hard rock funckeado. Em alguns momentos, lembra o som do Deep Purple da fase Coverdale-Hughes. Ou seria o contrário? Uma amostra da música da banda:



TESTAMENT

Testament é da Califònia. Foto: Sthephanie Cabral

Outrora chamada Legacy, a Testament existe desde 1983 e tem hoje em sua formação, da esquerda para a direita na foto: Eric Peterson e Alex Skolnick (guitarras), Chuck Billy (vocais), Gene Hoglan (bateria) e Steve Di Giorgio (baixo). É um dos grupos mais respeitos do thrash metal mundial. Peterson é filho de pai sueco e mãe mexicana.

Skolnick é de origem judaica e, além do metal, também gosta e toca jazz e música não anglo-saxônica, também conhecida como world music para alguns. Com o projeto Planetary Coalition, ele lançou um álbum, em 2014, que reuniu músicos da Argentina, China, Albânia, Palestina, Turquia, Israel, Cuba, Albânia e México.

Chuck Billy costuma demonstrar orgulho por suas raízes indígenas, herdadas do seu pai, o qual concebeu o vocalista junto com a esposa mexicana. As músicas Allegiance, Trail of tears e Native Blood (clipe abaixo) fazem referências a esse lado nativo norte-americano.



Trecho de apresentação do Planetary Coalition.




JOURNEY


Arnel Pineda (centro) realizou o sonho de entrar no Journey. Foto: Divulgação

Formada em San Francisco, em 1973, o Journey continua a lotar ginásios em turnês bem-sucedidas, especialmente no seu país de origem. O grupo já contou em sua formação com um negro, o baixista, cantor e produtor, Randy Jackson. Em 2007, o filipino Arnel Pineda foi descoberto por membros da banda no YouTube. A história, que mais parece um conto de fadas do hard rock, está registrada no documentário Don't stop believin': everyman's Journey .

No início de suas atividades, Pineda sofreu resistência racista por parte de alguns fãs do grupo americano, a qual foi fortemente combatida por seus companheiros brancos caucasianos de banda. O vídeo a seguir mostra trecho do show em que Arnel cantou pela primeira vez com o Journey, nas Filipinas.

No verão americano de 2015, o baterista negro Omar Hakin foi convidado a substituir o então integrante oficial do posto, Deen Castronovo, por este ser acusado e condenado por agredir a esposa. Além do Journey, Hakin já tocou com Madonna, David Bowie, Sting, Dire Straits, Kate Bush, George Benson, Miles Davis, Mariah Carey, entre outros.



VINTAGE TROUBLE

Vintage Trouble, de Los Angeles, Califórnia. Foto: Divulgação

A banda do vocalista negro Ty Taylor tem o som calcado no blues, soul com pitadas de hard rock à Led Zeppelin. Em 2015, o Vintage Trouble foi convidado pelo AC/DC a abrir os shows da turnê Rock or Bust World Tour  na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Uma amostra do poder de fogo do VT, durante o Late Show, de David Letterman.



METALLICA

Kirk Hammett e Robert Trujillo, do Metallica. Foto: Reprodução

Grande admirador de filmes de terror, o guitarrista Kirk Hammett está na banda desde 1983. Ele é filho mãe das Filipinas, a senhora Teofila Chefela, e pai irlandês. Roberto Agustin Miguel Santiago Samuel Trujillo Veracruz, ou simplesmente Robert Trujillo, baixista, é descendente de mexicanos e nativos norte-americanos. Ele entrou no Metallica em 2003. Apreciador de funk (James Brown, Sly and the Family Stone etc) e jazz, Trujillo produziu o documentário Jaco, sobre o lendário baixista Jaco Pastorius.