Cordas: Renato Bandeira e Chico Mário no Interdependente - música e conhecimento

O violeiro, violonista e guitarrista pernambucano Renato Bandeira. Foto: Reprodução YouTube


Por AD Luna
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Pernambuco e Minas Gerais. Dois estados com grandes músicos, compositores e instrumentistas. O Interdependente – música e conhecimento, na edição #7 veiculada no dia 16, na Universitária FM do Recife, apresentou um pouco da história e da obra de Renato Bandeira e Chico Mário.

Ouça o programa na íntegra


Renato bandeira começou a aprender a tocar violão por conta própria, por volta dos dez anos de idade. Na guitarra, foi inicialmente influenciado pelo rock, em especial, pelo inglês Ritchie Blackmore, da banda Deep Purple. Quando começou a estudar no conservatório pernambucano de música, abriu a mente e o coração para outros estilos e artistas. 

Ao escutar o veterano Adelmo Arcoverde tocando frevo na viola, Bandeira foi tomado por um misto de espanto e maravilhamento. Afinal, ele nunca havia se dado, até então, da possibilidade desse instrumento ser incorporado ao estilo. A oportunidade para o próprio Renato se aventurar no experimento sonoro surgiu quando o cantor pernambucano Silvério Pessoa o convidou para uma turnê. "Silvério nem sabia, vai saber agora [que eu não tocava agora]. Ele disse: ´tu toca viola?'. E eu: 'sim'. Mentira arretada", relembra, em meio a gargalhadas.


Renato Bandeira pegou viola emprestada a Silvério e passou a estudar com apoio de Arcoverde, durante um mês. A visibilidade com os shows o levou a ser convidado a entrar na Spok Frevo Orquestra. "O bom de tocar com esses caras loucos e geniais é que a gente é forçado a tocar igual a eles", destaca.

Nas andanças internacionais pelo mundo, junto com Spok, Bandeira notou a importância de se empenhar ainda mais no estudo da música brasileira e pernambucana. Além da orquestra, com a qual toca desde 1998, o violonista, violeiro e guitarrista já fez parte da banda do sanfoneiro Camarão e mantém o projeto instrumental Renato Bandeira e Som de Madeira junto com Augusto Silva (bateria), Júlio Cesar (acordeon) e Hélio Silva (baixo elétrico). 

CHICO MÁRIO

O mineiro Chico Mario. Foto: Acervo ICCM

Francisco Mário de Figueiredo Souza, o Chico, nasceu em 22 de agosto de 1948 em Belo Horizonte. "Foi um grande violonista, grande músico e compositor brasileiro, irmão mais novo do [sociólogo] Betinho e do [cartunista] Henfil. Assim como eles, compartilhava a hemofilia e, em função disso, precisava fazer tratamentos com transfusão de sangue. Os três forma contaminados com [o vírus] HIV em função do sangue não controlado", conta Jéfte Amorim, professor de comunicação, poeta e co-fundador da empresa Dialógica Comunicação Estratégica.

Chico Mário pode ser considerado um dos importantes precursores da produção musical independente no Brasil. Em 1980, ele lançou o disco Revolta dos palhaços, financiado por 200 pessoas que se propuseram a bancá-lo, à semelhança hoje chamado crowndfunding, financiamento coletivo. A capa foi feita por Henfil.

Francisco Julião, advogado das Ligas Camponesas, e Chico Mário gravaram o disco Versos e Viola, em 1981. Foto: Acervo ICCM

Seis anos depois, Chico lançou o livro Como fazer um disco independente. "É um marco no Brasil por ser o primeiro livro a tratar desse assunto", pontua Jéfte. Chico Mário foi vice-presidente da APID - Associação de Produtores Independentes de Discos. "Ela cuidava justamente da orientação a músicos de como lançar seus discos, numa época em que as gravadoras tinham o monopólio da produção e era muita mais caro produzir".

Chico Mário criou 89 composições e lançou oito discos independentes. Elaborou um método de aprendizado musical para crianças, intitulado Recreio. Em 1979, o lançamento do seu primeiro disco, Terra, recebeu elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade.

No 22 de agosto deste ano, foi inaugurado o Instituto Cultural Chico Mário. Para mais informações, clique aqui.