#Memória. Os caminhos do sucesso na vida musical independente (Com vídeos)



Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Nota do escrevente: Texto e vídeos produzidos, no Avenida Club, em São Paulo, entre 2005 e 2006 a respeito da cena independente da época, quando eu fazia parte do Showlivre.com . Aparecem nos vídeos: Lúcio Ribeiro e Fábio Massari (jornalistas), Carlos Eduardo Miranda (produtor), as bandas Gram, Detetives, Astronautas, Abimonistas, Ludov e PB.

Texto originalmente publicado no Showlivre.com, aproveitando o conteúdo dos vídeos - 05/07/2006

"Atravessar a barreira do underground é o que todo mundo espera. É um processo que exige tempo, perseverança. O mais importante é fazer com que as pessoas acreditem no seu recado. Num determinado momento vai acabar dando certo." Fábio Massari, jornalista

"Vai acabar dando certo." Essa é a frase que todo artista independente gostaria que se concretizasse em algum momento da sua carreira. Alguns chegam lá mais rapidamente, outros nem pela esquina passam, e ainda há aqueles que são atropelados no meio do caminho. Então, afinal, como atingir um público maior, ganhar reconhecimento e andar com passos firmes nesse terreno pedregoso?

Computadores, softwares, bons instrumentos musicais nacionais são alguns dos itens que vêm facilitando a produção de CDs dos independentes. Tudo ficou mais rápido e barato. Para Alejandro, o guitarrista e vocalista da Detetives (www.rockdetetives.com.br) , a maioria dos grupos atingiu um nível satisfatório no que se refere à gravação dos seus discos. Mas ele reclama que é difícil viabilizar uma boa divulgação com pouco dinheiro. "Todo mundo está gravando bem. O que falta é dinheiro para o marketing em rádio, TV e em outros meios. Algumas rádios dão uma força aqui e ali, mas, infelizmente, para aparecer mesmo tem que pagar", lamenta.

Fazer as rádios tocarem mais os independentes é uma das principais lutas da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI – www.abmi.com.br), fundada em 2002. "Os independentes precisam de acesso ao público, espaço no rádio de forma ampla. Isso faria muita diferença para o meio", defende Pena Schmidt, presidente da entidade.

Outro ponto muito importante, na visão de Schmidt, é a regionalização da programação das emissoras. "A Rádio Cultura de Belém (www.funtelpa.com.br) é um exemplo perfeito. Está levantando a cena paraense e, em Curitiba, a prefeitura aprovou uma lei exigindo que as rádios locais incluam 20% de músicas de artistas do Estado."

Para o guitarrista e tecladista da também paulistana Ludov (www.ludov.com.br), Mauro Motoki, as bandas não devem ficar paralisadas diante da omissão das rádios e de uma suposta falta de lugares para a realização de shows. "Os grupos têm que trabalhar com afinco e bem para poder se destacar."

As palavras de Motoki encontram reforço na própria situação atual do Ludov. Após mudar de nome - antes se chamavam Maybees -, passar a cantar em português, trabalhar intensamente com a internet e lançar o bem-sucedido EP Dois a rodar, em 2003, a banda foi contratada pela Deck Disc, uma espécie de prima rica das gravadoras indies. Na nova casa, lançaram em 2005 o CD O Exercício das Pequenas Coisas, cujas canções já são cantadas com entusiasmo pelos fãs.

Bandas como os citados Ludov, Gram e Astronautas (do Recife, atualmente radicada na capital paulista) fazem parte de uma parcela de artistas que abandonaram aquele desgastado pensamento de se preocupar apenas em tocar. "O cara que pensa assim está pensando com uma cabeça velha, vai sempre depender dos outros e é muito provável que se ferre. Tem que administrar, saber usar a grana, reinvestir na banda e ir com calma, sem essa corrida desenfreada pelo sucesso."A opinião é de um expert no assunto: Carlos Eduardo Miranda, comandante do Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br) .

Na vida independente 2 (Junho de 2005) - Entrevista e trechos de shows do Gram, Ludov, PB e Carlos Eduardo Miranda (produtor)


Criado há dois anos, o site é o mais festejado pelas bandas nacionais independentes na atualidade. Recebe 10 mil acessos diários, 100 músicas em mp3 gratuito todos os dias e conta com cerca de 15 mil artistas cadastrados. O próximo passo da Trama Virtual vai ser dado no mundo "real". O site vai virar selo e o primeiro lançamento será o CD do Cansei de Ser Sexy, programado para sair em setembro deste ano.

Falando em selo, a Distribuidora Independente (www.dind.com.br) e a Tratore (www.tratore.com.br) – ambas instaladas em São Paulo – são duas das maiores aliadas das pequenas gravadoras. A primeira é, assim como a Trama Virtual, um dos braços da Trama (www.trama.com.br) e foi criada em 2002. Os primeiros álbuns distribuídos foram Contraditório?, de DJ Dolores, e Lunário Perpétuo, de Antônio Nóbrega. Em 2005, esse número pulou para 290 CDs, além da parceria com 52 selos e 137 artistas.

A Tratore também começou em 2002. Segundo Maurício Bussab, um dos seus sócios e integrante da banda Bojo (www.bojo.net), no início, eles distribuíam 20 discos. Hoje, trabalham com 100 selos e 470 discos distribuídos.

Bussab comemora essa notável expansão, mas diz que ainda é preciso acertar alguns pontos para que os selos cresçam em termos qualitativos. "Falta uma mentalidade mais empresarial e um comprometimento maior com prazos, cronogramas. Pensar mais no que é necessário investir ‘antes’ de gravar um disco." De acordo com o músico e empresário, um dos grandes pecados cometidos pelos selos e artistas independentes é o pouco investimento na promoção dos discos. "Ainda existe uma mentalidade ingênua no nosso meio de que ‘o disco vai vender porque é bom’. Claro que ‘ser bom’ é um pré-requisito necessário. Mas não basta", assevera.

Na vida independente 1 (Junho de 2005) - Entrevista com os jornalistas Lúcio Ribeiro e Fábio Massari, integrantes das bandas Detetives, Astronautas e Abimonistas.