Meu broder Michael Jackson e a (hiper)racionalização da sociedade

Michael Jackson no fim dos anos 1970. Foto: Jim McCrary/Redferns
Originalmente publicado na época da morte de Jackson (óbvio, né?), em junho de 2009.

E eis que o Michael Jackson se foi!

Muito já foi noticiado e escrito sobre a passagem e morte do rapaz pelo planeta, portanto, não vou me alongar muito neste assunto especificamente. Vou por outros caminhos.

Confesso que senti bastante pela notícia. Foi como se um amigo da adolescência tivesse partido. Daí, uma amiga me disse: "Como pode, você nem o conhecia?". Uma outra, mais sintonizada, escreveu: "Mas era seu amigo mesmo, ora!"




O primeiro comentário me fez pensar: "Por que muita gente insiste em (hiper)racionalizar tudo?" Neste caso, a premissa mais urgente seria: você não conhece o cara pessoalmente; para existir afinidades, as pessoas precisam se conhecer; logo, você é um bobo por estar triste.

A linha de argumentação referente ao segundo comentário seria: esse cara fez parte de momentos alegres e felizes da sua infância, pré-adolescência, adolescência e idade adulta; assim, foi criada certa afinidade afetiva; logo, é natural você se entristecer.

Bem, se for pra justificar o sentimento por conta de argumentações, fico com a que está logo acima.

Mas, o caso é que volto a me perguntar? Por que diabos essa necessidade de se (hiper)racionalizar tudo? Por que não podemos simplesmente sentir certas emoções, boas ou más, sem nos reprimirmos?

Claro que o bom senso e a razão nos impedem de praticar atos danosos aos outros e a nós mesmos, quando agimos cegamente, dominados por emoções venenosas (raiva, ódio, inveja etc.) ou mesmo por "bons" sentimentos. Você pode querer indicar algum medicamento para sua amiga querida, mas pode matá-la, por não ter conhecimento sobre os efeitos desse ato.

Acho bastante curioso como as pessoas mudam radicalmente de opinião quando algum mestre do conhecimento supremo analisa - por meio de resenhas, artigo, coluna etc. - determinada obra artística. Alguns pensam: “Ah, eu achei o novo álbum do Sicrano´s Band sensacional, incrível. Mas, um crítico da Bolha de São Carlos disse que o som deles soa ‘auto-indulgente’, os solos estão sem sentimento etc. etc. Então, deixei de curtir!”

Eu pensaria: “Mas, menina(o), pelo amor do Mestre dos Magos! Cadê a sua atitude ‘rock and roll?’ Onde está a sua contestação? Por que você tem que cair na conversa de um cara que está praticamente querendo te doutrinar?”

E completaria: “Queime as igrejas e os sacerdotes! Faça como o Menudo, não se reprima!” hahaha

Partindo para o extremo da racionalização, por que as pessoas se entristecem ou se desesperam com a morte mesmo de um parente? Vamos ao pensamento: todos os seres humanos nascem, crescem, envelhecem e morrem; eles sabem que um dia seus amigos, namoradas, pais e mães e eles próprios vão partir; logo, todos os homens e mulheres que se aborrecem com isso são tolos.

Seguindo por esse raciocínio, nos tornaríamos pedras de gelo ambulantes!

Bem, pra fechar... (não, não vou dizer “com chave de ouro”!) o clipe de Michael Jackson e Jackson Five que mais me marcou. Quando via/ouvia esse vídeo na TV, nos tempos da infância, imaginava os caras como se fossem deuses ou super-heróis espalhando paz, fraternidade, igualdade e esperança para os povos de todas as raças do planeta.