Grupo de percussão realiza trabalho musical com autistas



Em menos de seis meses de trabalho, a avaliação já é bastante positiva. Profissionais da saúde que acompanham as crianças nas terapias e os próprios pais relatam que há melhoras significativas no comportamento e nas atitudes das crianças com autismo, principalmente em relação à atenção e à comunicação

Por Natália Uriarte Vieira, comunicação Univalli

​Itajaí, Santa Catarina - A música sob a perspectiva transformadora. A linguagem é universal e revela possibilidades inusitadas até mesmo em pessoas com dificuldades de ver e ouvir um mundo além do seu. Neste ano, o Grupo de Percussão de Itajaí (GPI), projeto de extensão vinculado ao Proler Univali, iniciou um trabalho em parceria com o Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual (CER II) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para realização de oficinas musicais para um grupo de crianças diagnosticadas com autismo.

Rodrigo Paiva, professor do curso de Música da Univali e responsável pelo GPI, conta que a proposta surgiu a partir da intenção do grupo de realizar um trabalho social e de educação inclusiva. A partir de uma conversa com Cristina Maria Pozzi, professora do curso de Medicina da Univali, médica neuropediatra que atuou no CER e que participa como flautista da banda da Univali, definiram o trabalho. “Fizemos reuniões, encontros de estudo a respeito do autismo e a equipe de saúde do centro selecionou um grupo de sete crianças com diagnóstico de autismo para participar dos encontros”, explica Paiva.

As oficinas ocorrem às quartas-feiras, das 18h às 19h, na sala 202, do bloco D8, no Campus Itajaí. Paiva alerta que apesar dos benefícios que a música traz, o projeto não pode ser caracterizado como musicoterapia. “Chamamos de oficinas de música, que se dividem entre momentos de apreciação, socialização e da prática musical propriamente dita, com utilização de instrumentos musicais de percussão e alternativos, ou seja, objetos sonoros do cotidiano”, esclarece.

Os resultados do trabalho

Em menos de seis meses de trabalho, a avaliação já é bastante positiva. Profissionais da saúde que acompanham as crianças nas terapias e os próprios pais relatam que há melhoras significativas no comportamento e nas atitudes das crianças com autismo, principalmente em relação à atenção e à comunicação.

A neuropediatra Cristina afirma que as oficinas abordam habilidades como a linguagem, o movimento e a socialização, em crianças que apresentam prejuízos nestas áreas. Sobre a abordagem, ela explica que é diferenciada, respeita as particularidades de cada indivíduo, com a participação dos familiares, professores, alunos e terapeutas.

“A parceria entre os projetos e a experiência que estamos desfrutando revelam possibilidades diversas e um universo a ser explorado. A ideia de um trabalho duradouro, envolvendo a música e todos os seus desdobramentos é um desafio, mas também um caminho favorável no treino de habilidades e comportamentos adequados destas crianças”, analisa a médica.