segunda-feira, outubro 31, 2016

Gangrena Gasosa é a atração do PEsado #62. Ouça aqui!



Nessa edição, o PEsado - Lapada para todos os gostos apresenta entrevista com Angelo Arede, o Zé Pilintra do Gangrena Gasosa. Disco novo, crowdfunding, o papel da banda na cena brasileira, as novidades os temas abordados! Além disso, Jorge Allen, ex-vocalista da banda pernambucana Sick (depois Sick Sins) explica como entrou na GG - e ainda rola uma música do antigo grupo dele. Por uma "coincidência" do destino, o irmão mais velho de Jorge, Zé Guilherme - ou Missionário José, como ele prefere -, participa do quadro InDica falando sobre o Raza Odiada, o segundo álbum dos chicanos do Brujeria.

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PEsado - Lapada para todos os gostos:

Apresentação e Pauta - Wilfred Gadêlha e AD Luna
Captação e Edição - Gustavo Augusto
Vinhetas - Túlio Falcão e Anderson Mutley




quarta-feira, outubro 26, 2016

Recife recebe a 4ª edição do Music Feelings Yamaha



Por Ester Vitkauskas - Approuch Comunicação

A cidade do Recife (PE) recebe entre os dias 27 e 30 de outubro o Music Feelings Yamaha. O evento promove uma exposição interativa de instrumentos musicais, para quem já toca e para quem nunca tocou. Uberlândia, Londrina e Brasília são algumas das cidades que já serviram de palco para o projeto, agora é a vez de Recife receber a quarta edição do evento, que teve sua estreia em janeiro deste ano.

Em parceria com a loja Segredo Musical, o evento ocorre no Shopping RioMar Recife e oferece aos visitantes a possibilidade de tocar gratuitamente teclados, sintetizadores, pianos digitais, baterias eletrônicas, violões, guitarras e baixos.

O sintetizador Montage 6 e o teclado PSR-EW400, lançamentos da Yamaha em 2016, também estarão disponíveis para teste, além de pocketshows com demonstradores da marca durante todo o evento.

Serviço
Music Feelings Yamaha
Data: 27 a 30 de outubro
Local: Shopping RioMar Recife - Espaço Comercial nº ST-502 Piso: Térreo
Endereço: Av. República do Líbano, 251 – Pina

segunda-feira, outubro 24, 2016

"Amo o Brasil do povo, não o dos coronéis". Ouça entrevista com Carlos Lopes, ícone do metal brasileiro


O programa pernambucano PEsado - Lapada para todos os gostos, apresenta na edição 61, entrevista conduzida pelo jornalista e músico Wilfred Gadêlha com Carlos Lopes, vocalista e guitarrista do Dorsal Atlântica, uma das mais importantes bandas de thrash metal do país. Ele  fala sobre música (diz ser fã do Metá Metá e do disco mais recente de Chico César), comportamento e política. Nos planos do trio carioca, o lançamento da ópera metal "Canudos" e de revista em quadrinhos, que serão financiados pelo público.

E, claro, também rolam músicas da Dorsal e versões para clássicos da banda interpretadas por Decomposed God e Headhunter DC.

Ouça o programa #61 completo



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PEsado - Lapada para todos os gostos:

Apresentação e Pauta - Wilfred Gadêlha e Ad Luna
Captação e Edição - Gustavo Augusto
Vinhetas - Túlio Falcão e Anderson Mutley

quinta-feira, outubro 20, 2016

"Fique peixe", do Querosene Jacaré, é relançado nas plataformas digitais




Álbum de 2001 está nas principais plataformas digitais, com distribuição da Tratore

Criado em 1994, no Recife, o Querosene Jacaré chamou a atenção por conta da base sonora rock'n'roll, aliada a referências nordestinas e apresentações explosivas. A banda tocou três vezes no festival Abril Pro Rock; no Paredes de Coura, em Portugal; e, em 2002, fez uma breve turnê pelos EUA. Lançou dois discos: Você não sabe da missa um terço (1998, Paradoxx Music) e Fique peixe (2001, Manguenitude), que agora retorna às plataformas digitais (Spotify, Deezer, Google Play, iTunes etc.) em todo o mundo, distribuído pela Tratore, como celebração aos 15 anos do lançamento original. 

Enquanto Você não sabe da missa um terço mostrava a banda mais voltada para o rock setentista e temáticas nordestinas, Fique peixe abriu o leque de referências. A base rock and roll permaneceu, mas é possível ouvir incursões pelo samba, soul, funk à James Brown e The Meters, música latina, ciranda, embolada, levadas de bateria inspiradas em ritmos presentes na música eletrônica. 

Fique peixe conta com onze faixas, das quais mais da metade foram gravadas pelo baixista Airton Gordinho - morto numa tentativa de assalto, em 30 de abril de 2000, no Recife. O trabalho foi dedicado a ele. Além de Gordinho, completam a formação no disco: Alfaia (voz e baixo), Tonca (guitarra), AD Luna (bateria) e Cinval (percussão). Participaram como convidados, Zé da Flauta (teclados em Problema de visão), Eder O Rocha (percussões em Boca de oro, Sandália de dedo e Problema de visão), Wanderley e Deco (metais).

MP3 - Antes de ser lançado em versão física pelo selo Manguenitude (com distribuição da Polydisc/Sony Music), do músico e produtor Zé da Flauta, Fique peixe foi disponibilizado gratuitamente em novembro de 2000, em quatro sites da época: os pernambucanos A Ponte, Manguetronic e MangueNius e o paulista MP3Clube. A faixa Catador de papelão também está presente no primeiro disco do Querosene, Você não sabe da missa um terço, e foi regravada para integrar o segundo álbum.

Playlist Fique peixe


Ficha técnica

Produção: Querosene Jacaré
Gravado no estúdio Plug, Recife, (de Zé da Flauta), pelo técnico Jair Paixão
Gravação de bateria: Hubert Estúdio, Recife
Mixagem: Querosene Jacaré e Gabriel Furtado (Estúdio do Poço)
Design: Manoela Leão
Assistência de design: Rosana Aires
Fotos: Hélder Ferrer

REPERTÓRIO
1- Banana elétrica (Cinval)
2- Que carro é esse? (Flávio Mamoha, Hélio Matos e Tonca)
3- Boca de oro (Cinval, Alfaia, Tonca e AD Luna)
4- Sandália de dedo (Fred Caiçara)
5- Adivinha quem (Tonca)
6- Samba pra alguém (Alfaia, Tonca, AD Luna e Airton Gordinho)
7- Andando de kombi (Cinval, Alfaia, Tonca, AD Luna e Cinval)
8- Problema de visão (Cinval, Tonca e Alfaia)
9- Aonde ninguém vê (Alfaia, Tonca, AD Luna e Alfaia)
10- Não leva meu samba (Alfaia, AD Luna e Alfaia)
11- Catador de papelão (Cinval)

Uma substância perigosa e inflamável 
Por Renato L, jornalista

Toda boa banda de rock é irregular. Quem toca sempre redondinho, quem grava discos com os arranjos sempre no devido lugar, quem nunca desafina nem nos agudos nem nos graves esté incapacitado a merecer seu lugar na galeria dos lendários cowboys do rock and roll. O Querosene me parece antes de tudo uma banda de rock, por mais que nas suas composições entrem influências de funk, baião ou sei lá mais o quê. O Rock sim, e irregular, às vezes perigosamente bêbado, às vezes disperso, mas em algumas noites capaz de fazer o menor palco parecer um templo dourado do pop qualquer, estilo Cavern ou CBGB.

Uma das últimas vezes em que eu assisti os caras tocarem foi num bar de beira de praia em Maracaípe, no litoral sul de Pernambuco. Chovia sem parar há umas três ou quatro horas, o mar rugia numa ressaca monumental, a água encharcava cada milímetro do ar e uma plateia de nativos danaava standards pop executados por um grupo cover qualquer. As clássicas "más condições de temperatura e pressão" para qualquer artista que se preze...

Pois bem, os caras rastejaram para o minúsculo palco, plugaram os instrumentos e...BOOM! umbigos queimados balançavam os seus piercings, hippies divagavam sobre o Tangerine Dream ( juro, aconteceu, e bem perto do meu ouvido esquerdo ) e o italiano dono do peda?o se apossou de uma percussão qualquer como um veterano músico convidado.

Em Fique peixe, segundo disco, lançando primeiramente em MP3 e, em seguida, em mídia física em 2001 pelo selo Manguenitude, essa energia do Querosene vem mais bem engarrafada do que no seu trabalho de estreia. Antes de tudo, a produção se preocupou em registrar com cuidado os tons mais graves, um velho defeito dos produtos que saem dos estúdios brasileiros. O resultado foi um das melhores texturas de bateria já extraídas na manguetown, uma pegada que me lembrou, guardando as proporções, as coisas que o Rick Rubin (produtor do primeiro disco dos Beastie Boys e chefe do selo Def Jam) fazia sampleando o batera do Led Zeppelin.

Portanto, brothers and sisters, consumam o Querosene como se o futuro não existisse. A vida é breve e combustíveis como esse é que dissipam o tédio nosso de cada dia.

terça-feira, outubro 18, 2016

Grupo de percussão realiza trabalho musical com autistas



Em menos de seis meses de trabalho, a avaliação já é bastante positiva. Profissionais da saúde que acompanham as crianças nas terapias e os próprios pais relatam que há melhoras significativas no comportamento e nas atitudes das crianças com autismo, principalmente em relação à atenção e à comunicação

Por Natália Uriarte Vieira, comunicação Univalli

​Itajaí, Santa Catarina - A música sob a perspectiva transformadora. A linguagem é universal e revela possibilidades inusitadas até mesmo em pessoas com dificuldades de ver e ouvir um mundo além do seu. Neste ano, o Grupo de Percussão de Itajaí (GPI), projeto de extensão vinculado ao Proler Univali, iniciou um trabalho em parceria com o Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual (CER II) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para realização de oficinas musicais para um grupo de crianças diagnosticadas com autismo.

Rodrigo Paiva, professor do curso de Música da Univali e responsável pelo GPI, conta que a proposta surgiu a partir da intenção do grupo de realizar um trabalho social e de educação inclusiva. A partir de uma conversa com Cristina Maria Pozzi, professora do curso de Medicina da Univali, médica neuropediatra que atuou no CER e que participa como flautista da banda da Univali, definiram o trabalho. “Fizemos reuniões, encontros de estudo a respeito do autismo e a equipe de saúde do centro selecionou um grupo de sete crianças com diagnóstico de autismo para participar dos encontros”, explica Paiva.

As oficinas ocorrem às quartas-feiras, das 18h às 19h, na sala 202, do bloco D8, no Campus Itajaí. Paiva alerta que apesar dos benefícios que a música traz, o projeto não pode ser caracterizado como musicoterapia. “Chamamos de oficinas de música, que se dividem entre momentos de apreciação, socialização e da prática musical propriamente dita, com utilização de instrumentos musicais de percussão e alternativos, ou seja, objetos sonoros do cotidiano”, esclarece.

Os resultados do trabalho

Em menos de seis meses de trabalho, a avaliação já é bastante positiva. Profissionais da saúde que acompanham as crianças nas terapias e os próprios pais relatam que há melhoras significativas no comportamento e nas atitudes das crianças com autismo, principalmente em relação à atenção e à comunicação.

A neuropediatra Cristina afirma que as oficinas abordam habilidades como a linguagem, o movimento e a socialização, em crianças que apresentam prejuízos nestas áreas. Sobre a abordagem, ela explica que é diferenciada, respeita as particularidades de cada indivíduo, com a participação dos familiares, professores, alunos e terapeutas.

“A parceria entre os projetos e a experiência que estamos desfrutando revelam possibilidades diversas e um universo a ser explorado. A ideia de um trabalho duradouro, envolvendo a música e todos os seus desdobramentos é um desafio, mas também um caminho favorável no treino de habilidades e comportamentos adequados destas crianças”, analisa a médica.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Tagore lança clipe de "Pineal", faixa-título do novo álbum


O cantor pernambucano Tagore lançou nesta sexta (14), a faixa-título de seu próximo disco, Pineal. A canção é a segunda a aparecer em vídeo. A anterior foi Mudo. O álbum será lançado oficilamente no dia 21 de outubro, pelo selo Novíssima Música Brasileira, da Sony Music.

Tagore já tocou em festivais como Abril Pro Rock (PE), Coquetel Molotov (PE), Psicodalia (SC), Pira Rural (RS), Grito Rock (GO), Recbeat (PE) e Festival Brasileiro de Música de Rua (RS). Em dezembro, ele se apresenta na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo).




segunda-feira, outubro 10, 2016

A autobiografia de Rita Lee




Por Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee

Nos últimos tempos eu tive um privilégio pra lá de especial: vi Rita escrever sua biografia. Era um momento que nem em meus sonhos mais loucos ousei experimentar. Como jornalista e curioso, sempre gostei de livros assim. História de gente interessante me move.  E vi nascer, daquelas mãos de fada com sua estrela de sete pontas tatuada, a melhor bio que já li na vida. Sem exagero.

No texto, Rita é de uma honestidade... Muitas vezes brutal. Que contrasta com sua doçura e com tanto amor e leveza. Sim, ela consegue colocar no mesmo capítulo faces tão diferentes e emoções tão distintas. Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá.

E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as
legendas - e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.

Sempre tive a certeza de que Rita é o maior compositor que já pisou nesse planeta (acho ruim escrever no gênero masculino, mas só assim para não deixar dúvidas de que ela está no topo dos topos). Através de suas canções, ela entrega os segredos da vida. Emoções e temas - muitas vezes complicados de se descreverem - aparecem de forma fluida, limpa, contundente. São revelações. Quem nunca se identificou com uma música dela? Quem é que não tem uma história com sua trilha sonora? É inegável sua importância para a cultura mundial. E com uma voz... uau! Jamais igualada.

Dito isso, musicalmente a sua importância é inegável. Agora, em 2016, Rita se reinventa. Mais uma vez. Nessa, como escritora. E das melhores! Mais do que uma celebração da vida de Rita, esse livro é uma sorte nossa, que vivemos na mesma época em que ela, por saber de sua história através da própria. E, mais do que sua vida, Rita entrega aqui parte importante da história do país, da cultura mundial. Conta passagens, descreve costumes e mudanças pelas quais passamos nos últimos anos.

Em um de seus inúmeros sucessos, Rita se descreve como 'uma pessoa comum, um filho de Deus'. Ao ler esse livro, fica provado: comum é tudo o que a vida dela não é. Convido vocês a lerem cada página. E depois me digam se não estou certo. Quanto a você, Rita, só me resta dizer: obrigado por dividir sua história com a gente.

Ficha técnica
Título: Rita Lee – uma autobiografia
Autor: Rita Lee
Gênero: biografia
Páginas: 352 páginas
Formato: 16x23        
ISBN: 978‑85‑250‑6330‑4
Preço: R$ 44,90
Editora: Globo Livros

quinta-feira, outubro 06, 2016

Bruno Souto lança música inédita de seu novo álbum


Por Marcus Cesar - Batucada Comunicação

Conhecido pelo seu trabalho à frente da banda Volver, o cantor e compositor Bruno Souto prepara-se para apresentar seu segundo álbum solo, Forte. O lançamento em formato digital pela Deck será no dia 14 de outubro. Dando uma prévia do novo disco, o pernambucano disponibiliza a faixa título.

O disco foi gravado no estúdio Cambuci Roots, em São Paulo, e produzido por Bruno com João Vasconcelos. Com sonoridade pop, marcantes riffs de guitarra e muito groove, Forte traz nove faixas, sendo a grande maioria de sua autoria.




terça-feira, outubro 04, 2016

Bateristas na música pesada no PEsado - Lapada para todos os gostos #58

O baterista panamenho Billy Cobham é uma das atrações do PEsado #58

Os bateristas pernambucanos Danilo Duca (Krapula) e Thiago Sabino (Diablo Motor) se juntaram para um papo com o igualmente batera AD Luna (Querosene Jacaré, Electric Mooker) e o "ex" Wilfred Gadêlha. Também rolam depoimentos de Mek Natividade (Cangaço, ex-Torment e Hanagorik) e Lulu Batera (Firetomb e The Frying Pan), mais generosas poções de Billy Cobham (foto), Sepultura, Slayer, Rush, Diablo Motor, Sad Icon, Led Zeppelin, Iron Maiden e Cangaço.



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PEsado - Lapada para todos os gostos:

Apresentação e Pauta - Wilfred Gadêlha e Ad Luna
Captação e Edição - Gustavo Augusto
Vinhetas - Túlio Falcão e Anderson Mutley

domingo, outubro 02, 2016

Ivan Moraes fala sobre Direitos Humanos e alerta sobre o perigo do fundamentalismo


Na edição de número 2, o Interdependente - música e conhecimento destaca os Direitos Humanos. Tema muito falado e ainda pouco compreendido. O jornalista e militante pernambucano Ivan Moraes Filho conversa com o também jornalista e músico AD Luna a respeito da história e características dos DH. Ele também comenta sobre a ameaça dos fundamentalismos diante das liberdades individuais.

As atrações musicais deste programa foram selecionadas pelo próprio Ivan Moraes. Você vai ouvir Liberdade, de Edson Gomes, clássico de nove entre cada dez protestos realizados no Recife; vai conhecer um pouco da história do regueiro baiano. A segunda atração é Siba e a Fuloresta tocando Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar.

Trechos da entrevista

Pergunta - A gente costuma ouvir por aí, ou ler na internet, naquelas caixas de comentários de portais e nas redes sociais pessoas afirmando que Direitos Humanos é para proteger bandido, e não os "cidadãos de bem". O que você poderia falar a respeito disso?

Ivan Moraes - O que precisamos sempre ressaltar é que a construção histórica dos Direitos Humanos é uma construção do direito para todas as pessoas. É ser humano? Plim! Tem direito à educação, à cultura, ao trabalho, moradia, acesso à água, à soberania alimentar, tem direito a todas essas coisas que fazem com que a gente possa viver de forma plena. Seja lá quem for a pessoa, independente que quem seja: polícia, político, empregada doméstica, médica, engenheira, jardineiro, motorista... Todas as pessoas que hoje vivem no nosso mundo precisam ter todos os seus direitos garantidos. A nossa luta sempre foi pra isso.

Pergunta - De que forma o crescimento do fundamentalismo religioso atinge questões relacionadas aos Humanos?

Isso pode significar (não quer dizer que vá necessariamente acontecer) um possível retrocesso em toda nossa caminhada civilizatória. Pra mim, o grande perigo do crescimento fundamentalista que a gente observa - não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro - é quando ele se coloca como adversário das construções históricas que nós realizamos enquanto sociedade. Quando eles vêm negar direitos, negar as possibilidades de igualdade entre as pessoas, negar a importância de um Estado laico, onde todas as religiões podem conviver em paz. Quando as religiões começam a se meter nesse Estado, a gente percebe que existe um problema que precisa enfrentado.

Pergunta -  E como podemos tratar disso, sem desrespeitar o direito de crença de cada um? 

Num Estado laico, todas as religiões precisam ser respeitadas (evangélica, as de matriz africana, espiritismo), inclusive a não-religião: o direito daquelas pessoas, ateus ou agnósticos, que resolvem ou decidiram que a religião não é uma parte de suas vidas. É preciso que cada um de nós compreenda que nossa religião não extrapole os limites da nossa própria religião. Não posso impor minha fé sobre outras pessoas, não posso impor aquilo no que acredito enquanto religiosidade para outras pessoas que vivem no mesmo Estado que eu.






Lançado em 17 de julho de 2016, o Interdependente - música e conhecimento, mostra as interdependências, conexões entre músicas do mundo e assuntos diversos.

Apresentação e pauta: AD Luna
Trabalhos técnicos: Gustavo Augusto
Trilha das vinhetas: banda Monjolo