Consciência cidadã nos EUA: Saint Paul e Minneapolis, as Twin Cities gay friendly (Parte 2 de 3)

Pride Twin Cities 2015. Foto:  Rebecca Jean Lawrence 


As cidades também estão entre as mais “gay friendly” do território norte-americano. No dia 3 de setembro de 1971, Minneapolis já havia atraído a atenção do país quando o casal homossexual Jack Baker e Michael McConnell teve sua união celebrada pelo pastor da Igreja Metodista Roger Lynn. 


Por AD Luna

Com uma população de 5,3 milhões de pessoas, distribuídas em uma área de aproximadamente 225 mil quilômetros quadrados, Minnesota, “a terra dos dez mil lagos”, ocupa a 21º posição no ranking dos estados mais populosos dos EUA. Cerca de 60% dos moradores se encontram justamente na região das Twin Cities e região metropolitana: cerca de 3,8 milhões de pessoas. Na Grande Recife, esse número é de 3,9 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE. 

Saint Paul tem raízes francesa e irlandesa e, atualmente, abriga cidadãos hmong, povos provenientes de regiões montanhosas do Laos, Vietnã, Tailândia e China. Já Minneapolis tem forte influência escandinava, por conta de colonos vindos da Suécia, Dinamarca e Noruega. Atualmente, há grande presença de imigrantes originários da Somália, os quais, em sua maioria, são muçulmanos.

Matéria atualizada, publicada originalmente na Revista Continente #180, dezembro de 2015

As cidades também estão entre as mais “gay friendly” do território norte-americano. No dia 26 de junho de 2015, a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dois anos antes, no mês de julho, o governador do Minnesota, o democrata Mark Dayton, assinava a lei que reconhecia o direito de gays e lésbicas de se casarem. No dia 3 de setembro de 1971, a cidade de Minneapolis já havia atraído a atenção do país quando o casal homossexual Jack Baker e Michael McConnell teve sua união celebrada pelo pastor da Igreja Metodista Roger Lynn.


Na época, o ato de Lynn foi criticado por membros da sua congregação. Ele recebeu inúmeras cartas com mensagens de ódio e sua esposa o abandonou, inconformada pelo marido ter feito uma cerimônia gay. Saltamos para 2015. Realizada no dia 27 de junho, sob o impacto positivo da decisão dos juízes supremos do país, a parada gay das cidades gêmeas reuniu milhares de pessoas no centro de Minneapolis. Ainda que bem mais comportada do que a da cidade de São Paulo, por exemplo, na Pride Twin Cities podia-se observar no desfile da avenida crianças, idosos e até de carros da polícia, com agentes empunhando a bandeira do arco-íris.

Alunos do curso de inglês do IIMN, em Saint Paul, provenientes do Brasil (nosso repórter, primeiro da esquerda para direita), Etiópia, Somália, Congo, Coréia do Sul, Turquia, China, com a professora alemãs Jill (ao centro, de camisa vinho)
REFUGIADOS

Todos os anos, as Twin Cities recebem refugiados estrangeiros, em especial de nações como Butão, Irã, Iraque, Somália, Etiópia e até da Rússia, incluindo famílias muçulmanas – as quais podem ser vistas andando tranquilamente pelas ruas sem sofrer hostilidades.  Fundado em 1919 e localizado em Saint Paul, o International Institute of Minnesota (www.iimn.org) é uma das instituições que trabalham no acolhimento a pessoas que tiveram de deixar seus países por conta de perseguições religiosas, políticas e de guerras – algumas das quais com participação direta ou indireta do governo norte-americano.

Polícia participa de parada gay, em Minneapolis

Em média, o IIMN atende a cerca de mil imigrantes anualmente os quais recebem apoio no processo de regularização do visto de permanência, aprendizado de inglês e espanhol, aulas de computação e enfermagem. "Eu adoro trabalhar com meus estudantes todos os dias. Nós aprendemos juntos em sala de aula, assim como em passeios pela vizinhança. A diversidade de idades e nacionalidades nas minhas turmas é tremenda e isso tem sido uma valiosa experiência cultural para mim", exalta a professora de inglês para adultos Jill Koolwijk

Nas aulas, ela costuma abordar tópicos do dia a dia como alimentação, moradia, educação, religião e cultura. Jill chegou ao Minnesota, há quase 30 anos, como estudante de intercâmbio, e mora há duas décadas em Saint Paul. 

Parte 1: Consciência cidadã e qualidade de vida nos EUA. Conheca as Twin Cities