Odair José: "Preciso tocar de novo no Rec-Beat!". Cantor abraça o rock em novo disco

Odair José está feliz com repercussão do novo álbum, Dia 16. Foto: Rama de Oliveira

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Foi em 2011 que o outrora chamado "terror das empregadas" participou do festival que integra a programação oficial do Carnaval do Recife. O veterano Odair José, 66 anos, foi recebido calorosamente por um público formado, em sua maioria, por pessoas bem mais jovens que ele. "Olha, fico feliz por você lembrar daquele momento, pois me dá a chance de agradecer a todos que me permitiram viver tamanha emoção! Não é todo dia que se tem essa oportunidade. Preciso tocar de novo no Rec-Beat!", declara. Essa integração entre o jovem de espírito Odair e a turma de 20, 30 e poucos anos, de vários locais do país, culminou na chegado ao mundo de Dia 16, novo álbum do goiano.

Lançado pelo selo Saravá Discos, do colega Zeca Baleiro, e produzido por Alexandre Fontanetti, Dia 16 é o 35° álbum de estúdio. Ao se ouvir as 12 faixas do disco, nota-se uma surpreendente pegada rock'n'roll, com riffs de guitarra à hard e country rock e incursões ao universo sonoro de gente como Rolling Stones e Roy Orbinson. Na década de 1970, Odair José já havia flertado mais intimamente com estilo quando lançou o operístico, e malsucedido comercialmente, O filho de José e Maria (RCA-Victor, 1977).


Dia 16 faz referência à data de aniversário de Odair José, que nasceu em agosto de 1948, em Morrinhos (GO). Na capa, há outras diversas e interessantes citações a acontecimentos ligados ao dia 16. Por exemplo: agosto de 1977, morte de Elvis Presley; maio de 1983, Michael Jackson apresenta, pela primeira vez, o famoso passo moonwalk; agosto de 2008, morte de Dorival Caymmi, e assim vai. "A repercussão desse CD está sendo tão positiva que até me surpreendo. Só elogios. Isso é muito bom", comemora José.

Capa do disco Dia 16
Para Odair, a escolha por uma sonoridade mais roqueira ocorreu de maneira natural. "Apenas fiz um CD de banda, como me apresento ao vivo. Tudo saiu de forma simples. Sou guitarrista, Dia 16 é a minha identidade musical. Algum outro trabalho já feito é que de repente ficou um pouco distante do verdadeiro Odair José. Sempre gostei de rock!", arremata. 

O disco abre com a faixa título, a mais pesada. Encontro, que vem em seguida, é daquelas canções solares cujo refrão é um convite ao sorriso. "Depois de todo deserto, sempre tem um jardim", diz Odair, singelamente, nesta obra.

Odair José já passou por momentos bem difíceis em sua carreira e vida pessoal. Parte deles provocados por escolhas do próprio músico. "Eu já morei em tantos lugares / Muito eu já andei por aí /Eu já fiquei com a cabeça nos ares / Às vezes eu até me perdi", ele nos relata em Morro do Vidigal, com sua guitarra rítmica que lembra a levada de True, do Spandau Ballet.


Discutir tabus é com ele mesmo. Em A moça e o velho, o artista canta o amor entre um casal formado por pessoas de idades distantes, cuja relação gera desconfiança e maledicências. O teclado inicial remete a Like a Rolling Stone, de Bob Dylan. 

Aquela devoção pela amante inesquecível passeia nos versos de Sem compromisso. "O amor pode vir em pedaços/ Que eu junto todo ele em meus braços/ Pra ser feliz com você qualquer coisa eu faço". A canção, como o próprio título indica, é um ode ao relacionamento sem grandes amarras.

Odair José continua a ser um dos bons cronistas musicais da realidade brasileira. Em Dia 16, suas histórias estão amparadas por uma agradável aura pop roqueira.