Mestre Camarão: "O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?"

Imagem: Eduardo Travassos/DP/D.A Press - Reprodução YouTube

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Essa foi uma das alegações proferidas pelo Mestre Camarão em entrevista realizada em junho de 2013, para o Pernambuco.com, em vídeo que pode ser assistido abaixo. Nascido em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, ele faleceu aos 74 anos nesta terça (21/4), no Recife, por conta de problemas associados a complicações cardíacas e renais. A preocupação de Reginaldo Alves Ferreira, seu nome de batismo, é compartilhada por outros músicos e amantes do forró "pé de serra". 

O ritmo tem sido preterido, nos últimos anos, dos grandes palcos de festejos juninos que ocorrem em cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). No seu lugar, as prefeituras e organizadores dão destaque a artistas tidos como alienígenas ao meio. “Sou patrimônio vivo da cultura. Gente como eu deveria ter preferência nas programações”, desabafa. “O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?”, indagou Camarão, em reportagem sobre a sanfona publicada no Diario de Pernambuco.

Camarão começou a se interessar por música assistindo ao pai e outros músicos tocarem. "A partir daí, comecei a estudar sozinho. Também trabalhei no rádio por um tempo, o que me ajudou a pegar muitas informações”, me disse, à época.

Ele teve trocou experiências e informações com outros mestres da sanfona, a exemplo de Sivuca, Hermeto Pascoal, Julinho do Acordeon e Luiz Gonzaga. O Rei do Baião chegou a produzir os dois primeiros álbuns da Banda do Camarão, considerada o primeiro grupo de forró do Brasil. Ao mesmo tempo que reclamava do pouco espaço dado ao "forró tradicional" nos grandes eventos, Camarão se regozijava pelo fato de dar aulas, na Escola Acordeon de Ouro, criada por ele no bairro de Areias, no Recife. “Recebo gente de todas as idades e vejo jovens se interessando pela sanfona”.

O velho mestre lamenta o número reduzido de apresentações marcadas nesta época festiva. “No ano passado (2012), fiz mais shows”, reclama. Em seguida, emenda: “Sou patrimônio vivo da cultura. Gente como eu deveria ter preferência nas programações”, desabafa. “O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?”, indaga.