quarta-feira, abril 29, 2015

A história do alemão forrozeiro homenageado por músicos brasileiros


(Matéria publicada originalmente no Jornal do Commercio, em 10/06/2012)

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Indicado em 1991 ao mais conhecido prêmio internacional da música, o Grammy, o disco Brazil: forró - music for maids and taxi drivers (Brasil: forró - música para empregadas domésticas e motoristas de táxi) pode ser encontrado apenas em lojas físicas ou virtuais estrangeiras (saiba mais clicando aqui). Foi por indicação de uma amiga paulista que o alemão Jan Lumme, 31 anos, morador de Bielefeld, no Nordeste da Alemanha, tomou conhecimento da mais famosa manifestação musical do Nordeste e do álbum Brazil: forró. Encantado pelo que ouviu, Jan do Pandeiro (seu nome artístico) começou a publicar vídeos no YouTube nos quais ele aparece tocando músicas de Toinho de Alagoas, um dos forrozeiros presente no disco.


Ao procurar por vídeos de Toinho na internet, o técnico pernambucano de som João "Janjão" Vasconcelos (que trabalhou nas gravações das músicas presentes no Brazil: forró) acabou se deparando com o alemão que curte forró. A partir de um vídeo postado por Jan do Pandeiro tocando a canção Bicho da cara preta, de Toinho de Alagoas, o pessoal da Panela Produtora - empresa paulistana na qual Janjão trabalha - fez, no ano passado, um vídeo com versão remixada da original postada por Jan, com a participação de alguns músicos. Entre eles, Zé da Flauta, o produtor original das 17 faixas do Brazil: forró.


ENTREVISTA COM JAN DO PANDEIRO

O que você faz na Alemanha, trabalha profissionalmente com música?
Não sou um músico profissional, talvez semi-profissional. Atuo como terapeuta ocupacional, trabalhando com pessoas com deficiências mentais. Música é apenas um hobby para mim, mas eu quero tocar realmente bem alguns instrumentos brasileiros e estou praticando muito para isso. Pandeiro e cavaquinho são os meus favoritos. Também tocar violão e outros instrumentos de percussão. Há algumas bandas nesta região, das quais eu participo. Fazemos muitos shows.

Como você conheceu o forró e quais foram suas primeiras impressões ao ouvir o álbum Brazil: forró?
Já tinha interesse por música brasileira e eu comecei a tocar em um grupo de percussão que tentava executar ritmos do Brasil. Nesse grupo eu conheci uma paulista que mora aqui em Bielefeld. Ela ama forró e me ensinou um pouco sobre essa música. Hoje, nós somos bons amigos e tocamos juntos frequentemente. Eu também aprendo sobre forró por meio da internet. Foi na rede que eu descobri um artigo sobre o disco Brazil: forró. Então, eu decidi comprá-lo. Eu fiquei muito impressionado com a música de Toinho de Alagoas, especialmente pelo jeito de cantar rápido, o ritmo e a sanfona bem tocada. A música parece ser simples, mas a expressão é fantástica!

Quais seus sentimentos em relação à nova versão do vídeo de Bicho da cara preta que brasileiros fizeram em sua homenagem?
Um dia, eu quis gravar a canção e publicá-la no YouTube (em dezembro de 2009). Apenas por diversão, sem expectativa de que algum brasileiro fosse assistí-la. Meus amigos gostaram do vídeo e, um ano depois, recebi um e-mail de Janjão, da Panela Produtora, que havia originalmente gravado esta canção com Toinho de Alagoas. Meus primeiros pensamentos foram: "Hum, devo estar encrencado por não ter obtido os direitos para gravar a música!". Mas, Janjão e seus amigos da produtora me explicaram que, na verdade, eles estavam muito impressionados com o fato de um alemão tocar forró. E eles me surpreenderam com um remix do meu vídeo. Eles acrescentaram instrumentos e fizeram um clipe realmente profissional. Fiquei muito feliz com isso. Na verdade, ainda estou feliz e agradecido.

Já veio ao Brasil alguma vez?
Nunca estive no País, infelizmente. Espero algum dia encontrá-los no Brasil algum dia. Tenho visto muitas reações positivas de brasileiros que assistem meus vídeos no YouTube. Nunca pensei que isso fosse acontecer porque eu não toco muito bem e meu português é ruim. No futuro, eu quero aprender mais sobre a língua e a música brasileira. Também quero visitar o Brasil. Mas, primeiro, preciso juntar dinheiro para poder viajar. :)

Abaixo vídeo que mostra reação de Jan do Pandeiro ao ver, pela primeira vez, a homenagem que brasileiros fizeram a sua paixão pelo forró.


O dia em que o forró foi indicado ao Grammy (e não foi o Latino)



(Matéria publicada em 10/06/2012, originalmente, no Jornal do Commercio)

Do músico e produtor pernambucano Zé da Flauta, por telefone, para o sanfoneiro caruaruense Heleno dos Oito Baixos:

– “Ô, Heleno, tudo bem? Rapaz, fosse indicado ao Grammy!”.
– “Mas seu Zé, eu não jogo mais bola, não!”.
Rindo, Zé insiste:
– “Se liga, Heleno. Agora tu és um cara internacional!”. 
– “Ô, seu Zé! Mas, finalmente, é Grêmio ou Internacional?”.

O inusitado diálogo aconteceu em 1991 e faz parte de uma série de episódios que envolveram a indicação do disco Brazil: forró – music for maids and taxi drivers ao mais conhecido prêmio da indústria da música, naquele mesmo ano.

A façanha ganha ainda mais mérito por ter acontecido numa época em que não existia a versão latina do Grammy, criada em 2000 pela Academia Latina de Artes e Ciências Discográficas (ALACD) dos Estados Unidos, com o intuito de premiar especificamente os artistas de língua espanhola, e parte dos músicos brasileiros.

Além de Heleno, tocam no disco Duda da Passira, José Orlando e Toinho de Alagoas, que mostram seu talento em 17 faixas com xotes, xaxados, baiões e até frevo. O feito ainda repercute na memória e na carreira dos envolvidos. Porém, paradoxalmente, é mais fácil comprar o disco em lojas virtuais estrangeiras do que em território nacional, onde ele se encontra fora de catálogo.

De acordo com Zé da Flauta, a história do Brazil: forró – music for maids and taxi drivers começou em 1981, quando ele conheceu, no Recife, Duda da Passira e Toinho de Alagoas. Os músicos participavam da gravação de um dos discos da série Caravana de Ivan Bulhões, radialista, compositor e um dos grandes divulgadores do forró autêntico no Estado.   

Logo depois das gravações, Zé da Flauta se mudou para a cidade do Rio de Janeiro. Lá, apresentou as duas fitas para Carlos de Andrade, Carlão, dono da gravadora Vison Digital e do Master Studios, cujos escritórios se localizavam no bairro de Laranjeiras.  

Apesar do selo ser especializado em música instrumental brasileira, Carlão resolveu investir no forró e pediu para que Zé lhe apresentasse mais artistas do gênero. Assim, ele voltou ao Recife para gravar mais duas fitas com Heleno dos Oito Baixos e José Orlando.

Com as quatro fitas em mãos, Carlão decidiu inicialmente pôr no mercado discos dos cantores José Orlando (Este é José Orlando) e Toinho de Alagoas (O homem do caráter duro). Mas, eles foram um fracasso de vendas. “Os dois gravaram só músicas próprias, o que na época não era bom negócio no mercado nacional. Resultado: nem na Feira de São Cristovão, que reúne milhares de pessoas em torno de shows, artefatos e comida nordestina, no Rio de Janeiro, consegui vender os discos”, recorda Zé da Flauta, sob gargalhadas.

Do disco de Toinho de Alagoas, Alceu Valença lançaria, em 1983, uma energética versão ao vivo de Balanço da canoa, no histórico álbum Brazil Night – Ao vivo em Montreux, pela extinta gravadora Ariola.


Em 1988, o nova-iorquino Gerald Seligman (ex-diretor geral da Womex, a mais importante feira de música do mundo) foi ao Rio e procurou Carlão a fim de encontrar materiais disponíveis de artistas brasileiros para licenciamento no exterior. Dentre as gravações apresentadas, Seligman se interessou, justamente, pelos até então fracassados álbuns de Toinho de Alagoas e José Orlando.

Seligman perguntou a Carlão que tipo de música era aquele e, sem muito entusiasmo e demonstrando certa incredulidade, o produtor respondeu que era forró: música apreciada por empregadas domésticas e motoristas de táxi.

A resposta acendeu ainda mais o interesse de Gerald pelo estilo e o inspirou a nomear o disco, cujo título traduzido do inglês para o português poderia ser: Brasil: forró – música para empregadas domésticas e motoristas de táxi. "Assim que ouvi aqueles LPs, fui tocado pela honestidade, clareza, e integridade pelos quais Zé da Flauta os tinha produzido. Tanta música por aí é malandramente super produzida. As que ouvi eram reais, pé no chão", conta Geraldo Seligman.

Na época, a notícia mereceu destaque na imprensa local, nacional e internacional. Veículos estrangeiros como a revista Roots World e o jornal New York Times fizeram resenhas elogiosas a respeito do Brazil: forró. Zé da Flauta chegou a ser entrevistado no programa de Jô Soares na TV. Apesar da repercussão, ninguém conseguiu patrocínio para bancar as passagens dos forrozeiros para a cerimônia de premiação.

Bancando as próprias despesas, Zé da Flauta conseguiu participar do evento, que aconteceu em 20 de fevereiro de 1991, no Radio City Music Hall, em Nova Iorque. Brazil: forró concorreu ao Grammy na categoria Traditional folk, mas não ganhou. O prêmio ficou com o cantor americano de country Doc Watson, que morreu semana passada.


FORROZEIROS SEGUIRAM SEUS PRÓPRIOS CAMINHOS

“Foi um momento muito gostoso da minha carreira!”. Assim o sanfoneiro Duda da Passira, 62 anos, resume o que sentiu em relação à indicação do Brazil: forró ao Grammy. Mesmo antes do prêmio, ele já tinha certa projeção, tendo feito apresentações com Luiz Gonzaga durante a turnê do disco Danado de bom (1984). Natural de Passira, no Agreste pernambucano e morando atualmente em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Norte, Duda produziu e gravou em mais de dois mil discos, tendo trabalhado com Quinteto Violado, Novinho da Paraíba, Jorge de Altinho, Limão com Mel, Targino Gondim, entre outros.

Nascido em Caruaru, mas criado em Boqueirão de Ibirajuba, no Agreste, há 52 anos, Heleno dos Oito Baixos se considera um vitorioso. Há uma década se mudou para São Paulo. Depois da exposição proporcionada pelo Brazil: forró, Heleno vive fazendo shows na Europa, principalmente na França. Uma vez por mês, ele vem dar aulas às crianças e jovens da Escola de Sanfona de Oito Baixos, em Caruaru. De acordo com Heleno, há mais de 15 anos ninguém mais ouviu falar do colega José Orlando, que simplesmente sumiu de Caruaru e dos circuitos de shows e eventos.

Cerca de três anos antes de ter seu nome exposto ao mundo no disco indicado ao Grammy, o cantor e compositor Toinho de Alagoas, 58 anos, já havia se tornado evangélico e abandonado o forró, pelo menos o forró mundano. Apesar da forte resistência dos “irmãos” em Cristo, concordou em gravar um videoclipe para a música Balanço da canoa. “Antes de firmar compromisso com Jesus, eu já tinha um com Zé da Flauta”, defendeu-se à época. Até cachê recebeu da Prefeitura de Caruaru – cidade onde até hoje ele mora – como incentivo a participação no vídeo, que foi dirigido por Lírio Ferreira. Ele gravou quatro álbuns evangélicos e, atualmente, ainda se recupera de um derrame que quase o levou embora há quatro anos.

MORTE DE DUDA DA PASSIRA 

O forrozeiro morreu no dia 29 de agosto de 2013, no Recife, aos 64 anos. Ele foi vítima de uma hemorragia digestiva.

CANOA ELETRÔNICA

Maga Bo, DJ e produtor norte-americano radicado no Rio de Janeiro, lançou versão de No balanço da canoa, em 2012. A versão tem a participação da cantora Rosângela Macedo e Marcelo Yuka.


A alimentação viva (ou crudívora) como experiência estética

Foto: UCIS Guilherme Abath/Prefeitura do Recife/Divulgação

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

(Atualização de matéria, originalmente, publicada no Jornal do Commercio, em maio de 2011)

Que tal se deliciar com o prazer de preparar e consumir saladas de brotos de girassol, lentilhas germinadas e cremes de vegetais frescos? Essas iguarias fazem parte da alimentação viva, também chamada de crudívera ou crudista. Nessa prática, os adeptos abdicam em boa parte ou totalmente do aquecimento dos alimentos e os consomem crus. E tem mais: além do aspecto nutricional, a alimentação viva pode ser tomada como experiência estética.

A professora Ana Branco, do departamento de artes e design da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas em torno do chamado “desenho vivo”. Materiais prontos para o uso na natureza (bambu, terra, hortaliças e sementes) e encontrados em diversos ecossistemas são usados no experimento. A pesquisadora costuma montar no campus da PUC, praças públicas de capitais e cidades do interior tendas com mesas, ferramentas e utensílios com quais são realizadas a prática da arte do desenho vivo.

Com ampla e animada participação da população, nesses laboratórios/ateliês ao ar livre são construídas mandalas (figuras organizadas ao redor de um centro, comuns na cultura oriental) com o uso de pedaços e pigmentos de frutas e hortaliças, extraídos por meio de raladores, como abacate, banana, cenoura, batata, inhame, jerimum, entre muitos outros vegetais orgânicos e frescos. O contato com a consistência das substâncias naturalmente coloridas, seus cheiros, o processo de criação dos desenhos e a integração entre as pessoas proporcionam momentos de satisfação e prazer. “Todo o corpo, todos os sentidos vivenciam o fenômeno estético”, explica Ana Branco.

Crepe de Maracujá. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação
O interesse por esse singular experimento artístico e ­gastronômico se transformou em matéria eletiva no departamento de design da PUC, intitulada “Convivência com o Biochip” – a qual é desenvolvida pelo Laboratório de Investigação em Living Design (LILD). “Matriculam-­se, por ano, uma média de 30 alunos de diferentes disciplinas como engenharia, direito, psicologia e muitos outros”, informa a docente. Entre os estudos propostos, discute­se, por exemplo, como a variação da forma dos alimentos e de como são cortados influencia na alteração do seu sabor.

Para entender melhor, tente observar os gostos que distinguem uma cenoura cortada em rodelas de uma servida ralada. A diferença é sutil, mas é possível ser identificada.

Assim como Ana Branco, o médico cirurgião, com doutorado em Medicina pela Ludwig Maximilians Universitat Muenchen (Munique, Alemanha), Alberto Peribanez Gonzalez, cuja clínica está sediada em Campos do Jordão (SP), é outro destacado percursor da alimentação crudívera no Brasil. Ele é autor do livro Lugar de médico é na cozinha: cura e saúde pela alimentação viva (editora Alaúde), no qual defende esse tipo de dieta com embasamento científico e dá dicas de diversas e interessantes receitas. Entre elas, patê de girassol, chocolate de abacate, salada de ervas daninhas, leite de nozes e caldeirada de frutos do “mato”.

Trufas de cacau. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação

Delícia de abacaxi. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação
Vegetariano convicto, Peribanez Gonzalez critica o enorme consumo de carnes e alimentos industrializados pela população. Segundo ele, isso é uma das principais causas da grande incidência de doenças entre as pessoas em geral e dos brasileiros em particular. “Se a maior parte da população brasileira que está nas macas de corredores de hospitais sucateados soubesse que suas doenças são originadas nas poucas escolhas que tem como alimentação, uma verdadeira revolução ocorreria em todos os níveis: agrícola, fundiário, educacional e de saúde”, adverte.

Como se sabe, o embate entre os que defendem a alimentação vegetariana e a carnívora é bastante controverso. Nos dois lados, encontramos profissionais de saúde com respeitáveis títulos acadêmicos e argumentos afiadíssimos. Qual o melhor caminho a seguir? Logicamente, Peribanez defende seu ponto de vista e diz existir na maior parte das universidades, nas áreas de nutrição, medicina e agronomia, uma grade curricular ortodoxa e cristalizada. “Mais que uma ementa de matérias ou um protocolo de procedimentos e rotinas, é uma verdadeira grade mental. Tudo aquilo que desafia o poder econômico da indústria de remédios, de agrotóxicos e de alimentos industrializados é desprezado, ridicularizado e considerado ‘anticientífico’”, critica.

No Recife, cidadãos (e, principalmente, cidadãs) de baixa renda usufruem das experiências gastronômicas e estéticas da alimentação viva por meio de cursos oferecidos na Unidade de Cuidados Integrais à Saúde Prof. Guilherme Abath, mantida pela prefeitura e localizada no bairro do Torreão. A iniciativa partiu da nutricionista paranaense Thaísa Santos Navolar, que trocou o frio curitibano pelo calor recifense. Ela ressalta o grande interesse das pessoas pelas receitas e da alegria de participar da preparação dos alimentos, a qual inclui atividades lúdicas como cantos e danças. Interessante também o modo como elas resolveram o dilema descrito anteriormente nesta reportagem: a alimentação viva é integrada à dieta regular, aquela com feijão e arroz cozidos, e carnes.

Sushis variados de legumes, frutas e pastas de amêndoas. Foto: Centro Verde Vida/Divulgação

Colega de profissão e assistente de Thaísa Santos, a pernambucana Shirley Montenegro defende a atividade de preparo da alimentação viva como uma maneira divertida e participativa de se promover saúde. “As pessoas se encantam, mexe com a vida e a autoestima delas”. A professora Josely Martins, 47 anos, confirma as palavras da nutricionista Shirley. “Para mim, a mudança foi radical. Estou mais pacífica, mais tranquila para enfrentar turbulências”, festeja.

Assim como a professora Josely, a terapeuta Ana Vasconcelos diz ter passado por notáveis e positivas transformações ao adotar a alimentação viva. . “As pessoas não pensam muito nisso, mas alimentação saudável vai além do aspecto físico: ela também pode nos proporcionar bem-estar emocional e espiritual, além de clareza mental”. Depois de anos sofrendo com doenças não curadas por meio da medicina convencional, mudou a dieta e foi obter mais informações sobre a culinária crudista nos Estados Unidos. Lá, fez cursos com a Dra. Ann Wigmore e o Dr. Gabriel Cousens, dois destacados pesquisadores do assunto e resolveu aplicar e divulgar os conhecimentos obtidos na criação e manutenção do Centro Verde Vida.

Localizado no Vale do Catimbau, em Buíque, interior de Pernambuco, o espaço oferece cursos durante fins de semana e feriados prolongados onde os alunos realizam atividades teóricas e práticas relacionadas à alimentação viva. A beleza e a tranquilidade do local devem amplificar todas as experiências sensoriais e estéticas envolvidas no processo.

SAIBA MAIS





RECEITAS

MANDALAS DE FRUTAS

Ingredientes: uma manga, meio mamão formosa, um abacate, meio abacaxi, três goiabas, dez bananas, três colheres de sopa de girassol descascado germinado, duas colheres de sopa de uva passa, canela e limão, frutas para enfeitar: carambola, uva etc.

Modo de fazer
Bater no liquidificador (sem água): um creme de manga (não precisa coar), um creme de abacaxi com goiaba (coar no coador furadinho), um creme de abacate com limão, creme de banana (sem água). Fatiar as carambolas e as uvas. Misturar o girassol sem casca germinado, passas, limão e canela (granola viva). Desenhe sua mandala e bom apetite!

SUCO DE CLOROFILA

Ingredientes: maçãs (duas por pessoa), folhas diversas, semente germinada (um punhado por pessoa). Uso de pepino, cenoura ou jerimum é opcional.

Modo de fazer
Bata no liquidificador as maçãs sem sementes e coe. Não precisa colocar água, basta prensar as maçãs, o que pode ser feito com um biossocador (cenoura, pepino, etc). Devolva o suco ao liquidificador, acrescente as folhas verdes e um punhado de sementes germinadas. Coe novamente no coador de pano para retirar as fibras, pois, desse modo, a clorofila pode ser melhor absorvida. Folhas recomendadas: couve, chicória, folha de cenoura, beterraba, abóbora, serralha, grama de trigo, hortelã, erva­doce, salsinha.

TORTA SALGADA DE MAÇÃ

Misturar a polpa da maçã (resíduo que foi coado no suco de clorofila) com cebola picada, tempero verde, açafrão, sal, azeite e limão. Montar em uma travessa. Recheio: gergelim preto germinado, chuchu e jerimum ralados, temperado com azeite, sal e tempero verde.

terça-feira, abril 28, 2015

Solidariedade e diversão no II Festival do Rock Legal, no Recife

Fourpigs em ação. Foto: Divulgação

Uma festa de rock destinada a cuidar de quem precisa de atenção. Esse é o objetivo do II Festival do Rock Legal, que acontece no sábado, 9 de maio, no Estelita Bahttps://www.facebook.com/estelitarecife?fref=tsr, no Cabanga, Zona Sul do Recife. Fãs do classic rock, hard rock e punk terão uma noite e tanto, com altas doses dos estilos, oferecidas pelas bandas Mavericks, Fourpigs e Azambuja & Os Deslocados, além de DJ com hits do rock e um bazar bem transado de moda, acessórios, vinis e livros.

Assim como aconteceu na edição anterior, o festival visa recolher donativos – roupas e alimentos não perecíveis – para comunidades carentes do Recife. Dessa vez, as doações serão destinadas às famílias desabrigadas da Comunidade do Plástico, localizada no bairro de Campo Grande, no Recife, devastada por um incêndio no começo de abril.



O show de abertura fica com a caçula Mavericks, que mesmo com seu pouco tempo de estrada, já ganhou o apelido de “rock geriátrico”. Uma brincadeira provocada pelas releituras que seus integrantes fazem de clássicos do rock dos anos 60 e 70. Já o Fourpigs dispensa maiores comentários. A banda, com mais de 20 anos de estrada, traz um repertório autoral de hard rock com muito peso e letras irreverentes, centradas no tripé “sexo, álcool e rock and roll”.

Fechando a noite, o Azambuja & os deslocados traz uma overdose punk, tocando cerca de 30 covers dos Ramones. A banda ficou conhecida subir ao palco envergando as mesmas roupas de couro, longos cabelos e o estilo veloz que marcaram o grupo americano fundador do punk rock, ao qual prestam esse tributo.



No início da festa e nos intervalos entre as bandas, o DJ Marcos Toledo fará participações especiais, tocando sets de clássicos do rock, punk e seus derivados. E durante todo o evento estará rolando, na entrada do Estelita, uma nova edição do Bazar das Maris, brechó alternativo que percorre bares e cafés do Recife, comercializando roupas usadas, acessórios, camisetas, vinis e livros.

“A ideia do festival é colocar nossa música a serviço da cidadania, coletando donativos para as famílias de comunidades carentes do Recife”, explicou AD Luna, baterista da Mavericks. “Também é uma forma legal de abrir mais espaço para as bandas de rock recifenses, algo cada dia mais difícil. E o pessoal do Estelita, quando soube dos objetivos do festival, topou na hora”, completou Augusto Santiago, vocalista do Azambuja.



Serviço:
II Festival do Rock Legal
Local: Estelita Bar (Av. Saturnino de Brito, 385, Cabanga – Recife Fone: 81 3127.4143
Data: 9 de maio
Hora: a partir das 21h
Ingresso: R$ 20 – à venda no local ou pela internet (www.eventick.com.br)
Atrações:
- DJ Marcos Toledo
- Banda MAVERICKS (Rock Geriátrico)
- FOURPIGS (Autoral - punk - rock´n´roll pesado)
- AZAMBUJA E OS DESLOCADOS (Ramones Cover)
- BAZAR DAS MARIS (Brechó alternativo)


Apoio:

Dialógica Comunicação Estratégica

PEsado - Lapada para todos os gostos

Interdependente - música, conhecimento e conexões 

segunda-feira, abril 27, 2015

Falsos argumentos dominam discussões no cotidiano e na internet


Matéria originalmente publicada na editoria Brasil, do Diario de Pernambuco, em 17/08/2013

Além da TV, do rádio, jornais, revistas e na publicidade elas são reproduzidas e espalhadas em sites, blogs e podem ser encontradas aos montes em posts e discussões nas redes sociais. O problema é que muita gente - por motivos que vão do desconhecimento do assunto, desonestidade intelectual até má fé mesmo - se deixa seduzir pelas falácias

por AD Luna - ad.luna@gmail.com

"A grande maioria dos manifestantes são filhos de classe média. Ali não havia pobres que precisassem dos R$ 0,20”.
Arnaldo Jabor, cineasta e comentarista, sobre manifestantes em São Paulo

"Aí tem @jeanwyllys_real, ex-BBB e DEPUTADO, ou seja, as duas coisas mais indignas no Brasil, querendo pagar de moral (…)”.
Danilo Gentilli, apresentador, em ataque a Jean Wyllys, via Twitter

“A ‘presidente’ pede que carreguem nas tintas da Comissão da Verdade. Podia se preocupar é com a seca no Nordeste e outros problemas maiores”.
João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso, no Twitter

“Enquanto nos zoológicos a preocupação é manter os pinguins bem quentinhos, lá fora, no mundo cão, gente como a gente está morrendo de frio nas ruas (…)”.
Raquel Shererazade, apresentadora, em comentário no Jornal do SBT

“Hoje o Estado me obriga a usar cinto de segurança; amanhã vai me obrigar a fazer ginástica e me proibir de comer gordura, o que seria bom para o corpo, mas péssimo para as instituições”.
Miguel Esteves Cardoso, escritor português

Declarações como as expostas acima são ditas e repetidas rotineiramente por artistas, celebridades, políticos, profissionais de comunicação e por milhares, milhões de cidadãos no mundo inteiro. Além da TV, do rádio, jornais, revistas e na publicidade elas são reproduzidas e espalhadas em sites, blogs e podem ser encontradas aos montes em posts e discussões nas redes sociais. O problema é que muita gente - por motivos que vão do desconhecimento do assunto, desonestidade intelectual até má fé mesmo - se deixa seduzir pelas falácias.

“As falácias constituem argumentos extremamente envolventes, populares e sedutores, porém carregados de falsidade. Em quase todo discurso falado ou escrito, encontraremos algumas das mais tradicionais falácias argumentativas”, explica o consultor da Unesco no Brasil e escritor Alexey Dodsworth Magnavita, 41.

Para Alexey, que é mestrando em Filosofia e Ética na USP (Universidade de São Paulo), o conhecimento e estudo das falácias nos tornaria capazes de identificar quando alguém tenta usá-las contra nós. No entanto, para ele, o melhor de tudo é se abster de usar falácias. “Quanto menos argumentos falaciosos, melhor é a nossa ética da comunicação. Conseguiremos conversar melhor, conviver melhor com as outras pessoas, analisar mais criticamente aquilo que lemos, seremos menos seduzidos pela falsidade”, ressalta.

FALÁCIAS EXPLICADAS EM VÍDEOS

Além das atividades profissionais desenvolvidas no setor bancário, o administrador Clarion de Laffalot, 34 anos, morador da cidade mineira de Bicas, mantém, desde 2010, um popular canal no YouTube dedicado a discutir assuntos como religião, cultura, política e comportamento. O Fantástico Mundo de Clarion (http://www.youtube.com/ClarionDeLaffalot) possui cerca de 38 mil inscritos e mais de 3,6 milhões de visualizações. Seus vídeos sobre falácias são alguns dos mais populares. Leia entrevista com Clarion.

O que te levou a produzir vídeos sobre falácias?
Foi  principalmente a frustração de ver esse tipo de argumento se repetindo várias e várias vezes em todo tipo de discussão. Eu acabava tendo que repetir a mesma explicação sobre falácias dez vezes na mesma semana, o que além de ser cansativo ainda desvirtuava a discussão. Com os vídeos prontos, bastava indicar o link do vídeo.

Na sua percepção, existe algum tipo de grupo social no qual o uso das falácias é mais frequente?
Na minha experiência, falácias são mais frequentes em ambientes onde as pessoas estão mais preocupadas em ganhar a discussão do que em aprender. Isso é muito comum em discussões onde existe muito fanatismo, como religião, política partidária e ativismo ideológico. Mas acontece praticamente em qualquer lugar onde tenham duas pessoas pessoas discutindo uma ideia.

Qual é a falácia mais comum?
Com certeza é a ad hominem, principalmente porque, para o público leigo, ela funciona. Desqualificar o argumentador é, muitas vezes, bem mais fácil que rebater o argumento. E para o grande público, traz aquela sensação de que a pessoa está "vencendo" o debate. O contrário dela, o apelo  à autoridade, também é muito frequente.

De que forma o conhecimento das falácias contribui para a melhoria da qualidade dos debates e discussões do dia a dia?
O conhecimento sobre falácias é essencial para a qualidade dos debates. O grande problema é que as falácias são argumentos impactantes, e na maioria das vezes muito convincentes. Se não estivermos conscientes dos seus artifícios e da natureza da falha lógica, acabamos sendo conduzidos a conclusões erradas.

ALEXEY DODSWORTH COMENTA QUATRO DAS FALÁCIAS MAIS COMUNS. COM VÍDEOS DE CLARION

Atacar e/ou desqualificar a pessoa e não o seu argumento (falácia ad hominem)
“Num sentido bem primitivo, seria algo como ‘só mesmo uma pessoa com um cabelo ridículo como o seu para dizer uma besteira dessas’. Tenta-se ridicularizar a aparência da pessoa, e o argumento é evitado, ou seja, na verdade não houve réplica. Há o ad hominem mais sofisticado. Alguém diz algo bastante razoável, mas atacamos a ideia só porque foi proferida por quem não gostamos. Temos dificuldade para separar as coisas”.


Falácia da falsa escolha ou falsa dicotomia
“Muitíssimo comum. Nela, dizemos que as pessoas têm que escolher entre A ou B, e damos a ilusão de que só existem estas duas alternativas. Mas a pessoa pode escolher C. Ou mesmo não escolher nem A, nem B. Exemplo: se critico o PSDB, então é porque sou petista. Se critico o PT, sou psdbista. Ora, eu posso ser de outro partido, ou mesmo de partido nenhum, ou posso ser do PT e criticar o PT. Ou falas do tipo ‘gente de bem não vota no partido X’. Este argumento é totalmente falso”.


Falácia da ladeira escorregadia
“Dizemos que uma coisa se seguirá à outra, afirmamos esta sequência, mas esta afirmação é falsa. Exemplo: quando o casamento gay foi aprovado no Brasil, muita gente comentava coisas do tipo ‘começa assim, em breve as pessoas vão poder casar com seus cachorros’. Ora, além de uma coisa (homossexualidade) não ter nada a ver com a outra (zoofilia), já que no primeiro caso nós temos indivíduos racionais capazes de consentir e no segundo caso estamos falando de animais irracionais, não existe nenhuma sustentação lógica de que o casamento entre indivíduos do mesmo sexo incorrerá no futuro casamento entre humanos e animais”.




Falsa analogia
“Comparamos coisas que parecem semelhantes num primeiro olhar, mas o olhar mais atento revela que são mais diferentes do que semelhantes. Se tomarmos a comparação com maior profundidade, veremos que a analogia é falsa. Exemplo de uma falsa analogia envolvendo Brasil e Inglaterra: recentemente, com a determinação do governo de que os médicos terão que obrigatoriamente trabalhar dois anos no SUS, algumas pessoas argumentaram que na Inglaterra o procedimento é o mesmo. É verdade. Só que as condições dos hospitais de lá são muito melhores do que as daqui”.

FALÁCIAS CONTIDAS NAS DECLARAÇÕES DO INÍCIO DESTA MATÉRIA 

Ad hominem, no exemplo de Danilo Gentilli: ele tenta desqualificar Jean Willys por ser um ex-BBB e deputado federal. O mesmo ocorreu com Arnaldo Jabor em relação aos manifestantes que saíram às ruas de São Paulo, em junho.

Falsa dicotomia, ditas por João Barone e Raquel Shererazade: no caso do baterista do Paralamas, ele parece não ter percebido que é possível para a presidente Dilma tanto se preocupar com a Comissão da Verdade quanto com a seca no Nordeste. A apresentadora do SBT vai no mesmo caminho ao não se dar conta que podem ser oferecidos bons cuidados a animais e pessoas. Uma coisa não elimina a outra.

Ladeira escorregadia: o escritor Miguel Esteves Cardoso tenta criar a ideia de que a partir de uma determinação do governo outras irão automaticamente se seguir. No entanto, além de não apresentar boas razões para que tal aconteça, ele liga duas coisas que não possuem relação: obrigação de uso do cinto com ingestão de gordura.

INDICAÇÕES DE LEITURA
Livros
Lógica informal (editora Martins Fontes, 432 páginas, R$ 73), de Douglas Walton

Pensamento crítico e argumentação sólida (Publicações Intelliwise, 312 páginas, R$ 45), de Sergio Navega. A obra está esgotada, mas a editora está preparando uma nova edição

Pensamento crítico - o poder da lógica e da argumentação. (Editora Rideel, 365 páginas, R$ 40), de Walter A. Carnielli e Richard L. Epstein

Links

Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas
Como evitar falácias

Falácia - Verbete do Wikipedia
O cão, o garoto gay, o político corrupto - Sobre falácia da falsa escolha 

sexta-feira, abril 24, 2015

[Star Wars] Perfil em vídeo do compositor John Williams

Darth Vader, John Williams e Chewbacca. Foto: Reprodução Internet

O que seria de filmes como Guerra nas estrelas, ET - o extraterreste, A lista de Schindler, Indiana Jones e outros sem o toque mágico do maestro John Williams? 

Nascido em 1932, na cidade de Nova York, o amigo de Steven Spielberg pode ser considerado o guardião da memória "audioafetiva" de milhões de pessoas do planeta. Ainda que muitas delas não se dêem conta de quem a construiu. A habilidade de Williams em interpretar cenas de grandes produções cinematográficas rendeu-lhe 49 indicações ao Oscar (em 2008, quando o vídeo abaixo foi produzido, eram 45) e cinco estatuetas conquistadas pelos filmes Um violinista no telhado, Tubarão, Guerra nas estrelas, ET e A lista de Schindler.

De acordo com estudiosos da obra do artista, a principal influência de John Williams vem do compositor alemão Richard Wagner, que viveu no século 19. 

quarta-feira, abril 22, 2015

Sobre o INTERDEPENDENTE

Você já se deu conta de que não  nada que exista por si mesmo? Absolutamente tudo no Universo está ligado a algo mais além de si mesmo.

No campo da música, vamos entender que, num sentido mais amplo, a palavra independente é limitada. "Saí da banda, agora vou seguir carreira independente", diz o integrante que partiu para novos desafios. No entanto, para gravar um novo disco, ele vai precisar de outros músicos, de técnico de som, de alguém que tenha inventado softwares, instrumentos, até mesmo do pedreiro que levantou as paredes do estúdio.

Não tem saída. Estamos condenados a depender uns dos outros para tudo. A música também é assim. Ela está ligada a outras artes, e a outras áreas do conhecimento. Daí o título deste blog. 

Para existir, a música está conectada a outras coisas.

Conteúdos
As notícias, comentários, reportagens, entrevistas e notas publicadas no Interdependente são postadas pelo baterista e jornalista AD Luna e colaboradores.

É um "gaúcho pernambucano". Nasceu em Porto Alegre, cresceu no Recife, passou um tempo em São Paulo (2002-2010), depois voltou para a capital de Pernambuco. É baterista da Electric Mooker, ZMusique, Cães de Aluguel e Maverick. Tocou no Querosene JacaréMonjolo, Cruor, entre outras bandas. É formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Trabalhou como diretor de Internet da Prefeitura do Recife, durante a primeira gestão do prefeito João Paulo. Foi repórter, apresentador e gerente de conteúdo do Showlivre.com, site paulista de TV Web especializado em música, onde desenvolveu o programa Mão na Massa. Foi repórter dos cadernos de cultura do Jornal do Commercio e do Diario de Pernambuco. Atualmente, é apresentador do PEsado - Lapada para todos os gostos, roteirista e repórter do programa Som na Rural e colaborador da Revista Continente.





Sobre o INTERDEPENDENTE

Você já se deu conta de que não nada que exista por si mesmo? Absolutamente tudo no Universo está ligado a algo mais além de si mesmo.

Se formos pensar isso no campo da música, entenderemos que, no fundo, a palavra "independente" não faz sentido. "Saí da banda, agora vou seguir carreira independente", diz o integrante que partiu para "novos desafios". No entanto, para gravar um novo disco, ele vai precisar de outros músicos, de técnico de som, de alguém que tenha inventado softwares, instrumentos, até mesmo do pedreiro que levantou as paredes do estúdio.

Não tem saída. Estamos "condenados" a depender uns dos outros para tudo. A música também é assim. Ela está ligada a outras artes, outras manifestações sociais e da natureza.

Daí o título deste blog e de conteúdos, aparentemente, não ligados à música. Mas, para existir, essa "interdepende" de outras coisas.

Conteúdos
As notícias, comentários, reportagens, entrevistas e notas publicadas no Interdependente são postadas pelo baterista e jornalista AD Luna e colaboradores.

AD Luna
É um "gaúcho pernambucano". Nasceu em Porto Alegre, cresceu no Recife, passou um tempo em São Paulo (2002-2010), depois voltou para a capital de Pernambuco. É baterista da ZMusique, tocou no Querosene Jacaré, Monjolo, Cruor, entre outras bandas. É formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Trabalhou como diretor de Internet da Prefeitura do Recife, durante a primeira gestão do prefeito João Paulo. Foi repórter, apresentador e gerente de conteúdo do Showlivre.com, site paulista de TV Web especializado em música, no qual desenvolveu o programa Mão na Massa. Foi repórter dos cadernos de cultura do Jornal do Commercio e do Diario de Pernambuco. Atualmente, é roteirista e repórter do programa Som na Rural e colaborador da Revista Continente.



(RE)Veja entrevista com Kiko Loureiro, do Megadeth/Angra

Kiko Loureiro e Dave Mustaine na capa da revista japonesa Burrn. Imagem: Patrick Korb/Reprodução YouTube
Há oito anos. Direto do túnel do tempo!  :)

Na primeira parte da entrevista para o programa Mão na Massa, do Showlivre.com, Kiko Loureiro falou sobre o CD Universo inverso - o seu segundo álbum solo, focado na música brasileira. Os equipamentos utilizados por ele em estúdio e nos shows foi o assunto do segundo vídeo. Nele, vejam que interessante, também aparece imagem do brasileiro junto com a de Dave Mustaine, líder do Megadeth, ilustrando a capa da revista japonesa Burrn



terça-feira, abril 21, 2015

Mestre Camarão: "O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?"

Imagem: Eduardo Travassos/DP/D.A Press - Reprodução YouTube

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Essa foi uma das alegações proferidas pelo Mestre Camarão em entrevista realizada em junho de 2013, para o Pernambuco.com, em vídeo que pode ser assistido abaixo. Nascido em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, ele faleceu aos 74 anos nesta terça (21/4), no Recife, por conta de problemas associados a complicações cardíacas e renais. A preocupação de Reginaldo Alves Ferreira, seu nome de batismo, é compartilhada por outros músicos e amantes do forró "pé de serra". 

O ritmo tem sido preterido, nos últimos anos, dos grandes palcos de festejos juninos que ocorrem em cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). No seu lugar, as prefeituras e organizadores dão destaque a artistas tidos como alienígenas ao meio. “Sou patrimônio vivo da cultura. Gente como eu deveria ter preferência nas programações”, desabafa. “O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?”, indagou Camarão, em reportagem sobre a sanfona publicada no Diario de Pernambuco.

Camarão começou a se interessar por música assistindo ao pai e outros músicos tocarem. "A partir daí, comecei a estudar sozinho. Também trabalhei no rádio por um tempo, o que me ajudou a pegar muitas informações”, me disse, à época.

Ele teve trocou experiências e informações com outros mestres da sanfona, a exemplo de Sivuca, Hermeto Pascoal, Julinho do Acordeon e Luiz Gonzaga. O Rei do Baião chegou a produzir os dois primeiros álbuns da Banda do Camarão, considerada o primeiro grupo de forró do Brasil. Ao mesmo tempo que reclamava do pouco espaço dado ao "forró tradicional" nos grandes eventos, Camarão se regozijava pelo fato de dar aulas, na Escola Acordeon de Ouro, criada por ele no bairro de Areias, no Recife. “Recebo gente de todas as idades e vejo jovens se interessando pela sanfona”.

O velho mestre lamenta o número reduzido de apresentações marcadas nesta época festiva. “No ano passado (2012), fiz mais shows”, reclama. Em seguida, emenda: “Sou patrimônio vivo da cultura. Gente como eu deveria ter preferência nas programações”, desabafa. “O que Luan Santana tem a ver com São João de Caruaru e com o forró?”, indaga.


segunda-feira, abril 20, 2015

Para prestar atenção! O rock-soul-blues do Vintage Trouble

Vintage Trouble. Foto: Lee Cherry

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Há pouco tempo uma entrevista com o cantor e compositor brasileiro Seu Jorge, mesmo que mal interpretada, acabou por gerar discussões a respeito do sumiço da "negritude" no rock´n´roll atual. Bem, a despeito de análises mais abrangentes sobre a questão, é preciso dizer que o mundo deveria conhecer a Vintage Trouble.

A banda surgiu em Los Angeles, em 2010. Já no ano seguinte, Ty Taylor (vocal), Nalle Colt (guitarra), Rick Barrio Dill (baixo) e Richard Danielson (bateria) lançaram The bomb shelter sessions, álbum de estreia formado por dez ótimas canções. Isso! Todas as músicas do disco são campeãs. Algo bem raro de acontecer atualmente.


Os rapazes citam como suas principais influências Albert King, Beatles, Otis Redding, The Black Keys, Ike & Tina, Funk Brothers, Prince, The Rolling Stones, Sam & Dave, Ray Charles. É possível, realmente, observar a presença de toda essa gente na música do Vintage. Mas o quarteto consegue ter personalidade. Os shows são explosivos, intensos, o que torna suas criações ainda melhores. Eles já abriram shows do The Who, Lenny Kravitz, Bon Jovi e dos Stones, além de participar de inúmeros festivais como Bonnaroo, Coachella, SXSW e Rock in Rio. A participação no evento brasileiro ocorreu em 2013. A apresentação foi bastante elogiada, mas a projeção não saiu a contento visto que o VT tocou em um horário não muito favorável.

Elegância e bom gosto é marcam a acertada escolha de timbres por cada um dos instrumentistas do grupo, o que combina com o visual também impecável. Ty Taylor canta magnificamente bem, conseguindo se equilibrar com maestria por canções blues, mais contemplativas, até as mais energéticas. Quanto à desenvoltura de palco, já houve quem o descrevesse como uma versão mais rocker de James Brown. Faz sentido!

No programa de David Letterman

Sensualidade é outro ponto a se destacar na música do Vintage Trouble. Belas e enigmáticas mulheres inspiram composições do grupo. É o caso de Nancy Lee, cujo videoclipe foi gravado com cinco iPhones e Jezzebella. As personagens de cada vídeo são interpretadas por uma atriz branca e outra negra. Aliás, não é incomum encontrar pessoas dessas etnias se misturando e interagindo em outros clipes e gravações de shows do VT. Em Total strangers, um casal brinca com joguinhos sexuais até chegar ao clímax.

Vintage Trouble é som para se ouvir com cuidado e também para dançar e sensualizar. Coisas muito boas a se fazer em meio à certa caretice e conservadorismo "branco" presentes no rock atual.



Lombre-se e reflita sobre a Existência com o apoio da Estação Espacial Internacional

Imagem: reprodução YouTube

"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo." -  Carl Sagan


No dia 15 de abril, foi publicado no canal do YouTube ReelNASA sensacional vídeo que mostra parte da equipe da Estação Espacial Internacional (EEI) ou, em inglês,  International Space Station (ISS), trabalhando do lado de fora desse notável empreendimento científico. As imagens foram captadas por uma câmera GoPro, carregada pelo astronauta norte-americano Terry Virtus, que estava acompanhado pelo compatriota Barry “Butch” Wilmore. O "passeio" dos dois aconteceu em 25 de fevereiro.

Aproveitando tal feito, gostaríamos de fazer um convite a todas(os) para vivenciar uma "viagem sem drogas" (bem, se quiser usar alguma aí é por sua conta) por lugares onde pouca gente esteve. E isso inclui tanto o espaço sideral quanto aquele mega universo instalado em nossas mentes por não sei quem ou o quê.

É provável que sua experiência, proposta aqui por nós, se torne mais marcante caso você tenha assistido ao clássico 2001: Uma odisséia no espaço (1968), dirigido por Stanley Kubrick e escrito em parceria com escritor Arthur C. Clarke - autor do livro de mesmo nome. 

Imagem: reprodução YouTube
VAMOS LÁ!

Separe o vídeo da Nasa e corte o áudio. Depois escolha algumas das incríveis composições que fazem parte da trilha de 2001, para tocar enquanto você assiste às imagens produzidas por Terry Virtus. As mais indicadas para a experiência são as do compositor húngaro György Ligeti. Tendo em vista o clima denso, misterioso e enigmático, Atmosphères, Réquiem e Lux aeterna, podem te levar a outras dimensões!






Escolhida a música, leia e reflita um pouco (por hora, só um pouco mesmo), sobre essas frases proferidas pelo famoso astrofísico e apresentador Carl Sagan.

Assustador
"O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a idéia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?"

Vastidão do tempo
"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você".

Medida
"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente".

Caminho
"Estamos irrevogavelmente em um caminho que nos levará às estrelas. A não ser que, por uma monstruosa capitulação ao egoísmo e à estupidez, acabemos nos destruindo".

Conhecer
"Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo".

Pronto? Agora apague as luzes ao redor e concentre-se na viagem, sem interferências externas. Mantenha o foco e voe em direção ao espaço infinito e para dentro de si mesmo!

domingo, abril 12, 2015

Deborah Colker e ator Chico Diaz dançam ao som de Mauro Senise

O músico Mauro Senise e a coreógrafa Deborah Colker. Foto: Ana Luisa Marinho/Divulgação
Músico fala sobre a parceria. Assista ao conteúdo do DVD Danças na íntegra

Por AD Luna

Nenhuma arte existe unicamente por si mesma. Quando se pinta um quadro, compõe-se uma canção, escreve-se um roteiro, cria-se uma coreografia, o ato reflete de maneira consciente ou inconsciente as experiências dos criadores com as manifestações artísticas com quais costumam se expressar, suas experiências de vida e o contato com outras artes. Em Danças, o flautista e saxofonista Mauro Senise convidou a bailarina Deborah Colker e o ator Chico Diaz a interpretar músicas instrumentais utilizando-se da dança.

O álbum, lançado pela gravadora Biscoito Fino, contém um CD e um DVD, no qual a bonita e sensível união entre as artes se dá. As imagens em preto em branco valorizaram ainda mais as interpretações. A direção geral foi assinada pelo cineasta Walter Carvalho.

De acordo com Senise, o interesse pela dança é algo que o remete a idas em gafieiras, nos anos 1970, a convite de Paulo Moura, seu professor de sax à época. “Sempre me fascinou essa coisa da música instrumental ensejando a dança, tanto na música popular quanto na clássica - com as grandes obras para balé, como as de Ravel, Stravinsky e Tchaikovsky, entre outras. Nunca tinha feito nada parecido antes de Danças”, expõe.

Ouça todas as músicas do CD Danças


Sobre a participação de Deborah Colker, Mauro Senise diz que os dois sempre desejaram fazer algo juntos, mas as agendas não batiam. Quando as circunstâncias finalmente foram favoráveis, o instrumentista enviou as músicas gravadas e pediu para que ela improvisasse passos de dança inspirados nas obras. “Ela ouviu as gravações e ensaiou com o Chico uma espinha dorsal da coreografia, mas com espaço para improviso - o que aconteceu na hora da gravação. Foi tudo muito natural e espontâneo. Houve um entrosamento mágico entre eu, Walter, Deborah e Chico. Adorei o resultado", comemora.

Apesar da empolgação com a reunião das duas artes, Senise não tem planos (pelo menos, por enquanto) para montar espetáculo. "Deborah anda dançando pelo mundo e eu participando de shows e festivais fora do Rio. Seria difícil conciliar as agendas", justifica.

ENTREVISTA MAURO SENISE

De que forma essa experiência mexeu no seu modo de interpretar, do sentir?
Eu sempre gostei muito de arte. Sejam as artes plásticas, a dança, o cinema... Elementos destas formas artísticas sempre inspiraram a minha música, o meu jeito de tocar, de improvisar. Talvez agora eu tenha conseguido unir elementos da dança, do cinema e da música de um jeito concreto, na forma do DVD.

Há uma diferença entre o repertório do DVD e do CD. Este último tem interpretações mais "quentes", com uso da bateria, percussão, e o primeiro é mais "etéreo". Poderia comentar a respeito?
O meu objetivo principal foi gravar um CD homenageando alguns dos músicos por quem tenho a maior admiração: Gilson Peranzzetta, Jota Moraes, Cristóvão Bastos, Antonio Adolfo e por aí vai... O DVD funciona como um complemento, onde expoloro as quatro músicas que gravei em duo no CD: com o Cristóvão, com o Jota, com o Perannzzetta e com o jovem pianista Gabriel Geszti, que toca no meu quarteto e á muito talentoso. Naturalmente as músicas com mais instrumentação são mais encorpadas. As em duo têm muitas sutilezas e dinâmicas, elementos que eu adoro e são um desafio pra qualquer músico.

Assista ao conteúdo do DVD Danças