Livro analisa em detalhes processo criativo de David Bowie

David Bowie completou 50 anos de carreira em 2014. Foto: Andrew Kent/Divulgação

por AD Luna

David Robert Jones nasceu em 8 janeiro de 1947, na Inglaterra. Este ano, o "Camaleão do rock" completou cinco décadas de carreira. No livro David Bowie e os anos 70 – O homem que vendeu o mundo (editora Nossa Cultura, R$ 59,90), como o próprio título sugere, o jornalista inglês Peter Doggett apresenta detalhado panorama da obra e da formação social, psicológica e espiritual de um dos mais importantes artistas do século 20.

Volumosa, com 570 páginas, a obra se inicia pela Construção de David Bowie: 1947-1968, na qual Doggett descortina o contexto histórico da época citada, a relação com a família problemática e como esses e outros fatores afetaram o modo de pensar e agir do músico e ator. 
Em As canções de David Bowie: 1969-1980, o autor analisa cronologicamente e com riqueza de detalhes (líricos, estilísticos) cada uma das músicas de Bowie, compreendidas durante esse período. A primeira a ser dissecada é Space oddity (1969), que também foi o primeiro grande sucesso do camaleão. A canção foi transmitida pela primeira vez pela BBC justamente durante a cobertura jornalística da chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969. 

Bowie, como informa o livro, demonstrou comportamento ambíguo em relação àquele grande feito da humanidade e à associação da música com o evento. "Eu quero que esse seja o primeiro hino da Lua", disse inicialmente, durante entrevista; para, logo em seguida, lançar: "Acho mesmo que seja um antídoto contra a febre espacial". Amparentemente, ele se mostrava cabreiro com o deslumbramento coletivo que a viagem pudesse causar. 




Space oddity relata as aventuras do Major Tom, dentro de uma nave. Curiosidade não mencionada no livro: Em maio de 2013, o astronauta Chris Hadfield gravou clipe com uma nova versão para a música, na Estação Espacial Internacional. O autor original aprovou a releitura. "Possivelmente a mais mordaz já criada", disse Bowie.

Bastante cativantes são os diversos ensaios em que Peter Doggett se debruça sobre fases da vida de Bowie e dos bastidores de gravações. Em Sedução do oculto, o jornalista escreve sobre o tempo em que o músico mantinha interesse quase obsessivo pelas ideias de Aleister Crowley (que também influenciou o Led Zeppelin e Raul Seixas, entre muitos outros), ufologia, fenômenos paranormais e afins.

A ficção científica e a filosofia também serviram como fonte de inspiração para composições de David Bowie. É o caso de The supermen, baseada no romance John Esquisito, de Olaf Stapleton, e no "super-homem" de Friedrich Nietzsche.
O astronauta Chris Hadfield gravou clipe com uma nova versão para Space oddity, na Estação Espacial Internacional
Ziggy Stardust
Peter Doggett estuda as peças que reunidas deram origem ao enigmático Ziggy Stardust - espécie de ser espacial e andrógino criado por Bowie, em 1971. Também não faltam relatos sobre os flertes do músico com pensamentos de esquerda e de direita (o homem parece se divertir com ideias contraditórias), a relação com Iggy Pop, Andy Warhol, Lou Reed, a bissexualidade, o envolvimento com a cabala e a cocaína.

David Bowie e os anos 70 – O homem que vendeu o mundo é, provavelmente, um dos livros mais completos sobre o processo de criação de um artista pop. Obra que pode ser apreciada por fãs, estudiosos e amantes da música em geral.

Publicado originalmente no Diario de Pernambuco