Amores contemporâneos: Como me apaixonei por um motoboy

Foto: Reprodução/Internet
Por AD Luna

Meu nome é Antonieta Coelho van Gaal, tenho 34, sou médica dermatologista, filha de Groiff van Gaal, empresário judeu holandês. Meu pai veio para o Brasil nos anos 1970, mais especificamente para Pindamonhangaba, interior de São Paulo, onde trabalhou como contador e conheceu minha mãe - Ludmila Coelho van Gaal. Ela era filha do senhor Juvenal Orlando, rico fazendeiro daquelas bandas e marido de dona Eneida, minha mãe. Eu me formei há quatro anos, na faculdade de Medicina da USP. 

Não posso negar que sempre fui moça de boa vida, devido aos ganhos milionários do meu genitor. Mesmo assim, sempre quis ser independente e estudei feito uma maluca para chegar até aqui. Nunca fui de ter muitos namorados e não curto muito baladas. Tive uns casinhos na faculdade, mas nada assim tão emocionante. Bem, indo logo ao que interessa: vou contar a vocês como conheci o grande amor da minha vida. Sei que é uma história vulgar. Afinal, as estatísticas mostram que esse tipo de abordagem masculina é apreciado por 97,5% das mulheres. Contam-se aos milhões, os números de casamentos, de famílias felizes que se formaram por esse método conquista tão sedutor e irresistível.
Era uma tarde de muito calor na capital paulista e eu estava voltando da academia de ginástica; daquelas só para mulheres. O suor e a roupa de malha realçavam ainda mais as belas curvas do meu corpo. Desculpem minha ausência de modéstia. Sou linda mesmo e riiiiiica!
Então ele passou por mim, na altura do Sesc Pompeia, na Lapa, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Adanagílson fazia sua última entrega do dia. Tão logo me viu, mandou-me um: "TESUUUUDA!", acompanhado por uma ainda mais sonora buzinada. "Bi Biiiiii!".
Aquilo me deixou LOOOOOOOOUUUCA! Aproveitando o sinal vermelho, corri em direção ao sujeito, e dei-lhe uma voadora nas costas. No chão e bastante atordoado, ele gritava: "Desculpa, senhora! Desculpa, senhora!". E eu falei: "Desculpa nada, rapaz. Agora você vai ver!".
Não me preocupei em arrancar-lhe o capacete, mas suas calças. Com destreza libidinosa, manipulei a embreagem do figura. Entendendo minhas intenções, Adanagílson relaxou e fizemos amor ali mesmo, em plena luz do dia, no meio da Rua Clélia. Foi tão rápido que acabamos antes que o camburão da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), que trafegava nas imediações, nos abordasse.
Nossa filha Motonieta, 14 anos, cujo nome é uma mistura do meu com a profissão do maridão, foi fruto daquele ato. Somos muito felizes. E sempre a instruo a prestar atenção em todas as cantadas e buzinadas de rua que recebe. Dependendo da entonação, da duração de certas vogais e da intensidade do toque da buzina, ela poderá identificar o grande amor da vida dela.