quarta-feira, março 22, 2017

Recife: a cidade mais assombrada DO MUNDO!

O Papa-Figo. Ilustração: Fábio Rafael 

Foi com o propósito de investigar e difundir contos e histórias mal assombradas que o músico e escritor André Balaio criou e mantém, juntamente com o jornalista Roberto Beltrão, o projeto O Recife Assombrado

Por AD Luna

A Perna cabeluda, Papa-Figo, Comadre Fulorzinha, Boca de Ouro. Esses são alguns dos muitos personagens que permeiam o universo sobrenatural da cultura popular de Pernambuco. Foi com o propósito de investigar e difundir contos e histórias mal assombradas que o músico e escritor André Balaio criou e mantém, juntamente com o jornalista Roberto Beltrão, o projeto O Recife Assombrado, o qual inclui um website e outras ações.

"Recife é a cidade mais assombrada do Brasil", afirma Balaio. Na visão dele, isso se explicaria pela quantidade de lugares com nomes originados a partir do sobrenatural, a exemplo de Encanta Moça e Chora Menino. O primeiro caso se refere a uma região localizada no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, onde, contam, uma moça foi assassinada pelo marido, por causa de ciúmes, e o fantasma aparece para seduzir homens. Já a praça Chora Menino foi batizada com tal identificação devido ao assassinato de diversas crianças durante um revolta popular.

A chamada "Setembrizada" ocorreu no mês em questão, no ano de 1831. Devido a castigos físicos recebidos por indisciplina militar, soldados revoltados com esse tratamento se reuniram a civis solidários à causa, saquearam o Recife e mataram cerca de 300 pessoas. Muitos delas eram menores de idade. Segundo o escritor, até hoje moradores e transeuntes afirmam escutar o choro deles no local.



Entre suas assombrações preferidas, André Balaio cita Boca de Ouro, cujas atuações malignas já foram relatadas por Gilberto Freyre. Ele é um malandro sobrenatural. Usa chapéu, terno branco, tem cara sinistra, demoníaca e seus dentes são todos de ouro. Ao pedir fogo para acender seu charuto, ele "agradece" a quem o oferece com uma risada satânica. "A própria Perna Cabeluda é (algo) muito insólito. É uma espécie de duende na forma de uma perna, que pula e chuta. É algo totalmente pernambucano", expõe.

De forma geral, o tema do medo continua fascinando milhões de pessoas no mundo inteiro. Indagado sobre esse fenômeno global, Balaio diz que a experiência de sentir essa emoção quebra um padrão de racionalidade e organização rígida das coisas que regem a vida em sociedade. "É como se você estivesse se abrindo para sensações e para uma experiência que seja mais instintiva, que busque algo fora daquele padrão, daquela vida organizadinha. É como se transportar para outro tempo em que havia essa coisa mais primitiva", discorre.

Por outro lado, na visão dele, o gênero de horror permite que temas do mundo "real", cotidianos, seja abordados de maneiras mais criativas e contundentes. "Você pode falar de relacionamento por meio de uma história de terror", observa. Questões sociais, políticas podem ser levadas ao público por meio de representações metafóricas.

Boas histórias de terror não são produzidas apenas por "especialistas". O falecido escritor Gabriel García Márquez fez isso com maestria no conto Assombrações de agosto, no qual relata experiência fantástica vivida por uma família que resolve passar a noite numa casa assombrada. O final é inusitado, intrigante. 

"Há vários livros incríveis, de autores que não estão diretamente associados ao gênero. Gosto particularmente muito de A volta do parafuso, do Henry James. É uma novela brilhante", elogia André Balaio. A narrativa envolve uma governanta que vai cuidar de duas crianças numa mansão e começa a ser assombrada por visagens que por lá habitariam. "Há toda uma dúvida se, de fato, aquilo são fantasmas ou se são os pensamentos dela. É bastante tenso. Recomendo muito".

Ouça a entrevista de André Balaio, na íntegra

quarta-feira, março 15, 2017

Precursores do punk, Death toca no Abril pro Rock 2017

O trio Death. Foto: reprodução internet
Originária de Detroit, a banda norte-americana Death integra a programação do Abril pro Rock 2017. A produção do festival divulgou a lista completa de atrações, nesta quarta (15). O trio foi criado em 1971, pelos irmãos Bobby (vocal e baixo), David (guitarra), e Dannis Hackney (bateria). No início o grupo tocava funk, porém, logo passaram a se aventurar pelo rock. ´

sexta-feira, março 10, 2017

Música e cinema: Mr. Hollywood toca na Rock & Ribs Recife

Mr. Hollywood / Foto: Daniel Pinho

No repertório, músicas e cenas de filmes que marcaram época

Depois de apresentações no Manhattan Café Teatro e no Devassa Bar, a Mr. Hollywood toca neste domingo (12), às 18h, na Rock & Ribs, no Bairro do Recife. A banda procurar divertir e fazer o público reviver momentos especiais por meio da união entre música e cinema. Todos os integrantes encarnam personagens de longas metragens e as canções são executadas em sincronia com imagens de filmes, exibidas em telas de vídeo, com arranjos próximos das versões originais. O couvert custa R$ 10.

sexta-feira, março 03, 2017

Paulo André e as interconexões do metal com o manguebeat no programa PEsado

O cantor Chico Science e o produtor Paulo André. Foto: Acervo Paulo André
As interconexões do metal com o manguebeat nortearam a conversa dos apresentadores Wilfred Gadêlha e AD Luna com Paulo André, idealizador e produtor do Festival Abril Pro Rock. Entre várias coisas interessantes da edição #73 do programa PEsado - Lapada para todos os gostos, que foi ao ar no dia 18 de fevereiro, ele fala sobre as intenções de Chico Science em desenvolver projeto musical com Max Cavalera.

"O Chico gostava de rock pesado. Quando morreu, um dos meus discos que estavam com ele era o do White Zombie", revela. "Ele pirava muito no White Zombie, porque tinha groove", complementa. O produtor relembra o dia em que Science entrou numa roda de pogo em show da banda punk Inocentes Oficial, em São Paulo.


terça-feira, fevereiro 21, 2017

O dono do batuque do maracatu

O percussionista Maureliano Ribeiro. Foto: Patricia Alonso/Reprodução Facebook

Aproveitando o período carnavalesco, aí vai uma matéria sobre o homem por trás dos tambores de maracatu usados por inúmeros pernambucanos, brasileiros e estrangeiros. Originalmente publicada no Jornal do Commercio, em 30/06/2012

Por AD Luna

Nos anos 1990, durante a eclosão e desenvolvimento da manguebeat, muitos jovens de classe média despertaram o interesse por manifestações da cultura popular devido à influência de grupos como Chico Science e Nação Zumbi (CSNZ) e Mestre Ambrósio. Hoje em dia, se tornou comum ver adolescentes e pessoas com seus 20 e poucos anos empunhando tambores de maracatu, durante o Carnaval e por todo o ano. E o construtor de muitas dessas alfaias é o percussionista Maureliano Ribeiro.


quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Percussão erudita ganha espaço e inspira músicos de outros estilos

O percussionista e compositor Stewart Copeland. Também conhecido como baterista da banda The Police. Foto: Reprodução/Paiste website


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Início do século 20. Escrita por encomenda e de maneira despretensiosa pelo autor, uma determinada peça erudita viria a se tornar um “hit” planetário. São cerca de 17 minutos no qual um único padrão rítmico se repete (ostinato, em linguagem técnica), exigindo grande concentração dos percussionistas. A caixa clara – tambor de tonalidade mais aguda, presente nas baterias de estilos como rock e pop – dá início ao tema, com uma intensidade levíssima. Instrumentos de sopro entram e, daí em diante, em meio a poucas variações, a dinâmica segue num crescendo arrebatador, hipnótico. Há quem sinta um misto de sensações contraditórias, como desespero e alívio, ao ter contato com a composição mais famosa do autor francês Maurice Ravel (1875-1937): Bolero.


quarta-feira, janeiro 25, 2017

Siba lança clipe e toca em Olinda


Por Namídia

Siba lança nesta quarta-feira (25) o clipe da faixa Inimigo dorme, de seu recente disco De baile solto, com direção de José de Holanda e estrelado pelo percussionista Mestre Nico, acompanhado por Edo e Máro. E nesta sexta, 27 de janeiro, às 22h, em Olinda, o cantor e compositor sobe ao palco do clube Manny Deck, para apresentar ao público da cidade o seu 'De Baile Solto' .  As entradas custam R$ 30 e estão à venda na Internet .

Serviço do show:

Siba - De Baile Solto fazendo Carnaval em Olinda.
Show de abertura com o Mestre Anderson Miguel
Dia 27/01 - Sexta às 22h
Venda Antecipada - online - Sympla
https://www.sympla.com.br/siba---de-baile-solto--mestre-anderson-miguel__111091
Serviço:
Manny Deck - Olinda
27/01/17 (sexta), 22h
Quanto: R$ 20 (meia) - R$ 30,00 (social)

terça-feira, dezembro 27, 2016

Meu broder Michael Jackson e a (hiper)racionalização da sociedade

Michael Jackson no fim dos anos 1970. Foto: Jim McCrary/Redferns
Originalmente publicado na época da morte de Jackson (óbvio, né?), em junho de 2009.

E eis que o Michael Jackson se foi!

Muito já foi noticiado e escrito sobre a passagem e morte do rapaz pelo planeta, portanto, não vou me alongar muito neste assunto especificamente. Vou por outros caminhos.

Confesso que senti bastante pela notícia. Foi como se um amigo da adolescência tivesse partido. Daí, uma amiga me disse: "Como pode, você nem o conhecia?". Uma outra, mais sintonizada, escreveu: "Mas era seu amigo mesmo, ora!"


domingo, dezembro 11, 2016

Música, ciência, comunição não violenta, terror, religião, Direitos Humanos, yoga, ficção científica no Interdependente 2016. Ouça todas as edições

"Cena" do livro Encontro com Rama, de Arthur C. Clarke. Reprodução Internet
Lançado em 17 de julho de 2016, o Interdependente - música e conhecimento mostra as conexões entre músicas do mundo e assuntos diversos. O programa de rádio online teve nove episódios nesta "primeira temporada", em 2016. Abaixo, todas as nove edições.

Apresentação, pautas e entrevistas: AD Luna
Trabalhos técnicos: Gustavo Augusto
Trilha das vinhetas: banda Monjolo


quarta-feira, dezembro 07, 2016

Sepultura e Lobão no Recife. Não vai rolar!



Indagada sobre a realização do show Lobão + Sepultura, que estava marcado para acontecer no Recife, no dia 10 de dezembro, no Baile Perfumado, a assessoria de imprensa do grupo de metal confirmou oficialmente ao PEsado - Lapada para todos os gostos o que já se sabia nos bastidores. A apresentação não vai ocorrer devido a "problemas operacionais e logísticos por se tratar de duas bandas simultâneas".

Na segunda (5), o Sepultura já havia soltado uma nota, via Facebook, informando que as apresentações em Uberlândia, Goiânia e Vitória foram adiadas e que o dinheiro dos ingressos vendidos seriam devolvidos. Na capital pernambucana não haverá devolução pois nem sequer o show foi fechado.