sexta-feira, junho 02, 2017

A história do alemão forrozeiro homenageado por músicos brasileiros


(Matéria publicada originalmente no Jornal do Commercio, em 10/06/2012)

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Indicado em 1991 ao mais conhecido prêmio internacional da música, o Grammy, o disco Brazil: forró - music for maids and taxi drivers (Brasil: forró - música para empregadas domésticas e motoristas de táxi) pode ser encontrado apenas em lojas físicas ou virtuais estrangeiras (saiba mais clicando aqui). Foi por indicação de uma amiga paulista que o alemão Jan Lumme, 31 anos, morador de Bielefeld, no Nordeste da Alemanha, tomou conhecimento da mais famosa manifestação musical do Nordeste e do álbum Brazil: forró. Encantado pelo que ouviu, Jan do Pandeiro (seu nome artístico) começou a publicar vídeos no YouTube nos quais ele aparece tocando músicas de Toinho de Alagoas, um dos forrozeiros presente no disco.


Ao procurar por vídeos de Toinho na internet, o técnico pernambucano de som João "Janjão" Vasconcelos (que trabalhou nas gravações das músicas presentes no Brazil: forró) acabou se deparando com o alemão que curte forró. A partir de um vídeo postado por Jan do Pandeiro tocando a canção Bicho da cara preta, de Toinho de Alagoas, o pessoal da Panela Produtora - empresa paulistana na qual Janjão trabalha - fez, no ano passado, um vídeo com versão remixada da original postada por Jan, com a participação de alguns músicos. Entre eles, Zé da Flauta, o produtor original das 17 faixas do Brazil: forró.


ENTREVISTA COM JAN DO PANDEIRO

O que você faz na Alemanha, trabalha profissionalmente com música?
Não sou um músico profissional, talvez semi-profissional. Atuo como terapeuta ocupacional, trabalhando com pessoas com deficiências mentais. Música é apenas um hobby para mim, mas eu quero tocar realmente bem alguns instrumentos brasileiros e estou praticando muito para isso. Pandeiro e cavaquinho são os meus favoritos. Também tocar violão e outros instrumentos de percussão. Há algumas bandas nesta região, das quais eu participo. Fazemos muitos shows.

Como você conheceu o forró e quais foram suas primeiras impressões ao ouvir o álbum Brazil: forró?
Já tinha interesse por música brasileira e eu comecei a tocar em um grupo de percussão que tentava executar ritmos do Brasil. Nesse grupo eu conheci uma paulista que mora aqui em Bielefeld. Ela ama forró e me ensinou um pouco sobre essa música. Hoje, nós somos bons amigos e tocamos juntos frequentemente. Eu também aprendo sobre forró por meio da internet. Foi na rede que eu descobri um artigo sobre o disco Brazil: forró. Então, eu decidi comprá-lo. Eu fiquei muito impressionado com a música de Toinho de Alagoas, especialmente pelo jeito de cantar rápido, o ritmo e a sanfona bem tocada. A música parece ser simples, mas a expressão é fantástica!

Quais seus sentimentos em relação à nova versão do vídeo de Bicho da cara preta que brasileiros fizeram em sua homenagem?
Um dia, eu quis gravar a canção e publicá-la no YouTube (em dezembro de 2009). Apenas por diversão, sem expectativa de que algum brasileiro fosse assistí-la. Meus amigos gostaram do vídeo e, um ano depois, recebi um e-mail de Janjão, da Panela Produtora, que havia originalmente gravado esta canção com Toinho de Alagoas. Meus primeiros pensamentos foram: "Hum, devo estar encrencado por não ter obtido os direitos para gravar a música!". Mas, Janjão e seus amigos da produtora me explicaram que, na verdade, eles estavam muito impressionados com o fato de um alemão tocar forró. E eles me surpreenderam com um remix do meu vídeo. Eles acrescentaram instrumentos e fizeram um clipe realmente profissional. Fiquei muito feliz com isso. Na verdade, ainda estou feliz e agradecido.

Já veio ao Brasil alguma vez?
Nunca estive no País, infelizmente. Espero algum dia encontrá-los no Brasil algum dia. Tenho visto muitas reações positivas de brasileiros que assistem meus vídeos no YouTube. Nunca pensei que isso fosse acontecer porque eu não toco muito bem e meu português é ruim. No futuro, eu quero aprender mais sobre a língua e a música brasileira. Também quero visitar o Brasil. Mas, primeiro, preciso juntar dinheiro para poder viajar. :)

Abaixo vídeo que mostra reação de Jan do Pandeiro ao ver, pela primeira vez, a homenagem que brasileiros fizeram a sua paixão pelo forró.


quarta-feira, abril 19, 2017

Para não cair no conto de "a ciência comprovou". Entrevista com Carlos Orsi, especialista em divulgação científica



"Um avião voa, segundo leis científicas, e não importa se quem o está pilotando é cristão, muçulmano, comunista, socialista, capitalista. Os princípios da ciência, as leis descobertas pela ciência têm essas propriedades fundamentais de serem, primeiro, consequentes (elas operam no mundo) e, segundo, dessas consequências serem universais. São duas propriedades que se podem até dizer que são exclusivas da ciência".
Carlos Orsi

Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Seja navegando por sites, conferindo postagens em redes sociais ou mensagens enviadas por meio de aplicativos como Whatsapp e Telegram, não é incomum se deparar com títulos de "notícias" alegando que "a ciência comprova tal coisa", "está provado cientificamente que óleo da planta X cura doenças Y", entre outras alegações. Nesta entrevista, originalmente registrada em áudio para o programa Interdependente - música e conhecimento, o jornalista especializado em divulgação da ciência Carlos Orsi expõe como o método científico pode nos ajudar no dia a dia e a ficar atentos a coisas classificadas como "cientificamente comprovadas".

segunda-feira, abril 10, 2017

Vai pra Cuba, headbanger! Dave Lombardo e a influência da música cubana


Por AD Luna - ad.luna@gmail.com

Não é muito segredo que parte do público do heavy metal se apega a extremismos. Diante disso, é interessante contrapor tal radicalismo às palavras de Dave Lombardo, ex-baterista de uma das mais importantes bandas de thrash metal do planeta, a norte-americana Slayer, em entrevista ao também batera Jean Dolabella (ex-Sepultura), no programa MusicaMob. Atualmente, Lombardo toca no Suicidal Tendencies, atração do Abril pro Rock 2017.

Entre os vários assuntos abordados, Lombardo, nascido em Cuba, comenta sobre como incorporou elementos da música desse país em sua música. Ele diz gostar de ouvir artistas do país natal, a exemplo de Tito Puente, Irakere (fundado pelo pianista Chucho Valdés), Celia Cruz e Benny Moré. Assista ao vídeo com a entrevista completa e amostras dos sons dos artistas cubanos citados.

quarta-feira, março 22, 2017

Recife: a cidade mais assombrada DO MUNDO!

O Papa-Figo. Ilustração: Fábio Rafael 

Foi com o propósito de investigar e difundir contos e histórias mal assombradas que o músico e escritor André Balaio criou e mantém, juntamente com o jornalista Roberto Beltrão, o projeto O Recife Assombrado

Por AD Luna

A Perna cabeluda, Papa-Figo, Comadre Fulorzinha, Boca de Ouro. Esses são alguns dos muitos personagens que permeiam o universo sobrenatural da cultura popular de Pernambuco. Foi com o propósito de investigar e difundir contos e histórias mal assombradas que o músico e escritor André Balaio criou e mantém, juntamente com o jornalista Roberto Beltrão, o projeto O Recife Assombrado, o qual inclui um website e outras ações.

"Recife é a cidade mais assombrada do Brasil", afirma Balaio. Na visão dele, isso se explicaria pela quantidade de lugares com nomes originados a partir do sobrenatural, a exemplo de Encanta Moça e Chora Menino. O primeiro caso se refere a uma região localizada no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, onde, contam, uma moça foi assassinada pelo marido, por causa de ciúmes, e o fantasma aparece para seduzir homens. Já a praça Chora Menino foi batizada com tal identificação devido ao assassinato de diversas crianças durante um revolta popular.

A chamada "Setembrizada" ocorreu no mês em questão, no ano de 1831. Devido a castigos físicos recebidos por indisciplina militar, soldados revoltados com esse tratamento se reuniram a civis solidários à causa, saquearam o Recife e mataram cerca de 300 pessoas. Muitos delas eram menores de idade. Segundo o escritor, até hoje moradores e transeuntes afirmam escutar o choro deles no local.



Entre suas assombrações preferidas, André Balaio cita Boca de Ouro, cujas atuações malignas já foram relatadas por Gilberto Freyre. Ele é um malandro sobrenatural. Usa chapéu, terno branco, tem cara sinistra, demoníaca e seus dentes são todos de ouro. Ao pedir fogo para acender seu charuto, ele "agradece" a quem o oferece com uma risada satânica. "A própria Perna Cabeluda é (algo) muito insólito. É uma espécie de duende na forma de uma perna, que pula e chuta. É algo totalmente pernambucano", expõe.

De forma geral, o tema do medo continua fascinando milhões de pessoas no mundo inteiro. Indagado sobre esse fenômeno global, Balaio diz que a experiência de sentir essa emoção quebra um padrão de racionalidade e organização rígida das coisas que regem a vida em sociedade. "É como se você estivesse se abrindo para sensações e para uma experiência que seja mais instintiva, que busque algo fora daquele padrão, daquela vida organizadinha. É como se transportar para outro tempo em que havia essa coisa mais primitiva", discorre.

Por outro lado, na visão dele, o gênero de horror permite que temas do mundo "real", cotidianos, seja abordados de maneiras mais criativas e contundentes. "Você pode falar de relacionamento por meio de uma história de terror", observa. Questões sociais, políticas podem ser levadas ao público por meio de representações metafóricas.

Boas histórias de terror não são produzidas apenas por "especialistas". O falecido escritor Gabriel García Márquez fez isso com maestria no conto Assombrações de agosto, no qual relata experiência fantástica vivida por uma família que resolve passar a noite numa casa assombrada. O final é inusitado, intrigante. 

"Há vários livros incríveis, de autores que não estão diretamente associados ao gênero. Gosto particularmente muito de A volta do parafuso, do Henry James. É uma novela brilhante", elogia André Balaio. A narrativa envolve uma governanta que vai cuidar de duas crianças numa mansão e começa a ser assombrada por visagens que por lá habitariam. "Há toda uma dúvida se, de fato, aquilo são fantasmas ou se são os pensamentos dela. É bastante tenso. Recomendo muito".

Ouça a entrevista de André Balaio, na íntegra

quarta-feira, março 15, 2017

Precursores do punk, Death toca no Abril pro Rock 2017

O trio Death. Foto: reprodução internet
Originária de Detroit, a banda norte-americana Death integra a programação do Abril pro Rock 2017. A produção do festival divulgou a lista completa de atrações, nesta quarta (15). O trio foi criado em 1971, pelos irmãos Bobby (vocal e baixo), David (guitarra), e Dannis Hackney (bateria). No início o grupo tocava funk, porém, logo passaram a se aventurar pelo rock. ´

sexta-feira, março 10, 2017

Música e cinema: Mr. Hollywood toca na Rock & Ribs Recife

Mr. Hollywood / Foto: Daniel Pinho

No repertório, músicas e cenas de filmes que marcaram época

Depois de apresentações no Manhattan Café Teatro e no Devassa Bar, a Mr. Hollywood toca neste domingo (12), às 18h, na Rock & Ribs, no Bairro do Recife. A banda procurar divertir e fazer o público reviver momentos especiais por meio da união entre música e cinema. Todos os integrantes encarnam personagens de longas metragens e as canções são executadas em sincronia com imagens de filmes, exibidas em telas de vídeo, com arranjos próximos das versões originais. O couvert custa R$ 10.

sexta-feira, março 03, 2017

Paulo André e as interconexões do metal com o manguebeat no programa PEsado

O cantor Chico Science e o produtor Paulo André. Foto: Acervo Paulo André
As interconexões do metal com o manguebeat nortearam a conversa dos apresentadores Wilfred Gadêlha e AD Luna com Paulo André, idealizador e produtor do Festival Abril Pro Rock. Entre várias coisas interessantes da edição #73 do programa PEsado - Lapada para todos os gostos, que foi ao ar no dia 18 de fevereiro, ele fala sobre as intenções de Chico Science em desenvolver projeto musical com Max Cavalera.

"O Chico gostava de rock pesado. Quando morreu, um dos meus discos que estavam com ele era o do White Zombie", revela. "Ele pirava muito no White Zombie, porque tinha groove", complementa. O produtor relembra o dia em que Science entrou numa roda de pogo em show da banda punk Inocentes Oficial, em São Paulo.


terça-feira, fevereiro 21, 2017

O dono do batuque do maracatu

O percussionista Maureliano Ribeiro. Foto: Patricia Alonso/Reprodução Facebook

Aproveitando o período carnavalesco, aí vai uma matéria sobre o homem por trás dos tambores de maracatu usados por inúmeros pernambucanos, brasileiros e estrangeiros. Originalmente publicada no Jornal do Commercio, em 30/06/2012

Por AD Luna

Nos anos 1990, durante a eclosão e desenvolvimento da manguebeat, muitos jovens de classe média despertaram o interesse por manifestações da cultura popular devido à influência de grupos como Chico Science e Nação Zumbi (CSNZ) e Mestre Ambrósio. Hoje em dia, se tornou comum ver adolescentes e pessoas com seus 20 e poucos anos empunhando tambores de maracatu, durante o Carnaval e por todo o ano. E o construtor de muitas dessas alfaias é o percussionista Maureliano Ribeiro.


quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Percussão erudita ganha espaço e inspira músicos de outros estilos

O percussionista e compositor Stewart Copeland. Também conhecido como baterista da banda The Police. Foto: Reprodução/Paiste website


Por AD Luna
ad.luna@gmail.com

Início do século 20. Escrita por encomenda e de maneira despretensiosa pelo autor, uma determinada peça erudita viria a se tornar um “hit” planetário. São cerca de 17 minutos no qual um único padrão rítmico se repete (ostinato, em linguagem técnica), exigindo grande concentração dos percussionistas. A caixa clara – tambor de tonalidade mais aguda, presente nas baterias de estilos como rock e pop – dá início ao tema, com uma intensidade levíssima. Instrumentos de sopro entram e, daí em diante, em meio a poucas variações, a dinâmica segue num crescendo arrebatador, hipnótico. Há quem sinta um misto de sensações contraditórias, como desespero e alívio, ao ter contato com a composição mais famosa do autor francês Maurice Ravel (1875-1937): Bolero.


quarta-feira, janeiro 25, 2017

Siba lança clipe e toca em Olinda


Por Namídia

Siba lança nesta quarta-feira (25) o clipe da faixa Inimigo dorme, de seu recente disco De baile solto, com direção de José de Holanda e estrelado pelo percussionista Mestre Nico, acompanhado por Edo e Máro. E nesta sexta, 27 de janeiro, às 22h, em Olinda, o cantor e compositor sobe ao palco do clube Manny Deck, para apresentar ao público da cidade o seu 'De Baile Solto' .  As entradas custam R$ 30 e estão à venda na Internet .

Serviço do show:

Siba - De Baile Solto fazendo Carnaval em Olinda.
Show de abertura com o Mestre Anderson Miguel
Dia 27/01 - Sexta às 22h
Venda Antecipada - online - Sympla
https://www.sympla.com.br/siba---de-baile-solto--mestre-anderson-miguel__111091
Serviço:
Manny Deck - Olinda
27/01/17 (sexta), 22h
Quanto: R$ 20 (meia) - R$ 30,00 (social)